quinta-feira, 28 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 4


"Destruir Depois de Ler" / "Burning After Reading"

Após o memorável “No Country for Old Men” / “Este País Não é Para Velhos” , Joel e Ethan Coen decidiram regressar ao seu tão característico território da comédia ao assinarem a película “Destruir Depois de Ler” / “Burning After Reading”, convidando mais uma vez o bem conhecido George Clooney para protagonista. E segundo eles este filme concluiu a “trilogia idiota com Clooney”. Recorde-se que os outros dois filmes são “Irmão Onde Estás?” / “O Brother Where Art Thou” e “Crueldade Intolerável” / “Intolerance Cruelty”.


George Clooney e Frances McDormand em
"Destruir Depois de Ler" / "Burning After Reading"

Quando alguém nos fala em filmes sobre a CIA, de imediato a nossa memória nos envia para essa obra-prima de Sydney Pollack intitulada “Os Três Dias do Condor” ou o filme de Tony Scott, “Jogo de Espiões”. Mas Joel e Ethan Coen decidiram oferecer-nos um olhar mordaz sobre a famosa Agência de Informação, através do inenarrável “Destruir Depois de Ler” / “Burning After Reading”, onde iremos acompanhar o destino trágico de um espião que é convidado a abandonar a famosa Agência de Espionagem e que, como não podia deixar de ser, decide vingar-se dela, mas pelo caminho irá descobrir que tal como a Agência também a sua mulher o decide trair e pedir o divórcio, para ajudar ao seu destino trágico e final, as suas revelações gravadas num cd irão viajar para outras mãos, que pretendem tirar o habitual usufruto monetário do mesmo.
A forma como nos é oferecido o modo de funcionamento dos diversos serviços secretos em contenda, porque nestas coisas como nos ensinou John Le Carré nos seus famosos livros, a partir do momento em que confiamos em alguém, estamos irremediavelmente perdidos!


Amy Landecker e Michel Stuhlbarg em.
"Um Homem Sério" / "A Serious Man".

Mas se se pensa que Joel e Ethan Coen já exploraram todos os cenários ao longo da sua inesquecível filmografia, está muito bem enganado porque, ao realizarem esse filme intitulado “Um Homem Sério” / “A Serious Man”, uma dessas comédias bem negras em que os primeiros minutos do filme não têm legendas sendo a língua utilizada o célebre ídiche (judaico), para mais tarde irmos acompanhar a vida atribulada do judeu Larry Gopnick (Michael Sterhlberg), um professor de física, que nos faz lembrar muitas vezes os personagens judeus que povoam os filmes de Woody Allen, e para quem a verdade é a palavra absoluta.


Em "A Serious Man" / "Um Homem Sério",
tudo acontece ao pobre professor Gopnick!

O pobre professor Gopnick irá ver a sua mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo, que lhe irá apresentar de forma “filosófica” as razões para tal lhe ter sucedido; um aluno tenta suborná-lo; a filha rouba-lhe dinheiro para fazer uma operação ao nariz, a fim de eliminar esse célebre sinal fisionómico que caracteriza a maioria dos judeus (recorde-se que Joel e Ethan Coen são judeus); o filho tem por passatempo escutar as canções de “sex, drugs and revolution” dos Jefferson Airplane na Escola Judaica; o seu vizinho é um elemento da extrema-direita que, como não podia deixar de ser, prega o extermínio; um Clube de Discos telefona incessantemente para sua casa a pedir o pagamento de prestações em atraso que ele desconhece e por fim começam a ser enviadas cartas para o seu local de trabalho (a Escola) a difamarem-no.


O fabuloso Michael Stuhlbarg, em "Um Homem Sério" /
"A Serious Man", cria uma personagem inesquecível!

Para tentar perceber porque razão é perseguido de forma tão injusta por Deus, procura uma explicação junto do Rabino, mas a complexidade que por vezes assalta as religiões irá estar mais uma vez bem patente para desespero deste tranquilo homem sério, que nunca prejudicou ninguém e ama profundamente a humanidade.
Com “Um Homem Sério” / “A Serious Man” Joel e Ethan Coen assinam uma das suas melhores obras cinematográficas de toda a sua filmografia.

(continua)

4 comentários:

  1. Trata-se mesmo de uma dupla perfeita. Tudo o que vi deles, talvez metade da sua cinematografia, foi sempre de grande nível. E os filmes que ainda me falta ver estão já mais do que chancelados por público e crítica. Dupla perfeita, portanto.

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    1. Concordo em absoluto, os irmãos Coen, deixam sempre nos filmes que realizam a sua marca de autores, nunca hipotecando a sua Arte, aos famigerados interesses da Industria Cinematográfica.

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  2. Adorei o "Homem Sério", pena que na versão vista nas salas cá não tenham legendado o "iídiche"!

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    1. Aqui está uma questão curiosa, pois tal como a totalidade dos espectadores que viram o filme em sala de cinema aquando da estreia de "Um Homem Sério"em Portugal, também eu fiquei "às aranhas" com o idiche falado na sequência inicial sem qualquer tipo de legendagem e ao rever o filme na televisão Francesa descobri que essa sequência se encontrava dobrada. Desconheço como se encontra a edição de dvd no nosso país.
      "Um Homem Sério" é uma das pérolas da cinematografia dos Coen!

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