domingo, 28 de agosto de 2016

A Memória do Cinema Independente


"Stranger Than Paradise" / "Para Além do Paraíso" 
de Jim Jarmusch.

O cinema Quarteto em Lisboa foi uma sala pioneira na oferta de um novo olhar nos “movies” e por ali passaram diversas gerações de cinéfilos, ao longo das tardes e noites, consumindo bom cinema: havia o cinema europeu e as novas vagas, os clássicos e esse "estranho objecto de desejo" chamado cinema independente.
O hoje em dia tão badalado cinema "indie", já possuidor de um Festival Internacional muito bem cotado, o "Sundance", cujo responsável máximo é o actor Robert Redford, bem como uma imprensa que navega nas suas águas, divulgando as suas produções, assim como diversos sites na net. Mas, naquele tempo, as "coisas" eram diferentes e foi com grande espanto que descobrimos cineastas e actores.


"Estilhaços" / Smithereens” 
de Susan Seidelman

"Estilhaços" / Smithereens” de Susan Seidelman era uma surpresa, aquilo a que hoje se chama "um filme simpático" da produção “indie”, diríamos até que a personagem principal seria a irmã gémea de "A Coleccionadora" / “”La collecttionneuse” de Eric Rohmer. Susan Seidelman, de seguida, faria o célebre "Desesperadamente Procurando Susana" / “Desperately Seeking Susan”, rampa de lançamento de Madonna na Sétima Arte, mas que terminou por nos oferecer uma actriz chamada Rossana Arquette.

Depois era aquela película do então desconhecido Jim Jarmusch, "Strange Than Paradise" / “Para Além do Paraíso”, com o John Lurie, toda filmada em planos fixos e a preto e branco. Era na verdade o cinema minimal, na sua fórmula mais bela, numa película cheia de equívocos e onde quase nada acontecia, para além da excelente banda sonora da responsabilidade do próprio John Lurie e executada por um Quarteto de Cordas.(1)


"Working Girls" / "As Profissionais de Sonho"
de Lizzie Borden

Nesta nossa viagem da memória, verdadeira caixa de Pandora, encontramos duas outras películas perturbantes: "Working Girls" / “As Profissionais do Sonho” de Lizzie Borden e "Subway Riders" / “Os Viajantes da Noite” de Amos Poe. A acção da primeira película passava-se, quase na totalidade, no interior da casa onde as "ladys" recebiam os "gentlemen"; depois de as conhecermos, acabamos por seguir o percurso de uma delas e descobrir o tipo de relações estabelecidas. Curiosamente não vamos encontrar um estudo sociológico sobre essas "houses", para álibi de "intelectual", mas sim um olhar sincero e sem preconceitos sobre uma certa sociedade cínica e hipócrita.


"Subways Riders" / "Os Viajanyes da Noite"
de Amos Poe

Por fim chegamos ao mais amado, "Subway Riders" / “Os Viajantes da Noite”, memória perfeita e mágica do “film noir”, onde as citações são um verdadeiro jogo para o cinéfilo, além da espantosa fotografia e da música de Robert Fripp e da sua guitarra Fripptronics, retirada do famoso álbum "Let The Power Fall", sendo os actores principais o próprio realizador e o inevitável John Lurie, que na película será confundido com o saxofonista assassino.

(1) - Existe em cd uma interpretação genial do Balanescu Quartet da banda sonora do filme "Stranger Than Paradise".

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