segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 1


Luana Anders em "Demencia 13" / "Dementia 13",
a primeira película oficial de Francis Ford Coppola

“Tonight for Sure” costuma ser apontado como o primeiro “movie” de Francis Ford Coppola sendo constituído pela compilação de três “nudie-movies”, com os títulos de “The Pepper”, “The Wide Open Spaces” e “Come On Out” e nos dias de hoje já nem o cineasta se quer recordar deles. Portanto, será melhor escolher o seu filme produzido por Roger Corman como a sua entrada oficial na realização. Recordemos que Roger Corman foi o homem que fez “a ponte” entre o cinema clássico e os "movie-brats", nascidos nos anos setenta, ao mesmo tempo que anteriormente tomara conta do deserto deixado pela extinção da série-B, realizando e produzindo filmes de baixo orçamento a um ritmo infernal, sempre com escassos meios e enorme criatividade, onde o terror é um dos seus géneros preferidos, ou não tivesse ele transposto para o cinema os célebres contos de Edgar Alan Poe.


"A Noite é Perversa" / "You're a Big Boy Now"

Francis Ford Coppola realiza com naturalidade, mas sempre com as habituais condicionantes da produtora New World Productions de Roger Corman e “Demencia 13”/”Dementia 13” (1), já apontava algumas das linhas fortes da futura obra do cineasta. O seu trabalho cinematográfico começaria a ser dividido entre a feitura de argumentos para terceiros, caso de “Paris Já Está a Arder?”, "Reflexos num Olho Dourado", "A Flor à Beira do Pântano", "O Grande Gatsby" e o fenomenal “Patton” e os filmes que dirigia: “A Noite é Perversa”/”You’re a Big Boy Now” e o conturbado “O Vale do Arco-Iris”/”Finian’s Rainbow”, como lhe chamou Fred Astaire nas suas memórias, em que muitos técnicos foram despedidos ao longo da rodagem e se começava a instaurar um clima de perda de controlo, decididamente o musical ainda não tinha nascido para Francis Coppola, surgindo depois esse assombroso e comovente “Chove no Meu Coração”/”Rain People”, com um James Caan inesquecível em busca de um amor que nunca existiu. Com a feitura destas três longas-metragens, começava a nascer a famosa “família” de técnicos e actores em redor de Francis Ford Coppola.


Fred Astaire no primeiro musical de Francis Ford Coppola
"O Vale do Arco Iris" / "Finian's Rainbow"


Foi no início dos anos setenta que este Mestre do Cinema viu chegar a consagração ao assinar a feitura de “O Padrinho”/”The Godfather”, baseado no romance de Mario Puzo. Hollywood reconhecia o seu génio e oferecia-lhe o topo da pirâmide, onde se encontrava o trono. Entre a primeira e segunda parte da obra de Mario Puzo, Coppola realiza “O Vigilante”/”The Conversation”, película sobre a arte da “perseguição” do que vê e escuta, com um fabuloso trabalho técnico de Walter Murch e uma interpretação memorável de Gene Hackman. Ao mesmo tempo, Francis Ford Coppola produz o segundo filme de George Lucas “American Graffiti”, recorde-se que ele já fora o produtor dessa obra-prima de estreia de George Lucas intitulada “THX 1183”, nessa década ainda estavam longe os tempos de “Star Wars”. Em “American Graffiti”, de George Lucas, um dos actores é Ron Howard que se tornaria conhecido como realizador, sempre capaz do melhor e do pior, como todos sabemos. “American Graffiti” em Portugal chamou-se “Nova Geração” e acabou por servir de modelo a centenas de películas, baseadas na explosão juvenil e na febre do “rock and roll”, aliás a inesquecível banda sonora é na verdade uma antologia Histórica.



Shirley Knight e James Caan, no comovente
"Chove no Meu Coração" / "Rain People"

A saga de “O Padrinho” possuía na montagem e no argumento uma das suas grandes virtudes, mas Francis Ford Coppola não resistiu à tentação de remontar os dois filmes de forma cronológica para a sua exibição no pequeno écran, ao mesmo tempo que lhe adicionava mais 55 minutos de metragem deixados na mesa de montagem. E foi assim que, de 12 a 15 de Novembro de 1977, foi exibida em quatro episódios na NBC uma nova versão de “The Godfather”. Mas nessa época já o livro de Joseph Conrad “No Coração das Trevas” permanecia acordado ao longo da madrugada nas mãos de Francis Ford Coppola.



Marlon Brando em "O Padrinho" / "The Godfather".
uma das obras-primas da Sétima Arte!


(1) - Antes de realizar “Dementia 13”, Francis Ford Coppola remontou e dobrou o filme russo “Sadko-C” de Alexander Ptouchko que seria rebaptizado de “The Magic Voyage of Sinbad”, depois seria a vez do cineasta russo Alexander Kosyr ver o seu filme “Nevo Zovet” ter o mesmo destino e receber o título de “Battle Beyond the Sun”. Mais tarde Coppola passaria a assistente de realização de Roger Corman em “Premature Burial”/”Enterrado Vivo” tendo de seguida escrito os diálogos de “The Tower of London”, irá ter também as funções de engenheiro de som em “The Young Racers” e finalmente, após toda esta aprendizagem digamos “tarimbeira”, dirige a segunda equipa de “The Terror”, sendo de referir que as quatro películas acabariam por ser assinadas por Roger Corman, tudo isto no espaço de ano e meio. Assim se trabalhava na famosa escola do Mágico Roger Corman!


Gene Hackman no genial e pouco conhecido  
"O Vigilante" / "The Conversation", 
uma película que é urgente (re)descobrir!


(continua)

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