quinta-feira, 7 de julho de 2016

Madonna e o Cinema - Parte 4 - The End


Em 1992 Madonna surge em dois filmes: “Shadows and Fog”/”Nuvens e Nevoeiro” realizada por Woody Allen, uma homenagem ao expressionismo alemã do cineasta de Manhattan, onde a sombra do universo kafkiano paira ao longo de toda a película de forma sublime, apesar do insucesso comercial e no chamado filme de mulheres e de baseball, neste caso concreto,  intitulado “A League of Their Own” / “Liga de Mulheres”, dirigido por Penny Marshall.  


"Shadows and Fog" de Woody Allen

No ano seguinte é cabeça de cartaz no thriller “Body of Evidence” / “Corpo de Delito” de Uli Edel, onde a sua nudez acaba por não cativar as audiências, apesar de ter ao seu lado esse genial actor chamado Wilhem Dafoe e mesmo a passagem por “Dangerous Game” / “Linha de Separação” desse cineasta de culto, chamado Abel Ferrara, não conseguem enviar Madonna para o firmamento cinematográfico das estrelas de cinema. Já na divertida película “improvisada” “Blue in the Face” / “Fumo Azul” de Paul Auster e Wayne Wang, uma espécie de continuação de “Smoke”, em que são os próprios actores a construírem os diálogos e em que as deixas ultrapassam as palavras escritas no “argumento”, Madonna surge como a “Singing Telegram”, numa aparição cheia de magia e humor.


“A League of Their Own” de Penny Marshall

Como todos estão recordados, na película “Na Cama com Madonna” há o encontro com o actor espanhol António Banderas, onde ela confessa o seu desejo de contracenar com ele num filme. Seria o cineasta britânico Alan Parker, com “Evita”, a proporcionar a Madonna a concretização desse mesmo desejo. O filme é muito mais do que um romance histórico, como todos sabemos e a banda sonora contou com uma Madonna ao seu melhor nível, já a sua interpretação ao lado de António Banderas e Jonathan Price é soberba, não deixando indiferente o mais comum dos mortais, tal é a forma como ela entra na personagem de Eva Peron, a célebre Evita, imortalizada no Teatro pela dupla Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, que veriam o seu trabalho no cinema reconhecido com o Oscar, mas Madonna foi esquecida pela Academia de Hollywood, ao contrário do que muitos pensaram ao verem o filme de Alan Parker, deixando inevitavelmente a actriz destroçada pelas opções da Academia de Hollywood.


"Blue in the Face" de Paul Auster e Wayne Wang

No início do novo milénio Madonna surge como principal intérprete na comédia de John Schlesinger, “The Next Best Thing” / “Ligações Imprevistas” , ao lado de um Rupert Everett brilhante e hilariante, cuja relação entre um gay e uma mulher bela e emancipada, origina o nascimento de uma criança, fruto de uma noite em que o álcool terminou por trocar as voltas e as cabeças a duas pessoas cuja amizade não se estendia ao campo sexual. Ambos decidiram criar a criança, mas a passagem do tempo e os encontros que a vida proporciona, levariam a que cada um seguisse o seu caminho sem ressentimentos.


"Body of Evidence" de Uli Edel

Este ano marca também o seu encontro com o cineasta britânico Guy Ritchie, com quem se casou para espanto de muitos. Como por vezes o amor e o desejo conjugados com objectivos idênticos produzem maus resultados, a película “Swept Away” / “Ao Sabor das Ondas”  realizada por Guy Ritchie e tendo Madonna como protagonista foi um fracasso comercial de tal ordem que terminou por ser lançada directamente em dvd.


"Dangerous Game" de Abel Ferrara

Para Gwyneth Paltrow, que foi sua madrinha de casamento e amiga durante longa data, a sua amizade com Madonna terminou porque ela continua a ser demasiado excêntrica para o seu gosto, recorde-se o beijo na boca a Britney Spears ou a cena de que Courtney Love foi intérprete. Continuando a dar cartas na “pop-music” e a ser um verdadeiro “Icon” no mundo do espectáculo, Madonna Louise Verónica Ciccone,  teve um grave acidente quando caiu do cavalo, mas esta estrela que até foi pensada para a interprete feminina de “Casino” de Martin Scorsese, (a intérprete escolhida seria Sharon Stone), prossegue a sua carreira musical nunca deixando de nos surpreender, mas continuando a pensar no cinema como a sua grande paixão, tendo já feito a sua estreia como realizadora em “Filth and Wisdom”, em parte fruto dos anos passados na companhia Guy Ritchie de quem entretanto se divorciou, mas também do seu desejo de experimentar o mundo do cinema do outro lado da câmara.


"The Next Best Thing" de John Schlesinger

Já o saldo negativo que representou  a película seguinte que dirigiu, intitulada“W.E.”, cujo argumentou assinou em conjunto com Alek Keshishian, o realizador de “Na Cama com Madonna” / “Madonna: Truth or Dare”, levou a que a famosa actriz tenha decidido fazer uma pausa na área da realização, mas o cinema permanece no seu horizonte, como uma verdadeira atracção fatal.


"Swept Away" de Guy Ritchie

Na realidade, a sua confessada admiração por essa eterna estrela da constelação de Hollywood chamada Katherine Hepburn, é um bom prenúncio, para quem ama tão intensamente o universo cinematográfico

THE END

6 comentários:

  1. Consegue diferente registos, mas nunca a total passagem para a 7ª Arte!

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    1. "Dick Tracy" e "Evita" são os meus filmes favoritos da Rainha da Pop.

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  2. Creio que nunca vi nenhum filme dela...

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    1. Recomendo-lhe o "Evita" do Alan Parker, possivelmente o seu melhor registo cinematográfico, dando vida, corpo e alma a Eva Péron. Aliás o próprio filme que conta no elenco com Antonio Banderas e Jonatham Pryce merece uma visita e baseia-se no musical de Tim Rice e Andrew LLoyd Webber.
      Obrigado pelo comentário.

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    2. Esse é um dos que gostaria de ter visto. Durante muitos anos não tivemos cinema aqui em Castelo Branco e mesmo quando havia cinema, era uma única sala, poucos filmes passaram por cá, tendo em conta o vasto leque de oferta que havia. Hoje temos mais cinema, felizmente e vou todas as semanas. Faltou-me ver muita, muita coisa, que gostaria de ter visto. Alguns, já os vi em vídeo, outros, nem isso.

      Obrigada pela sugestão. Vou ver se o arranjo na Biblioteca Municipal.

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    3. Obrigado pelo seu comentário, na realidade uma sala de cinema é o melhor local para se ver um filme, mas quando o temos disponível na televisão ou em DVD ou video, devemos sempre aproveitar para o visionarmos, Aproveito para referir que o filme "Evita" de Alan Parker com a Madonna foi editado em DVD em Portugal e está no formato correcto, tendo alguns extras, espero que o encontre.
      Bom fim-de-semana.

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