quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sydney Pollack – O Último Cineasta Clássico – Parte 4 – The End


Harrison Ford e Julia Ormond em "Sabrina"

Após o sucesso de “Sabrina”, um dos mais belos “remakes” da História do Cinema, Sydney Pollack exerceu sempre com perfeição esse seu outro trabalho, que muitas vezes passa despercebido do grande público, que é a função de produtor executivo, ao mesmo tempo que ía alicerçando os pilares para a construção de um novo melodrama bem situado no mundo contemporâneo e cujos escolhidos foram Harrison Ford e Kristin Scott Thomas.


Sydney Pollack, o último cineasta clássico

Desta feita a história é bem diferente, já que aqui se trata de duas pessoas que são traídas pelos respectivos cônjuges, que irão encontrar a morte num acidente de aviação, deixando a nu as suas vidas duplas.
Enquanto Dutch Van Den Droeck (Harrison Ford) tudo faz para descobrir as razões que levaram a mulher a trai-lo, sentindo uma impotência crescente a invadi-lo devido ao facto de ser sargento da polícia, ele que tinha como profissão vigiar os passos dos outros, nunca conseguira perceber como a esposa o enganava.


Robert Mitchum em "Yakuza".

Já a política Kay Charles (Kristin Scott Thomas), em plena campanha eleitoral, tudo faz para que o sucedido não interfira com as suas ambições políticas. Mas o sargento Dutch transforma-se quase num louco, em busca da traição da esposa e do amante da mulher e tudo quer saber, desde as razões para a traição, até conhecer os locais onde se encontravam os dois amantes. Ao contrário dele, Kay fica indiferente a tudo até que se vê arrastada por Dutch para um passado que pretende eliminar da memória. Terminando por descobrir em Dutch o conforto que nunca tinha encontrado no marido. Mas a obsessão do polícia em saber sempre mais acerca da traição da esposa acaba por destruir o romance que nascia entre eles.


George Clooney e Sydney Pollack no filme de Tony Gilroy,
"Michael Clayton" / "Michael Clayton - Uma Questão de Consciência", 
dois  homens filiados na corrente liberal do cinema norte-americano.

“Encontro Acidental”/“Random Hearts” surge assim como o outro lado do melodrama, com premissas diferentes do habitual, mas conduzindo toda a sua estrutura para essa rede de paixões cruzadas, que sempre tem caracterizado o Cinema Clássico e não será por acaso que Sydney Pollack é considerado por muitos, um dos grandes Herdeiros do Cinema Clássico Norte-Americano.


Kristin Scott-Thomas e Harrison Ford em
"Encontro Acidental" / "Random Hearts"

Neste ano de 2005 Sydney Pollack terminou dois filmes perfeitamente distintos, um é uma obra de ficção e o outro um documentário intitulado “Sketches of Frank Gehry” no qual se fala da vida e obra do, possivelmente, mais famoso Arquitecto Norte-Americano depois do mais que célebre Frank Lloyd Wright que todos admiramos. Que o digam Nicolas Ray ou King Vidor. Aquela célebre casa da cascata é uma verdadeira pérola da Arquitectura.
Mas voltemos ao documentário de Sydney Pollack, nele podemos encontrar também diversos depoimentos acerca da obra do Arquitecto, na voz de Dennis Hooper ou Julian Schnabel entre outros.


Sean Penn e Nicole Kidman em
"A Intérprete" / "The Interpreter"

A última obra de ficção de Sydney Pollack chama-se “A Intérprete”/”The Interpreter” e pela segunda vez Nicole Kidman vai-se encontrar com Sydney Pollack.
O escolhido para interpretar o papel do agente foi o laureado Sean Penn...inesquecível em “Mistic River” de Clint Eastwood. Desta feita estamos perante o atentado político em que uma intérprete das Nações Unidas escuta sem querer uma conversa que nunca deveria ter ouvido para seu bem. A partir de então nasce o “thriller” perfeito, sendo Sean Penn o agente dos serviços secretos encarregado de descobrir o que se passou na realidade e impedir o atentado.


Sydney Pollack e o seu Cinema são imortais, 
permanecendo bem vivos no coração de todos os cinéfilos

Sydney Pollack, um dos Herdeiros do Cinema Clássico ou se preferirem o Último Cineasta Clássico é possuidor de uma obra que se filia perfeitamente na designação “Cinema de Autor” e se alguém tiver dúvidas, faça a viagem que aqui lhe recomendamos pela obra do cineasta, que permanece bem actual neste novo milénio e que infelizmente teima em esquecer o passado. Já agora descubra também o actor que sempre viveu no interior desse genial homem chamado Sydney Pollack, que permanece bem vivo no meio de muitos de nós.

THE END

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