sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Alan Rickman – (1946-2016)



Caro Alan Rickman
É certo que só te conheço dos filmes, mas a tua presença e a tua voz sempre deram uma cor inconfundível às imagens que devoro feliz, desde os tempos da minha infância. Foi nesse ano de 1988 que nos cruzámos pela primeira vez, no filme do John McTiernan, intitulado “Assalto ao Arranha-Céus” / “Die Hard”, em que o teu Hans Gruber enchia o écran, como o vilão do filme, bem diferente de todos os que tínhamos encontrado até então no grande écran.


"Die Hard" / "Assalto ao Arranha-Céus"

Como não podia deixar de ser fixei o teu nome e passei a reconhecer a tua voz, mesmo quando ainda não tinhas entrado no plano e terminei por descobrir que  a tua primeira casa foi o Teatro e só mais tarde o cinema, mas nunca me esqueço de como me diverti no cinema Quarteto a ver essa deliciosa comédia, realizada pelo Anthony Minghella, intitulada “Um Fantasma do Coração” / “Truly Madly Deeply” (1990), que me fazia recordar “O Fantasma Apaixonado” / “The Ghost and Mrs. Muir” desse génio do cinema chamado Joseph Mankiewicz.


"Robin Hood: Prince of Thieves" / 
"Robin Hood: Príncipe dos Ladrões" 

Ao seguir os teus passos no cinema descobri que a tua vida profissional se desenrolava entre o Velho Continente e o Novo Mundo, entre o Grande Écran e a Caixa que mudou o mundo, mas sempre foste o mesmo actor brilhante que cativa uma plateia, fosse o filme  uma grande produção ou uma película de baixo orçamento. Recordo com um sorriso nos lábios a forma como deste vida ao famoso Xerife de Nottingham no “Robin Hood: Príncipe dos Ladrões” / “Robin Hood: Prince of Thieves” do Kevin Reynolds, para mais tarde vestires de forma perfeita a pele desse político irlandês chamado Earnon de Valera, que continua a dividir os irlandeses, no magnifico “Michael Collins” do Neil Jordan.


"Michael Collins"

Já em “Sensibilidade e Bom Senso” / “Sense and Sensibility” realizado pelo Ang Lee, foste o delicado e sensível apaixonado Coronel Brandon, criado pela pena talentosa de Jane Austen, bem diferente desse Harry que interpretaste no melhor episódio de “O Amor Acontece” / “Love Actually” realizado pelo argumentista Richard Curtis, ao lado dessa enorme actriz chamada Emma Thompson. 


"O Amor Acontece" / "Love Actually"

Acredita, meu caro Alan Rickman, que sempre que escuto a Joni Mitchell me recordo de vocês os dois nesse filme, naquele que é o mais deslumbrante dos segmentos do filme. Tu que a dirigiste no teu primeiro filme como cineasta (e repara neste pormenor, chamo-te cineasta e não realizador, porque tu és um autor), o belíssimo “O Convidado” / “The Winter Guest”, de que guardo gratas memórias, que também teve estreia comercial neste jardim à beira-mar plantado.


"Nos Jardins do Rei" / "A Little Caos"

A última vez que nos encontrámos, tu no écran e eu na plateia, foi precisamente “Nos Jardins do Rei” / “A Little Caos”, um filme sabiamente realizado por ti, com a Kate Winslet e o Stanley Tucci, no qual vamos conhecer a história da criação dos mais que famosos Jardins do Palácio de Versailles e onde aproveitas para vestir a pele de Louis XIV de forma inesquecível. E por falar em inesquecível podes estar certo que o grande público nunca esquecerá o complexo e imprevisível Professor Severus Snape de Harry Potter.


Alan Rickman, o Cineasta!!!

Mas se me perguntares qual dos teus filmes eu levaria para a tal ilha deserta, nesse jogo de preferências entre os cinéfilos, eu escolheria “An Awfully Big Adventure”, realizado pelo Mike Newell em 1995, e que apenas vi na televisão, nunca no grande écran, mas que respira cinema por todos os lados, embora se passe nos meios teatrais londrinos no pós-guerra e onde tu, meu caro Alan Rickman, o Hugh Grant e uma jovem chamada Georgina Cates, me deixaram um nó na garganta. A tua interpretação é das mais comoventes que vi no cinema e este é, de todos os filmes em que destes o teu contributo, o que levaria para a tal ilha deserta.


"Sensibilidade e Bom Senso" 
/ "Sense and Sensibility"

Meu caro Alan Rickman, como podes ter tu partido, se os teus filmes continuam a povoar o imaginário de milhões, sejas o professor Snape para os mais novos, o Coronel Brandon para os românticos ou esse fantasma apaixonado, para aqueles que acreditam, como eu, que há outros mundos esperando por nós. Hoje vou rever o “Sensibilidade e Bom Senso” e tenho a certeza de que irei ter a confirmação de que continuas a oferecer a todos nós a tua maravilhosa Arte.



2 comentários:

  1. Um actor extraordinário, uma voz inesquecível!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Alan Rickman deixa um vazio impossível de preencher, resta-nos os seus filmes para recordarmos o seu enorme talento.

      Eliminar