segunda-feira, 18 de julho de 2016

Lawrence Kasdan – O Cineasta Acidental – Parte 1


Lawrence Kasdan

Steven Spielberg costuma dizer que Lawrence Kasdan foi uma descoberta sua, sendo um dos trunfos do universo dos “movie-brats”, a cooperação existente entre os seus membros, ao contrário do que sucedia nos anos áureos do sistema dos Estúdios, em que a competição era feroz. Recorde-se que um dos grandes negócios de David O’Selznick era alugar os actores/actrizes que tinha em seu poder ou se preferirem sobre contrato, aos diversos Estúdios, que iam solicitando os seus serviços.


Kathleen Turner e William Hurt em 
"Body Heat" / Noites Escaldantes"

Lawrence Kasdan surgiu no cinema (“família” Spielberg/Lucas) como argumentista, vendo de imediato o seu trabalho reconhecido por todos. Tal como sucedeu com dois outros argumentistas desta geração, hoje cineastas e nomes incontornáveis do cinema americano: Robert Zemeckis, argumentista de 1941-Ano Louco em Hollywood”, que se estreou com “I Wanna Hold Your Hand” e Paul Schrader, argumentista de “Taxi Driver”, que se estreou atrás da câmara com “Blue Collar”.
“Body Heat”/”Noites Escaldantes” foi o primeiro filme dirigido por Lawrence Kasdan e nele foi possível rever o cinema clássico, mais concretamente o famigerado “film noir”, com a inevitável passagem do elemento feminino pelo seu interior, condutor perfeito da traição e morte, num jogo profundamente sensual, mas demasiado belo para ser inocente.


Ninguém conseguiu ficar indiferente 
à sensualidade de Kathleen Turner

William Hurt e Kathleen Turner são a dupla de um “thriller” onde o amor e o crime são cúmplices de uma estratégia e onde o argumento é a chave preponderante do filme, pontuado maravilhosamente pela música de John Barry. E se William Hurt confirma aqui todo o seu talento, já Kathleen Turner é a grande revelação, tornando-se na última mulher-fatal do “film noir”, o seu corpo respira uma sensualidade verdadeiramente perturbante. E ao calor dos corpos de “Body Heat”, irá suceder o frio de “The Big Chill”/”Os Amigos de Alex”, que nos oferece um maravilhoso balanço de uma geração, tendo como ponto de partida a morte de um amigo comum: Alex, de seu nome.


"Os Amigos de Alex" / "The Big Chill",
o mais belo hino à amizade oferecido pelo Cinema

“Os Amigos de Alex” / "The Big Chill" são a imagem perfeita dos anos sessenta, com todos os elementos dispersos pelas personagens do filme, desde a memória do Vietname até ao “rock and roll” (banda sonora excelente), passando pelas aventuras psicadélicas e os belos sonhos de uma geração que pretendia mudar o mundo, através dessa paisagem alicerçada na amizade e no amor.
Mas “Os Amigos de Alex” (o único que teve a “coragem” de partir) é também o ponto de encontro de duas gerações, que se completam e se desconhecem. E esse encontro é materializado no par Nick e Chloe (William Hurt e Meg Tilly), como já fora anteriormente com Alex e Chloe, porque o gelo calculista das relações existentes no mundo contemporâneo só pode ser derretido pela ternura dos sentimentos.


Chloe (Meg Tilly) reencontra o amor com Nick (William Hurt),
após a "partida" de Alex (Kevin Costner, 
o actor que deu o corpo, mas não o rosto à personagem)

“Silverado”, escrito a “meias” com o irmão Mark Kasdan, marca o regresso do “western” ao grande écran e como todos os “westerns” tem sempre os seus heróis tendo, desta feita, Lawrence Kasdan optado por um quarteto composto por Kevin Kline, Scott Glenn, Kevin Costner e Danny Glover, quatro magníficos que irão de certa forma recordar os famosos “Sete Magníficos”.


"Silverado", uma das mais belas homenagens ao Western Clássico

E se John Wayne foi o cow-boy por excelência, embora o Jimmy Stewart dos “westerns” de Anthony Mann seja de outro género, em “Silverado” não há lugar para o herói individual, como acontece nas películas de Clint Eastwood, mas sim uma fórmula de grupo, ao mesmo tempo que todos os elementos que constituíram o denominado “western” clássico de Ford a Hawks passando por Walsh estão aqui bem presentes, não faltando nenhum dos ingredientes que fizeram deste género um dos mais populares das plateias de cinema, em que os espectadores avisavam o herói do bandido emboscado, ou alertavam a célebre cavalaria dos índios que se preparavam para os cercar.


O inesquecível Brian Dennehy em "Silverado"

Com a feitura de “Silverado” Lawrence Kasdan oferece-nos, de forma exemplar, um “western” composto de todos os elementos que fizeram a História no velho Oeste. 

(continua)

2 comentários:

  1. Os Amigos de Alex e Silverado fazem parte dos meus "clássicos" a rever sempre!

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    1. Também estão incluídos na minha liste, sendo "Os Amigos de Alex" um dos meus favoritos de Lawrence Kasdan.

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