segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sydney Pollack – O Último Cineasta Clássico – Parte 1

Robert Redford e Natalie Wood em
"A Flor à Beira do Pântano" / "This Property is Condemned"

Sydney Pollack faleceu a 26 de Maio de 2008, na sua residência, devido a doença que lhe foi diagnosticada no ano anterior. A sua obra como cineasta irá permanecer eterna entre nós, assim como as suas aparições como actor, sendo sempre de destacar a sua participação em “Eyes Wide Shut” de Stanley Kubrick e “Maridos e Mulheres” de Woody Allen. A última vez que o encontrámos como actor no grande écran, como devem estar recordados, foi em “Michael Clayton”.
Sydney Pollack foi, sem dúvida alguma, o último cineasta clássico. A sua derradeira obra de ficção estreada entre nós foi “A Intérprete”, terminando a sua carreira com esse poderoso retrato do arquitecto Frank Gehry, intitulado “Esboços de Frank Gehry” já editado em dvd no nosso país.
Aqui deixamos uma viagem pela sua obra cinematográfica.

"Sydney Pollack" - O Último Cineasta Clássico

Sydney Pollack, um dos herdeiros do Cinema Clássico, é um dos grandes nomes da Sétima Arte, distribuindo a sua obra pelos mais diferentes géneros. Como muitos outros colegas de profissão, também ele sentiu desde muito novo o apelo do cinema tendo, no entanto, passado primeiro pelo teatro e a televisão.

Anne Bancroft em 
"Chamada Para a Vida" / "The Slender Thread"

Antes de iniciar a sua carreira, estudou na Neighouhood Playhouse de Nova Iorque, sendo aluno de Sandfor Meisner, estreando-se depois no palco ao lado de Zero Mostel (um dos grandes actores do clã Mel Brooks), na peça “A Tone for Danny Fisher” para, mais tarde, trocar a representação pela encenação. A TV viria logo de seguida, quando os seus trabalhos como encenador começaram a chamar a atenção dos “médias”. Recrutado para o pequeno écran, voa rapidamente para o grande écran, sendo o seu primeiro trabalho a dobragem para inglês de “O Leopardo” de Luchino Visconti.

Burt Lancaster em 
"Os Caçadores de Escalpes" / "The Scalphunters"

No ano de 1965 surge finalmente a sua primeira longa-metragem “Chamada Para a Vida”/”The Slender Thread” com Sydney Poitier (um actor então muito em voga) e Anne Bancroft (a célebre esposa de Mel Brooks), poderemos dizer que a época não era a melhor, o cinema americano estava em crise, mas Pollack seguiu em frente e 12 meses depois novo filme nascia, intitulado “A Flor à Beira do Pântano”/”This Property is Condemned”, demonstrando já as suas capacidades como director de actores.

"O Castelo de Maldorais" / "Castle Keep"

Ainda durante a década de sessenta realizaria “Os Caçadores de Escalpes”/”The Scalphunters” e “O Castelo de Maldorais”/”Castle Keep”, desenvolvendo um trabalho onde o romantismo e o social se interligavam.
Sydney Pollack iria transformar o livro de Horace McCoy “Os Cavalos Também se Abatem”/”They Shoot Horses, Don’t They?”, num dos filmes mais surpreendentes da década, sabendo perfeitamente utilizar os meios de que dispunha para oferecer uma película de um rigor e força dramática maravilhosa. Aliás, Jane Fonda será sempre recordada pela sua interpretação nesta película.

Jane Fonda em "Os Cavalos Também se Abatem" / 
"They Shoot Horses Don't They"

“As Brancas Montanhas da Morte”/”Jeremiah Johnson”, a sua obra seguinte, contando com Robert Redford no principal papel, é já portadora dos longos espaços e da solidão/liberdade do Homem, num “western” de certa forma diferente de tudo o que tinha sido feito no cinema americano, encontrando-se aqui bastantes pontos de contacto com o futuro laureado “África Minha”.
O sucesso e o reconhecimento eram generalizados e Pollack realiza depois “O Nosso Amor de Ontem”/”The Way We Were”, de novo com Redford (foram colegas na escola de actores) e uma Barbara Streisand na sua melhor interpretação de sempre.

Robert Redford e Barbara Streisand em
"O Nosso Amor de Ontem" / "The Way We Were"

Seguiu-se “Yakuza”, onde os códigos de honra e de sangue marcavam presença, partindo de seguida para a realização de um dos melhores policiais de sempre com a feitura de “Os Três Dias do Condor”/”Three Days of the Condor”, oferecendo-nos uma narrativa de uma lucidez a toda a prova, transformando a película numa das obras mais comentadas do ano de 1975, ao mesmo tempo que se transformava numa das pedras basilares da sua filmografia. Muitos anos depois “Os Três Dias do Condor”, cujo protagonista é essa poderosa e temível instituição americana conhecida de todos como C.I.A., continua a não deixar ninguém indiferente.

Robert Redford e Faye Dunaway em 
"Os Três Dias do Condor" / "Three Days of the Condor"

Com um prestígio mais que reconhecido no meio cinematográfico e dispondo de todos os meios necessários à feitura das suas obras, Sydney Pollack realiza “Um Momento, Uma Vida”/”Bobby Deerfield” (1977), “O Cow-Boy Eléctrico”/”The Electric Horseman” (1979) e “A Calúnia”/”Absence of Malice” (1981), este último contando com um Paul Newman na sua melhor forma, perante a ingenuidade de uma Sally Field que desejava ser estrela.

(continua)

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Na realidade ele é o último cineasta clássico e os seus filmes demonstram bem o seu enorme talento, Sydney Pollack e o seu cinema são imortais.

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