quarta-feira, 20 de julho de 2016

Lawrence Kasdan – O Cineasta Acidental – Parte 3


"French Kiss" / "O Beijo" uma deliciosa comédia com
Kevin Kline e Meg Ryan, que adoramos!!!

O sucesso obtido por Kevin Costner com “Dança com Lobos”/”Dance With Wolves” e o bom acolhimento dado a “Silverado” tanto pelo público como pela crítica especializada, levaram Kevin Costner e Lawrence  Kasdan a juntar forças e retomar a estrada do “western”, regressando ao mito de Wyatt Earp e do célebre duelo de “OK Curral”, em tempos idos e memoráveis tão bem retratado por John Ford.


Lawrence Kasdan um dos mais geniais argumentista de Hollywood
é o autor de "Star Wars" e"Indiana Jones", entre outros sucessos da 7ªArte

Se me permitem um parêntesis, sou obrigado a recordar uma conversa sobre cinema, tida em Monument Valley, com uns índios que conheci, na qual eles teceram os maiores elogios a Kevin Costner e à sua série “500 Nations” sobre as diversas tribos índias.
Na verdade nós pretendíamos falar de cinema e eles pretendiam vender-nos um machado. Terminámos todos por conseguir atingir os objectivos pretendidos. Nós falámos com eles de cinema e eles lá venderam o machado por um preço exorbitante, mas a conversa foi tão saborosa, que ainda hoje temos de confessar que valeu mesmo a pena.

"Wyatt Earp" respira o classicismo do "Western",
da época de ouro de Hollywood.

Regressando a “Wyatt Earp”, poderemos dizer que Lawrence Kasdan conseguiu alcançar os seus objectivos, com a feitura da película, embora a marca de Kevin Costner seja bem visível. Mas nunca será demais lembrar a interpretação de Dennis Quaid, na figura do alcoólico Doc Holliday, um trabalho de transfiguração e interpretação espantosos que deixou o mais comum dos mortais perfeitamente estupefacto.


Kevin Costner personifica o célebre xerife 
do Oeste Americano, em "Wyatt Earp"

Comparando esta película com “Silverado”, somos obrigados a reconhecer a frescura da primeira, perante um certo classicismo do segundo “western” de Lawrence Kasdan. Curiosamente Kevin Costner, ao realizar o seu segundo “western”, o magnífico “Open Range”, esconde-se atrás da personagem que interpreta, citando directamente os famosos “westerns” de Anthony Mann, que surgem homenageados neste filme através da paisagem, embora esse anti-herói criado por Anthony Mann e interpretado por James Stewart, em “Open Range” Kevin Costner opta por um olhar interiorizado do mundo que o rodeia.


Wyatt Earp e os seus irmãos, com Doc Holliday,
a caminho do mais célebre duelo do Oeste em O.K.Curral.

Após a feitura de “Wyatt Earp”, Lawrence Kasdan não meteu férias e com a ajuda da, então, “namorada da América” Mrs. Meg Ryan, decidiu regressar à comédia, ou não fosse ela um dos maiores nomes da comédia americana, que um dia decidiu fazer o melodrama “When a Man Loves a Woman” para provar as suas capacidades dramáticas, sendo o resultado excelente.


O encontro menos "charmoso" do Cinema, em "French Kiss",
quando Kate (Meg Ryan) conhece Luc Teyssier (Kevin Kline)
a bordo do avião, rumo a Paris, para recuperar o amor perdido.

Como tem sucedido nos últimos anos no interior da produção norte-americana, em “French Kiss” o protagonista também é produtor, situação em que já encontrámos actores como Tom Cruise ou Tom Hawks, tendo desta feita Meg Ryan optado por também ela trilhar esse caminho. Como não podia deixar de ser, Lawrence Kasdan convida de novo Kevin Kline para interpretar essa figura “charmosa” e vigarista de Luc Teyssier, um ladrão de jóias francês, muito pouco sofisticado, bastante mal vestido e sempre com a barba por fazer.


Jean Reno, magnifico,  na pele do Inspector Jean-Paul Cardon,
que conhece bem o ladrão de jóias Luc Teyssier (Kevin Kline)

A grande paixão de Kate (Meg Ryan) é o distinto Charlie (Timothy Hutton), que um dia parte para Paris e nunca mais regressa, adiando “sine die” o tão desejado reencontro e assim Kate decide partir para Paris, mas a sua fobia de viajar de avião é um problema difícil de ultrapassar, até que este é resolvido pelo hilariante “gentleman” Monsieur Luc Teyssier, um magnifico Kevin Kline, que nos faz esquecer o Joe Boca de “Amar-te-ei Até te Matar”.


Meg Ryan e Kevin Kline formam um par inesquecível,
em "French Kiss", uma deliciosa comédia de Lawrence Kasdan.

O nosso amigo Luc vai usar Kate para fazer passar na alfândega as jóias roubadas, perante o olhar felino do inspector Jean-Paul (Jean-Reno), que não lhe irá dar tréguas ao longo do filme, sendo a preciosa mercadoria perdida para as mãos de um outro larápio de “segunda divisão”, que apenas pretendia roubar a mala. Será então que um pacto é estabelecido entre este par tão improvável, que irão juntar esforços para encontrarem as jóias, ao mesmo tempo que tentam descobrir o paradeiro do distinto Mr. Charlie, que se encontra perdidamente apaixonada pela bela Julieta para mal dos pecados de Kate. Mas quem se acaba por se apaixonar mesmo, ao longo deste delirante comédia, será o par mais politicamente incorrecto que o cinema nos ofereceu, sempre vigiado pelo olhar atento do amigo inspector.



(continua)

4 comentários:

  1. "The French Kiss", uma comédia inesquecível!

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    1. Concordo em absoluto "The French Kiss" é inesquecível mas muito devido à interpretação fabulosa de Kevin Kline, que nos deixa à beira de um ataque de lágrimas, para além do argumento muito bem escrito, revelando o saber do cineasta acidental.

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  2. Também gostei de "French Kiss" e costumava gostar dos filmes com a inesquecível Meg Ryan, que eram normalmente comédias românticas. Há muito que não vejo um filme com ela. Transformou-se (segundo as últimas fotos que vi, já nem sei onde) numa daquelas mulheres de "plástico" que não soube encarar o envelhecimento como algo natural.

    Boa tarde:)

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    1. Durante vários anos admirei o trabalho de comediante de Meg Ryan, mas nas últimas películas que vi era notório a falsa facilidade em trabalhar as personagens que interpretava, transportando tiques e gestos de filme para filme.
      Já no que diz respeito a essa doença chamada botox que atacou as estrelas de cinema (ambos os sexos), prefiro o envelhecimento de Cary Grant ou Ava Gardner, ao rejuvenescimento de Mickey Rourke ou Renée Zellweger, possivelmente os dois casos mais famosos de insucesso, em busca da juventude perdida.
      Obrigado pelo comentário e continuação de uma boa tarde :)

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