sábado, 2 de julho de 2016

A Memória dos Livros - 3


Jack Kerouac

Com a passagem do tempo as memórias vão-se avolumando, não nessa tentativa impossível de viver no passado, mas sim de relembrar esses bons momentos que nos marcam a passagem pela Galáxia e, muitas vezes, são os próprios livros que se encontram repletos de memórias.

Não sei como é com vocês mas comigo, quando olho para a capa de um livro, recordo-me do local onde o comprei e da época em que ele me chegou às mãos, quando o li pela primeira vez e muitas vezes até me apetece viver no seu anterior ou melhor conviver com as personagens criadas pelo escritor e como sabemos alguns autores, nas suas obras literárias, surgem como protagonistas do romance ou até criam personagens a partir de pessoas que se cruzaram com eles ao longo da vida, na maioria dos casos mudando-lhes o nome.


O célebre rolo de telex
onde foi escrito "On The Road"

Marcel Proust fez isso com os seu “Em Busca do Tempo Perdido” e Jack Kerouac no seu “Pela Estrada Fora” também o fez, recorde-se que Kerouac era um leitor e admirador de Marcel Proust. Mas se me perguntassem se gostaria de viver no interior de um livro como personagem, convivendo com as outras personagens do romance, o livro eleito e a época seria certamente o “On The Road” / “Pela Estrada Fora” do Jack Kerouac!


O Café Vesuvio de um lado e a Livraria City Lights
 do outro lado, no meio a Jack Kerouac Street

Porquê? 

Simplesmente porque um dia, no século passado, tive a felicidade de lhe seguir o rasto pela estrada fora, cruzando a célebre estrada 66 (entre outras), convivendo com os seus herdeiros, que ao longo da costa californiana (Monterey) ali permanecem nas suas roulottes, muitos deles ainda escrevendo poesia, e depois a chegada a S. Francisco e o repouso de uma bebida no Vesúvio, de um lado da rua Jack Kerouac, o célebre café dos beatnicks, do outro a mágica livraria "City Lights", fundada pelo Lawrence Ferlinghetti, e na parede da esquina um mural com o Baudelaire e outros habitantes de um certo universo literário. que gostaria também de habitar. Como é belo termos as nossas memórias repletas de livros.

2 comentários:

  1. A beleza dos livros, sempre na nossa memória!

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    1. Tenho que confessar que tenho a memória repleta de livros, quando olho para um livro da minha biblioteca, sei dizer onde o comprei e o que se passava nesse dia. Os livros estão repletos de boas memórias.

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