terça-feira, 26 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 2


Depois da grande consagração obtida nessa noite dos Oscars, nasceu “The Big Lebowski”/”O Grande Lebowski”, que aborda a questão de confusão de identidades... mas no interior desse género tão querido dos irmãos Coen: a comédia negra por excelência, que conta no protagonista com esse grande Actor eternamente esquecido pela Academia chamado Jeff Bridges.
Jeff Lebowski é um desempregado, conhecido como “The Dude”, fanático jogador de “bowling”, que possui em John Goodman o seu amigo do peito, sempre com uma solução para todos os desastres, mesmo quando não há volta a dar ao problema.


Jeff Bridges (The Dude) cria uma personagem 
única e inesquecível em "The Big Lebowski"!

The Dude (Jeff Bridges), como é conhecido entre os amigos, é confundido com o multimilionário Jeffrey Lebowski, a quem um bando pretende cobrar uma daquelas dívidas que só os Coen poderiam alguma vez imaginar.
Por outro lado iremos descobrir nesta película uma curiosa personagem interpretada por Julianne Moore, onde podemos descortinar uma crítica mordaz à nova geração de artistas que pulula por Los Angeles, com as suas obras de “Arte”.


"Irmão Onde Estás?" / "O Brother Where Art Thou?"
oferece-nos um trabalho de fotografia fabuloso de Roger Deakins.

Se até aqui John Turturro era/é um dos elementos da “família” dos irmãos Coen, sendo o outro elemento Steve Buscemi, com a feitura de “Irmão Onde Estás?””/”O Brother, Where Art Thou?”, George Clooney irá passar a ser um elemento preponderante na filmografia de Joel e Ethan Coen e aqui iremos encontrar uma soberba revisão de “A Odisseia”, transportada para o interior da famosa América dos gangsters, onde não falta o famigerado Ku Klux Klan e os recém-nascidos “blues”, numa perfeita simbiose, ao mesmo tempo que nos narra a loucura com uma simples canção transmitida pela rádio.


E aqui se iniciou a frutuosa colaboração 
entre George Clooney e os irmãos Coen!

Os três homens em fuga da prisão são liderados pelo famoso e brilhante Everett (George Clooney), que até dorme com uma rede no cabelo, para manter o seu ar galã, nunca dispensando a sua brilhantina para ter um ar mais belo. Teremos ainda um tesouro escondido que se pretende recuperar, uma esposa para ser reconquistada (sem dúvida a Penélope de Ulisses), mais as suas crianças. Mas este “perigoso” trio de fugitivos de uma prisão do Mississipi irá ser perseguido ao longo do “movie” pela polícia até que, quando tudo parece perdido, um abençoado diluvio tudo lavará sem “pecado”, numa sequência inimaginável!!!!!


"O Barbeiro" / "The Man Who Wasn't There",
revela-se a homenagem perfeita dos Coen ao "film noir".

Quando mais uma vez se pensava que Joel e Ethan Coen tinham abandonado o “film noir” para sempre, nasce “O Barbeiro”/”The Man Who Wasn’t There”, uma fabulosa película a preto e branco, como mandam as regras e com um Billy Bob Thorton único, ao compor uma personagem que praticamente não fala (os Coen chegaram a referir numa das muitas entrevistas dadas, aquando da produção, que ele era detentor dos diálogos mais curtos de uma personagem principal) e, na verdade, o “hum, hum” constante e aquele cigarro sempre na boca falam por si. Recorde-se como curiosidade que Billy Bob tinha deixado de fumar e os manos decidiram testar a sua vontade em deixar o vício do tabaco, ao longo da rodagem do filme.


Billy Bob Thorton oferece-nos uma interpretação
 insuperável em "O Barbeiro" / "The Man Who Wasn't There".

Evocando as regras que regiam os filmes da época, em que o famoso código Hays ditava a lei, como se se tratasse de um Deus vigiando os sacrilégios da pecadora Hollywood, em que os culpados teriam que ser sempre castigados. O fatal destino do apagado barbeiro Ed Crane (Billy Bob Thorton) acabaria por surgir nesse verão de 1949, quando menos se esperava, acusado de um crime que não cometera.
Apesar de se tratar de uma verdadeira obra-prima, “O Barbeiro” permanece na filmografia dos irmãos Coen como o filme menos conhecido de todos os que realizaram e bem merece ser descoberto, porque se trata de um verdadeiro diamante em bruto, que vai sendo trabalhado ao longo da película, até se tornar nessa jóia de estimação que se guarda para sempre no coração da cinefilia.


O sempre excelente Richard Jenkins, ao lado de Catherine Zeta-Jones,
em "Crueldade Intolerável" / "Intolerable Cruelty".

Perante o carisma que cobria os Coen os Estúdios não hesitaram em entregar-lhes um argumento que andava perdido pelos gabinetes à longos anos, tratava-se de “Crueldade Intolerável”/”Intolerable Cruelty”, sendo o par protagonista constituído por dois nomes sonantes do firmamento de Hollywood: George Clooney e Catherine Zeta-Jones.


Catherine Zeta-Jones e George Clooney
em "Crueldade Intolerável"

Ela é uma caça fortunas, que acusa o marido de adultério, para lhe ficar com o vil metal e ele o advogado da dita fortuna, mas quando todos se encontram com os respectivos advogados, para tratarem do divórcio, a tal faísca irá tomar conta do coração dele e apesar de ele sair vencedor no processo, ela passará a dar as cartas nesse jogo terrível do amor, usando a sua beleza para se vingar do belo advogado que lhe fez perder uma fortuna.

(continua)

2 comentários:

  1. Com a dupla Coen não há meio termo. Ou se gosta ou se detesta. Eu adoro e se o primeiro que vi foi "Irmão onde estás tu", todos os que já consegui ver estão numa lista especial!

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    1. Eu tornei-me fan dos Coen aquando da estreia de "Sangue por Sangue" / "Blood Simple" no cinema Quarteto, de boa memória e desde então tenho-lhes seguido o rasto:)

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