sexta-feira, 29 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 5 - The End


"True Grit" / "A Velha Raposa"

Ao chegarmos a 2010 Joel e Ethan Coen decidem abordar um género bem clássico do cinema e cada vez mais esquecido pela Indústria de Hollywood, o famoso “Western” que tantas emoções ofereceu aos espectadores do século passado e nada melhor do que fazer um “remake” de um filme protagonizado pelo mais célebre cow-boy de todos os tempos, estamos a falar desse actor chamado John Wayne que melhor do que ninguém protagonizou inúmeras personagens do velho Oeste, sendo a película escolhida o pouco conhecido “True Grit” / “A Velha Raposa”, de Henry Hathaway.


Jeff Bridges e John Wayne
em "True Grit"

O “remake” de Joel e Ethan Coen irá optar pelo mesmo título do “western” homenageado, ou seja “True Grit”, embora a distribuição portuguesa tenha decidido alterar o título da película de “A Velha Raposa” para “Indomável”, embora nada de mal venha ao mundo por isso, também não custava nada manterem “A Velha Raposa”, já que os irmão Coen seguem à risca o filme original, sendo a personagem do célebre Marshal Rooster Cogburn, anteriormente interpretado por John Wayne, entregue de forma perfeita a esse magnifico actor chamado Jeff Bridges, que está insuperável na interpretação que nos oferece, o mesmo sucedendo a Matt Damon e Josh Brolin.


"True Grit" / "Indomável", uma maravilhosa homenagem 
ao "western" clássico feita pelos irmãos Coen.

Ao mergulharem o seu cinema bem de autor no universo do “Western” Joel e Ethan Coen escolheram uma película com todos esses atributos que caracterizaram o “western clássico”, a sede de justiça, neste caso de uma adolescente que pretende vingar a morte do pai, perante a ineficácia da justiça dos homens.
Em “True Grit” / “Indomável” vamos, mais uma vez, encontrar todos os ingredientes que caracterizam a célebre marca de autor do cinema dos irmãos Coen, seja qual for o género abordado, eles deixam sempre a sua marca de água nas películas que nos oferecem.


"Inside Llewyn Davis", um belo olhar sobre a década de 60.

Três anos passaram desde a feitura de “True Grit” e o nascimento de “A propósito de Llewyn Davis” / “Inside Llewyn Davis” e mais uma vez Joel e Ethan Coen nos vão surpreender ao narrar-nos a história de um cantor folk no início da década de 60, nessa época em que este género musical começava a despertar as atenções dos produtores musicais, fruto da aceitação por parte de toda uma jovem geração, que via nestes músicos munidos de uma viola/guitarra e excelentes poemas, quase sempre da sua própria autoria a abrirem as portas para novos universos em que se falava do amor, mas também da sociedade em que se vivia e nunca é demais de referir que um dos principais centros foi Greenwich Village, sendo precisamente aqui que iremos acompanhar a vida de Llewyn Davis, que tem o desejo de se tornar músico profissional, mas que irá perceber como por vezes é árdua a tarefa de realizar um sonho, até chegar essa oportunidade de ter uma audição em Chicago com um conhecido produtor de então, o célebre Bud Grossman.


A forma como Joel e Ethan Coen nos oferecem esses tempos é inesquecível, assim como a interpretação de Oscar Issac, baseando-se o argumento da película na vida do cantor folk Dave von Ronk.


Ralph Fiennes em "Salvé, Céar!" / "Hail, Caesar!"

E mais três anos irão passar para termos um novo filme de Joel Coen e Ethan Coen, mas a espera valeu a pena, porque se por um lado tivemos a passagem a série de televisão de “Fargo” possivelmente o mais famoso filme dos irmãos Coen, por outro com este “Salvé, César!” / “Hail, Caesar!” em que mergulhamos de novo no interior da Indústria cinematográfica de Hollywood, e dizemos de novo, porque já lá estivemos, com “Barton Fink”, para acompanharmos a rodagem de uma película que nos narra a vida de Cristo, segundo a visão de um legionário romano, na idade de ouro da Hollywood das grandes produções e em que os grandes Estúdios eram verdadeiros estados, revelando-se muitas vezes os seus Presidentes verdadeiros ditadores, como sucede no caso concreto de Eddie Manney (Josh Brolin) e onde não faltam todos os elementos que na época povoavam esse território: o realizador, os actores e as suas questiúnculas, as “gossip girls” ou se preferirem as jornalistas sensacionalistas, e até o argumentista comunista (recordam-se da lista negra?).


George Clooney em "Salvé, César!" / "Hail, Caesar!"

Com “Salvé, César” / “Hail, Caesar”, Joel Coen e Ethan Coen, essa dupla perfeita da História do Cinema, não pára de nos surpreender. Viajar pelo Cinema dos irmãos Coen é uma maravilhosa e inesquecível aventura, que nos leva a navegar pelo interior desse género que ficou conhecido como o “Auteur” ou direi antes, essa personagem já esquecida por muitos e que em tempos se chamou “A Política de Autores”!


Joel Coen e Ethan Coen , a Dupla Perfeita!!!

THE END

2 comentários:

  1. Estes dois são inesquecíveis! Não vi o "True Grit" deles, só conheço o magnífico John Wayne!
    Dos Cohen vi quase tudo. A minha filha é que me ofereceu uma série de filmes deles. Fargo é um dos meus preferidos, com a grande actriz que é a mulher de Joel (ou de Ethan???), The Big Lebowsky é extraordinário, Miller Crossing muito bom. Bons filmes!

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    1. Só descobri o"True Grit" com o John Wayne (no canal Arte), muito tempo depois de ter visto o "remake" dos Coen, e ele é de uma fidelidade extraordinária.
      De todos os filmes da dupla (e gosto de todos) o "Fargo", que possui uma inesquecível banda sonora do Carter Burwell, permanece o meu favorito.
      PS- A Frances McDormand é casada com o Joel Coen.
      Obrigado pela visita e comentário.

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