segunda-feira, 4 de julho de 2016

Madonna e o Cinema - Parte 1


Tudo começou no Tennesse, num domingo de manhã. Ela tinha-se levantado da cama e começara um dos seus rituais, ele olhava-a deslumbrado e quando ela encontrou a chama dele na pupila, leu-lhe o pensamento e respondeu-lhe imediatamente que sim. Ele não abrira a boca, mas o seu coração batia violentamente. Pouco tempo depois casaram-se. Mais tarde veio a separação. Ela, durante muitas noites de luar, sonhou com ele e durante muito tempo confessou a sua paixão. Mas os confrontos dele com os jornalistas deixaram marcas profundas para sempre, os anos passaram e cada um seguiu as suas vidas, ele encontrou a Robin e a Theron e mostrou a todos o seu talento de actor e cineasta, ela encontrou o Guy e nunca deixou por mãos alheias o seu fascínio no mundo da música, os anos passam e ela continua a dar cartas no universo musical, enquanto no cinema já ofereceu o seu talento ao mundo, ela deixou para trás Guy e ele lá se vai reconciliando de tempos a tempos com as mulheres, tendo já dois Oscars no curriculum, ele chama-se Sean Penn e ela Madonna.


Madonna Louise Verónica Ciccone nasceu no Michigan e desde muito cedo sentiu o apelo da música. Foram aliás os tios, membros de um grupo rock com sede em Bay City, que lhe ofereceram o conhecimento da comunicação da música com a vida, sendo lá que pela primeira vez umas “jeans” sentiram as suas pernas e os seus lábios tocaram o primeiro cigarro. Os tempos de solidão vividos na infância estavam decididamente perdidos e nunca mais iria procurar refúgio no quarto do pai, após a morte da mãe.
Antes da música viria, no entanto, a dança e a auto-disciplina que o seu estudo exigia, transmitindo-lhe o amor-próprio e a confiança necessárias para a realização dos seus sonhos. No ballet dá-se o encontro inevitável com a música erudita, nascendo o amor (pouco conhecido) pelo Barroco, muito em especial Bach e Haendel.


A atracção de Nova Iorque acabou por levá-la para a grande metrópole, como não podia deixar de ser, e aí começou a sua carreira de modelo. Os amigos já eram muitos e as solicitações inúmeras, nascendo então as famigeradas fotos de Madonna, publicadas anos mais tarde na “Playboy” e “Penthouse”. Curiosamente essas célebres fotos foram pagas pela própria Madonna, a fim de corresponder aos pedidos que lhe chegavam diariamente. A nudez, segundo ela afirmava na época, era simplesmente uma forma de arte e nunca encontrou pornografia na obra de Michelangelo, era tudo uma questão de olhar.


A carreira de modelo tinha sido uma vitória e o apelo da música, memória da época passada com os tios, não se fez esperar. Nasceu “Holliday”, o seu primeiro “hit”, que apesar de algum sucesso só foi divulgado nas chamadas “Black Stations”.
Já se vivia a época da terceira revolução visual: o “video-clip”. Porém, só com “Boderline” e o “clip” correspondente, Madonna viu chegar o reconhecimento e o sucesso. Do anonimato à fama, no universo da “pop-music”, foi um passo. A América tinha descoberto um novo “sex-symbol”, destinado a ocupar o lugar deixado vago, durante tanto tempo, por Marilyn Monroe.


Mas a América e os “mass-media” optaram por oferecer uma imagem “oca” de Madonna, não se preocupando ela com a situação, como ficou bem patente na película de Alek Keshishian “Na Cama com Madonna”, demonstrando saber usar o escândalo a seu favor e gerindo sabiamente a imagem para consumo.

(continua)

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