quarta-feira, 27 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 3


"The Ladykillers" / "O Quinteto era de Cordas"

Todos sabemos Hollywood é uma apaixonada por “remakes” e o célebre “O Quinteto era de Cordas” possuía todos os ingredientes para entusiasmar Joel e Ethan Coen a fazerem uma nova versão do conhecido clássico britânico, nascendo assim “The Ladykillers”, tendo Tom Hawks no lugar que outrora pertenceu ao famoso Alec Guiness. Como muitos devem estar recordados a “velha senhora” que irá alojar a perigosa quadrilha, sabia muito mais do que parecia e eliminá-la vai tornar-se uma tarefa (im)possível ?


A mais bela pérola de "Paris Je T'Aime",
foi assinada pelos irmãos Coen!


Nos anos 60/70 do século passado (soa mesmo mal... século passado), o filme de “sketches teve uma enorme divulgação, tendo por diversas vezes cineastas de enorme renome associado o seu nome ao género. Mas dos filmes que então foram realizados “Paris Vu Par” foi, de todos eles, o que maior reconhecimento foi tendo ao longo dos anos pela cinefilia e certamente por esta mesma razão, Joel e Ethan Coen decidiram associar-se ao projecto “Paris, Je T’aime” em que vinte cineastas, das mais diversas origens geográficas e estilísticas, decidiram homenagear a cidade de Paris, também conhecida como a cidade do amor.



Mike Figgis, Christopher Doyle, Michel Gondry, Sally Potter, Walter Sales, Olivier Assayas, entre outros, irão oferecer-nos histórias passadas nos diversos bairros de Paris, tendo os Coen optado pelo 1er arrondissement e como gostam de sabotar as regras do jogo, decidiram fazer o seu pequeno filme não à superfície, porque como todos sabemos a chuva surge sempre em qualquer altura do ano, oferecendo-nos imagens da zona escolhida da capital francesa, mas situando-a no interior de uma estação do metropolitano. Iremos assim descobrir Paris com o inevitável turista americano, meio perdido a assistir a uma bela discussão entre dois namorados, no interior de uma estação do Metropolitano Parisiense que, ao repararem nele no outro lado da plataforma, decidem usá-lo na contenda, para mal dos seus pecados.


O sempre surpreendente e brilhante Josh Brolin em
"No Country For Old Men" / "Este País Não é Para Velhos"

Se a Academia de Hollywood já tinha reconhecido o valor de Joel e Ethan Coen no universo cinematográfico, seria no entanto com a passagem ao cinema do livro de Cormac McCarthy “No Country for Old Men” / “Este País Não é Para Velhos”, que pela primeira vez eles sairiam do famoso Auditório como os grandes vencedores da noite, ao recebem quatro Oscars, depois de estarem nomeados para oito: melhor filme, melhor realização, melhor argumento adaptado e melhor actor secundário: Javier Bardem, que na película é muito mais que secundário, sendo um verdadeiro protagonista ou se desejarem o assassino nato.


Anton (Javier Bardem) o implacável assassino.
que transporta consigo um rasto de sangue e morte.

“Este País Não é Para Velhos” / “No Country for Old Men” é uma verdadeira pedrada no charco, surgindo como um verdadeiro e realista “western” contemporâneo.
Tudo começa com uma mal sucedida transferência entre traficantes numa zona perdida e inóspita do Oeste americano, que resulta na morte de todos os seus intervenientes, deixando ao abandono o produto, a célebre heroína e uma mala contendo apenas dois milhões de dollars, que irão ser encontrados por mero acaso por Llewelyn Moss (Josh Brolin), que tudo fará para ficar com o dinheiro.


Mas com quem ele não contava era com o assassino profissional Anton (Javier Bardem), que não olha a meios para atingir os fins, utilizando métodos muito pouco ortodoxos. Esta carnificina irá despertar a atenção do velho xerife da região, o conhecido Ed, que irá seguir não o cheiro do dinheiro, mas sim o rasto do sangue deixado pelas mortes que se vão sucedendo ao longo do filme, todas elas exibindo uma violência extrema.
“No Country for Old Men” surge assim como a película do conjunto da obra dos irmãos Coen onde a violência é o principal protagonista, deixando o espectador perfeitamente em transe, ao mesmo tempo que a interpretação de Bardem é memorável.


Ethan Coen e Joel Coen durante a rodagem escaldante de
"No Country For Old Men" / "Este Pais Não é Para Velhos"

Para comemorar os seus 60 anos, o Festival de Cinema de Cannes, o mais importante na Europa, como todos sabemos, decidiu através dos seu director Gilles Jacob, convidar 33 cineastas para cada um apresentar uma sequência de três minutos, dando as diversas curtas-metragens origem a uma película de longa-duração, devendo cada uma delas ter uma referência a esse local de magia conhecido como sala de cinema. Como não podia deixar de se Joel e Ethan Coen foram uns dos eleitos, tendo apresentado o segmento “World Cinema”.

(continua)

2 comentários:

  1. Adoro o The Ladykillers :) Com um sentido de humor tão sublime...

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    1. Seja qual for o género abordado, os Coen nunca hipotecam a sua marca de autores.
      Caso não conheça, recomendo que veja o original que deu origem a este "remake".
      Obrigado pelo comentário

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