quarta-feira, 6 de julho de 2016

Madonna e o Cinema - Parte 3


A separação de Madonna e Sean Penn trouxe uma vida diferente à menina Ciconne, os seus vídeos “The Virgin Tour” e “A Certain Sacrifice” foram bem recebidos e o encontro com o então conquistador e eterno solteirão Warren Beatty acabaria por dar os seus frutos.

“Dick Tracy”, projecto antigo do “wonder-boy”, teve luz verde dos Estúdios Disney e a sua subsidiária Touchstone deu início à produção. Madonna iria lá estar e a sua presença seria o triunfo da película, não só na interpretação, mas também nas canções de uma fabulosa banda sonora, acabando por receber um Óscar bem merecido pela sua interpretação da conhecida canção “Sooner or Later” de Stephen Sondheim.


"Dick Tracy" de Warren Beatty

A película foi um êxito e a sua qualidade inquestionável, de tal forma é perfeita a transposição das figuras da banda desenhada criada por Chester Gould no grande écran. O público acorreu em peso à película, mais por ela do que por outro elemento cinematográfico e quando, numa daquelas entrevistas feitas à saída das salas, o jornalista perguntou a um jovem quem era o Warren Beatty (realizador e actor principal da película), a resposta recebida foi que ele era o “velhote” que namorava com a Madonna.

Assim foi, até ao filme de Alek Keshishian “Na Cama com Madonna” / “Madonna: Truth or Dare”, tendo até Warren Beatty participado na rodagem do documentário, mas a bela Annette Bening já andava por perto e o sempre sedutor Beatty não se fez rogado e partiu para o seu novo amor, transformado hoje em dia num dos matrimónios mais sólidos de Hollywood, como todos sabemos.


"Madonna: True or Dare" de Alek Keshishian

“Na Cama com Madonna” / “Madonna: True or Dare” pretende ser o elemento primordial para a criação do mito, embora fosse demasiado cedo. Os mitos, como referiu Edgar Morin, necessitam de estar mortos e eternamente jovens, como sucedeu com James Dean, Marilyn Monroe e Monty Cliff.

“Verdade ou Consequência”, título utilizado no mercado americano pela película, acaba por se apresentar bastante limitado, ao pretender mostrar a vida pública e privada de uma estrela. As imagens não são contagiantes e o fio condutor sofre oscilações entre a vida real de Madonna e a ficção criada no imaginário colectivo. Já a realização das suas actuações em diversos concertos são verdadeiramente electrizantes.


"Erotica"

Nunca é demais recordar que o seu “polémico” livro de fotos “Sex” foi um “best-seller”. Assim como o seu video-clip “Erótica”, que mais uma vez foi “censurado” na “MTV”, só passando nas televisões depois de soar a meia-noite.

Na célebre canção “Vogue”, que encerra essa obra-prima que é a banda sonora do filme “Dick Tracy” e onde o Glamour é o tema, são referidas ao longo da letra da canção as seguintes personagens: Greta Garbo, Marilyn Monroe, Joe Di Maggio, Marlene Dietrich, James Dean, Marlon Brando, Grace Kelly, Jean Harlow, Gene Kelly, Fred Astaire, Ginger Rodgers, Laureen Bacall, Rita Hayworth, Katherine Hepburn, Alan Turner e Bette Davis, na verdade uma constelação de estrelas imortais, às quais somos obrigados a juntar o nome de Madonna.


"Evita" de Alan Parker

Entretanto, no cinema, a estrela da “Pop” irá recusar os principais papéis em “Show Girls” de Paul Verhoeven, (demonstrando um enorme saber), no célebre e memorável  “Os Fabulosos Irmãos Baker” / “The Fabulous Baker Boys”  realizado por Steve Kloves, o futuro argumentista de Harry Potter (que erro crasso, esta recusa da estrela da pop), onde Michelle Pfeifer brilhou a cantar e “Batman Returns” onde lhe foi oferecido o papel de “Catwoman” (percebeu que não iria conseguir vestir a pele da personagem), embora tenha aceitado fazer a sua estreia teatral em “Speed-the-Plow” ao lado de Joe Mantegna e Ron Silver com encenação de David Mamet, onde demonstrou todo o seu enorme talento.

(continua)

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