quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 4


Richard Gere e Diane Lane em "Cotton Club"

Depois da viagem pela estrada fora, Francis Ford Coppola investe novamente na grande produção juntamente com Robert Evans, o dinheiro era de Evans. E se “Cotton Club” é um dos filmes mais caros de sempre, isso deve-se em grande parte ao longo período que levou a sua feitura.
Tudo começou em 1977 e terminou em Março de 1984, rondando os custos em cerca de 48 milhões de dollars. Mas o que é “Cotton Club” para valer tanto?



“Cotton Club” foi o grande Clube de Jazz de Harlem onde, inicialmente, só podiam entrar brancos para verem os negros tocarem e dançarem, tendo por lá passado nomes como Duke Ellington. Mas é também a história do trompetista Dixie Dwyer (Richard Gere) e do seu grande amor, Vera (Diane Lane), rodando tudo à volta do ambiente então vivido: jazz, gangsters, amizade, apostas e mortes, num alegre e por vezes mortal convívio.


Tom Waits e Francis Ford Coppola
durante a rodagem de "Cotton Club".

No entanto o amor ainda resistia, não havendo nada melhor para o provar do que a montagem vertiginosa dos últimos dez minutos da película, onde o real e o imaginário se jogam de uma forma fabulosa, nascendo um dos mais belos "happy-end" da história do cinema. “Cotton Club” é, na verdade, um filme para se amar do primeiro ao último fotograma. Francis Ford Coppola regressava assim à indústria, comprovando mais uma vez ser um dos Grandes Mestres de uma Arte chamada Cinema e que ficou para sempre designada como a Sétima Arte!


 Michael Jackson em "Captain Eo"

Coppola estava de volta e a Disney encomendou-lhe de imediato um pequeno grande “movie” para exibir nos seus Parques Temáticos, intitulado “Captain Eo”, baseado numa ideia de George Lucas e Michael Eisner e que foi rodado em 3D (três dimensões) e em 70mm, com película “eastmankodak” e que passou exclusivamente na Disneyworld e Disneyland. A fotografia, como não podia deixar de ser, foi da responsabilidade do Mago italiano Vittorio Storaro e o protagonista Michael Jackson, então a navegar em plena crista da onda.


 Katheleen Turner em "Peggy Sue Casou-se"/
"Peggy Sue Got Married".

A conciliação de Francis Ford Coppola com a Indústria originou o recebimento de mais uma encomenda, intitulada “Peggy Sue Got Married”/”Peggy Sue Casou-se”.
Embora o argumento tenha sido escrito a pensar em Debra Winger para o papel principal, acabou por ser Kathleen Turner a ficar com ele e a dar tão boa conta do recado, de tal forma que acabou por ser indigitada para o Oscar da melhor actriz principal.
“Peggy Sue Casou-se” é uma viagem através de um “mergulho” no passado, de uma mulher madura, que regressa à adolescência e volta a viver a vida tal como tinha desfilado perante o seu olhar no passado, só que desta vez até poderia alterar o estado das coisas ou seria que não? A película termina por nos oferecer uma dessas fábulas maravilhosas que só o cinema possui o condão de nos encantar.



James Caan em "Jardins de Pedra" / "Gardens of Stone"


Ficaram assim abertas as portas para o regresso do conhecido “Maverick” ao convívio da indústria, nascendo então essa obra-prima intitulada “Gardens of Stone”/”Jardins de Pedra”, no qual vamos reencontrar James Caan e Anjelica Huston (que tinha participado no “short/big-movie” da Disney “Captain Eo”). Embora o tema do filme seja ainda o Vietname, desta vez Coppola decide optar por ficar em território americano, mais concretamente no aquartelamento da Guarda Nacional, onde se fazem as derradeiras Honras aos soldados caídos em combate. A figura do sargento, veterano da guerra da Coreia, protagonizada por James Caan, é excelente em toda a sua humanidade, onde o homem “luta” com o soldado, devido ao amor que possui pela mulher amada, que além de ser jornalista, se encontra no outro lado do conflito, como oponente a essa guerra decretada por interesses acima da humanidade.



 Anjelica Huston oferece-nos uma interpretação
inesquecível  em "Jardins de Pedra" / "Gardens of Stone"!

Como não podia deixar de ser, o amor será mais forte, vencendo o “conflito” privado do casal, mas a imagem que Coppola nos oferece da Instituição Militar nesse período e os laços que ligam os seus membros, surge como um dos temas da película.
Mas será a segunda história de amor, existente em “Jardins de Pedra” / “Gardens of Stone”, entre Jackie e Rachel, personagens interpretadas por D.B.Sweeney e Mary Stuart Masterson, (uma trágica “love story”), que servirá para Clell Hazard (James Caan) e Samantha Davis (Anjelica Huston) olharem o tempo que lhes resta de uma forma diferente, porque o amor que os une será sempre mais forte, do que as diferenças de opinião que os dividem, terminando a Instituição Militar por sair derrotada deste conflito quotidiano, invasor de tantos lares americanos, durante o período da guerra do Vietname.


(continua)

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Possivelmente o filme mais Clássico de toda a filmografia de Francis Ford Coppola e onde James Caan e Anjelica Huston nos oferecem duas interpretações memoráveis.

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  2. Foi com prazer que li esta rubrica.
    Gosto de cinema e aprecio o Coppola. Venho só agora agradecer a sua visita e dizer que irei passando pela sua janela.
    Obrigada por esta partilha.
    Boa noite. :))

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    1. Obrigado pelas suas amáveis palavras.
      Francis Ford Coppola é um dos meus cineastas preferidos. Por aqui gostamos de falar de cinema, livros, música e pintura, esperamos que continue a gostar de visitar esta pequena janela:)

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