quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 3


Frederick Forrest interpretando a figura de "Hammett", 
de forma brilhante e inesquecível no filme de Wenders/Coppola!

Durante o período que antecedeu a crise criada com o insucesso de “Do Fundo do Coração” / “One From the Heart”, Francis Ford Coppola produziu “Hammett” de Wim Wenders, baseado no romance de Joe Gores, um daqueles policiais inesquecíveis que juntava pela primeira vez dois génios de continentes diferentes. No entanto, o relacionamento entre eles não foi dos melhores, o produtor Coppola e o cineasta Wenders faziam leituras diferentes do argumento e as interferências do primeiro foram imensas, segundo o alemão. Mas também não podemos esquecer que o dinheiro investido era de Francis e aqui, de certa forma, pairava a sombra da memória dessa figura mítica do cinema clássico chamada David O’Selznick. A conclusão de “Hammett” foi um verdadeiro milagre, transformando-a num dos maiores filmes malditos da década de oitenta, sendo ainda de referir que esse grande actor chamado Frederick Forrest era a figura central da película de Wim Wenders, mas também a personagem principal de “Do Fundo do Coração” / “One From the Heart” , saltando de um “plateau” para outro.


"Os Marginais" /"The Outsiders", 
assim nasceu uma nova geração de actores!


Francis Ford Coppola tinha, decididamente, chegado ao fim da estrada, mas os atalhos podem conduzir a um novo caminho e o regresso, aliado ao êxito comercial, surgiu com “Os Marginais”/”The Outsiders”, evocação directa de Nicholas Ray e do seu “Fúria de Viver”, nascendo uma autêntica galeria de novos actores que iriam, anos mais tarde, confirmar todas as suas potencialidades no interior da indústria norte-americana, nunca sendo demais recordar que Tom Cruise, Matt Dillon, Patrick Swayze, Rob Lowe, Emilio Estevez  e Diane Lane eram alguns dos protagonistas desse filme rebelde.


O jovem actor, Kelly Reno,que irá interpretar a figura do herói, 
nas duas aventuras de "O Cavalo Negro" / "The Black Stallion"

Durante este período conturbado da vida do cineasta, onde os meios reduzidos não interferem na qualidade dos filmes, antes os tornam em obras de real importância cinematográfica, são produzidas as aventuras de “O Cavalo Negro”: ”The Black Stallion” (1979) e “The Black Stallion Returns Again” (1983), dirigidos pela  mão de Carroll Ballard e Robert Dalva. Este projecto, das produções Coppola, baseava-se no retorno ao universo mágico do cinema da nossa infância e “O Rei da Evasão”/”The Escape Artist” (1982), realizado por Caleb Deschanel, foi um dos mais fascinantes capítulos da carreira de produtor de Francis Coppola, situado entre fronteira do universo infantil das produções Disney e a memória do sonho pré-adolescente dos anos sessenta.


"O Regresso do Cavalo Negro" / "The Black Stallion Returns"
mergulha o jovem herói no universo mágico das 1001 noites.

Mas a saga dos “rapazes da rua”, iniciada em “Os Marginais” / “The Outsiders”, iria continuar em “Rumble Fish”. A sombra de Nick Ray encontrava-se bem presente a passear no aquário onde vivem os peixes de Francis, de seu nome “Rumble Fish”. Não sendo por acaso que essa figura tutelar, chamada Dennis Hooper, símbolo rebelde com o seu famoso “Easy Rider”, marco histórico do “rock” da geração de sessenta e protagonista de “Fúria de Viver” de Nick Ray, surge na película ao lado de Matt Dillon, Mickey Rourke e Vicent Spano. Como não podia deixar de ser, Mickey Rourke na época foi comparado por muitos, no seu estilo rebelde de “poucas falas”, ao Marlon Brando de “Wild One” de Lazlo Benedek, embora hoje em dia, o actor recuse o rótulo, na verdade ele até gostou de ser comparado com Brando. Quanto a Vincent Spano, para aqueles que são fans do denominado cinema independente, recomendamos a descoberta da obra “Alfabeth City” de Amos Poe, o cineasta do “cult-movie” “Subway Riders”.


Griffin O'Neil (filho de Ryan O'Neil), no universo
da magia em "O Rei da Evasão" / "The Escape Artist",
um filme mágico e bem maravilhoso, para todas as idades!

A terminar este capítulo e como curiosidade, nunca é demais recordar que o tio Francis vaticinou um futuro pouco promissor no cinema ao sobrinho Nicholas Cage, que preferiu utilizar o apelido de solteira de sua mãe, em vez do célebre apelido Coppola, ao contrário do que fariam anos mais tarde os primos Sofia e Roman, que hoje fazem parte de um verdadeiro clã na História do Cinema.



Mickey Rourke e Matt Dillon em "Rumble Fish"


“Rumble Fish” foi a demonstração da luta de um grande cineasta com a indústria, que embora esmagado por ela não baixou os braços e tendo na memória esses tempos de aprendizagem com Roger Corman, Francis Ford Coppola sentiu que o regresso às grandes produções estava para breve e “Cotton Club”, a sua obra seguinte, seria isso mesmo. 


(continua)

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