terça-feira, 5 de julho de 2016

Madonna e o Cinema - Parte 2


Na realidade, aquilo de que mais gosta Madonna é ler, segundo disse numa entrevista dada a Harry Dean Stanton, na famosa “Interview” de Andy Warhol. Confessou até ser amante dos clássicos e da literatura francesa, fruto do período passado em Paris. Embora os nomes de Jack Kerouac e Charles Bukovski na área da denominada literatura “beatnick” sejam os seus preferidos.

Curiosamente, os seus gostos musicais andam longe do que se poderia pensar, pois admira Sarah Vaugham, Ella Fitzgerald e o inevitável Tom Waits. Quando ainda sonhava com o universo das estrelas e astros da Pop, a sua “professora” era Joni Mitchell, escutando o álbum “Court and Sparks” centenas de vezes. Rickie Lee Jones é outro dos nomes que gosta de escutar ou seja duas “songwriters” fundamentais da música popular norte-americana.


"Shanghai Surprise" de Jim Goddard

No que diz respeito ao cinema considera Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Mike Nichols e Roman Polanski os seus cineastas preferidos, tendo um grande desgosto por nunca poder vir a trabalhar com o realizador alemão Rainer Werner Fassbinder, já falecido, que como sabemos foi o maior cineasta alemão do pós-guerra.

Durante a atribulada rodagem da terceira parte de “O Padrinho” de Francis Ford Coppola, ela tudo tentou para participar na película, mas o realizador acabou por optar pela própria filha, o que se revelou uma aposta simplesmente desastrosa. Recorde-se que a intérprete indicada para o papel, Winona Ryder, teve um esgotamento que a obrigou a abandonar as filmagens e Sofia Coppola, que acabaria por nos mostrar o seu valor como realizadora, já como actriz deixou os seus dotes bem expressos em “O Padrinho III” ou seja o pior erro de casting de toda a carreira de Francis Coppola e ao recordarmos a genial película fica sempre no ar a eterna interrogação, como seria Madonna a interpretar a jovem Mary Corleone em “O Padrinho III”?


"Who's That Girl" de James Foley

A introdução da estética dos “vídeo-clips” e a criação da “MTV”, a par da necessidade da “pop-music” de obter uma imagem visual identificadora dos seus heróis, levou Madonna ao cinema. Mas se ela foi, durante largos anos, a menina bonita da “MTV”, sendo a presença dos seus “vídeo-clips” uma constante nos diversos canais televisivos que entretanto foram surgindo em todo o mundo, acabaria também por ver “Justify My Love” censurado pela MTV.

A viagem de Madonna pelo interior da Sétima Arte será, inevitavelmente, acompanhada pelo fantasma de Marilyn Monroe e em “Dick Tracy”, esse fabuloso filme de Warren Beatty, ele é uma constante.



"Desperately Seeking Susan" de Susan Seidelmann

O seu primeiro filme, “Desesperadamente Procurando Susana” / “Desperately Seeking Susan”, reflectiu a imagem inicial de Madonna, aliás brilhantemente elaborada no primeiro “Live Aid”, a realização foi de Susan Seidelmann, cineasta oriunda do cinema independente, responsável por um brilhante “Estilhaços” / “Smithereens”, premiado em Cannes.

“Desesperadamente Procurando Susana” foi um enorme sucesso para todos, incluindo Rosanna Arquette. Foi esta a primeira época de ouro de Madonna, o romance com Sean Penn sobrevivia aos escândalos de que este era intérprete com a imprensa, terminando sempre com processos em tribunal. Mas o pior acabou por acontecer. A prisão de Sean Penn, por posse de droga, alterou radicalmente a vida de Madonna. Antes o jovem casal participara num segundo filme, uma daquelas encomendas dos Estúdios para ambos brilharem e rentabilizarem a sua imagem. As aventuras em “Xangai” / "Shanghai Surprise" de Jim Goddard foram um desastre total e o melhor será nem falar dele.


"Justify My Love"

Mais tarde foi a vez de “Who’s That Girl” de James Foley, que também pouco animou as plateias. Na realidade, embora Madonna afirmasse ser a reencarnação de Marilyn, os seus dotes artísticos estavam a anos-luz de Miss Monroe, mas também Marilyn só ao fim de muitas películas é que encontrou o êxito com “Niagara”, quantos se lembram dela nesse filme assombroso intitulado “Clash By Night”, de Fritz Lang?

(continua)

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