segunda-feira, 25 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 1


Joel Coen e Ethan Coen - a dupla perfeita!


O chamado “film noir” é um género cinematográfico que nos últimos anos estacionou a nível de produção de qualidade, acabando por ser revisto em alta por dois homens de mesmo apelido: Coen. Joel seria o realizador e Ethan o produtor, sendo o argumento escrito por ambos.

“Blood Simple”/”Sangue por Sangue” é uma película cheia de referências e coberta pelo pó da memória do policial americano (quem se recorda de “O Arrependido”/”Out of the Past” de Jacques Tourneur?) dos anos 40/50. O próprio título “Blood Simple” é uma citação do grande Dashiell Hammett e os elementos utilizados são os que deram fama ao tema: o detective, a mulher, o amante e a noite.



Frances McDormand em 
"Blood Simple" / "Sangue por Sangue"


Rodando a história à volta deste quarteto, encontramo-nos cúmplices da paisagem coberta de néon, onde o detective tipicamente texano, o seu chapéu é um ícone perfeito, se transforma no assassínio.

Estamos, assim, perante a situação de dar as cartas com os trunfos trocados e mal marcados, onde a esposa foge com o amante, que é empregado do marido, enquanto este contrata um detective para terminar com o romance. A desconfiança mútua é uma constante e as situações criadas, por coincidência do destino, acabam por alterar todo o sentido do filme, inicialmente delineado.
Maravilhosas e antológicas são as sequências iniciais (a viagem pela estrada fora, pela noite dentro) e finais (o duelo derradeiro e a morte do detective), obrigando-nos a não mexer um único músculo, tal é a tensão que invade o espectador.
Vinte e Cinco anos depois e em plena consagração do cinema dos irmãos Coen, foi reposta uma nova cópia da película, revelando-se uma daquelas obras-primas eternamente jovens.



Nicolas Cage e Holly Hunter em
"Arizona Junior" / "Rising Arizona"

Após a estreia dos Coen na longa-metragem com “Blood Simple”, muitos ficaram admirados ao verem a sua obra seguinte intitulada “Arizona Júnior”/”Rising Arizona”, onde a câmara é, também ela, um dos actores da película. Surge desta forma a vertente das comédias negras na obra dos irmãos Coen, que irá ser explorada ao longo dos anos.
Nicolas Cage é um presidiário de delitos menores, que se apaixona pela mulher polícia que encontra na esquadra (Holly Hunter), terminando por se casarem mas a cegonha nunca mais chega e para grandes males grandes remédios, decidem raptar um bebé recém-nascido, que possui muitos mais irmãos da mesma idade, poderemos assim dizer abençoada “clonagem”, recomeçando desta forma a sua vida no crime. O assalto ao supermercado para roubarem fraldas para a criança é de antologia!




O genial "Miller's Crossing" / "Guerra de Gangsters"
na imagem Gabriel Byrne e John Turturro, na mais famosa sequência.


Ainda um pouco desorientados com o universo dos irmãos Coen, vimos nascer um dos seus mais belos filmes possuidor, mais uma vez, de uma sequência merecedora de fazer parte de uma Enciclopédia Mundial do Cinema. A película, como devem estar recordados, é “História de Gangsters”/”Miller’s Crossing” com um Gabriel Byrne no seu melhor desempenho de sempre e um Albert Finney inesquecível.
Estamos assim perante um cenário operático com referências directas a “O Padrinho” de Francis Ford Coppola e perante um então desconhecido John Turturro que, ao ser abatido no bosque (a tal cena antológica), não vimos o seu corpo a ser atingido, mas sim o seu chapéu a percorrer o bosque ao sabor do vento, tudo indicando que ele acabara de ser morto.



John Turturro e Judy Davis em "Barton Fink"

E quando todos esperávamos por mais uma comédia negra, os irmãos Coen decidem oferecer a John Turturro a oportunidade de vestir a pele do encenador/dramaturgo de “Barton Fink” que, perante o seu sucesso no Teatro é de imediato convidado por Hollywood como argumentista, como sucedia nesses anos e terminando o escritor por mergulhar no bloqueio criativo, ao mesmo tempo que a sua história parte para caminhos “subterrâneos”, no interior do quarto que lhe é destinado no hotel.
Enquanto nos sempre famosos Estúdios o argumentista se confronta com o produtor, terminando por se cruzar com um outro argumentista, que não larga a sua garrafa de whisky, chamado William Faulkner, que um dia disse nos Estúdios que ia para casa escrever o argumento da película que lhe fora destinada e quando duas semanas depois o produtor o procurou no hotel, descobriu alarmado que ele não se referia ao seu quarto de hotel, mas sim à sua casa no Mississipi.



Tim Robbins e Paul Newman em,
"O Grande Salto" / "The Hudsucker Proxy"

Seguindo as regras do jogo instituídas por Joel e Ethan Coen na sua filmografia, a obra seguinte seria essa deliciosa comédia intitulada “The Hudsucker Proxy”/”O Grande Salto” com o Paul Newman e o Tim Robbins e que nos relata a história secreta da origem do “hulla-hop”, que surge como uma maravilhosa sátira ao capitalismo. E, mais uma vez (como não podia deixar de ser), os irmãos Coen alteram por completo o rumo previsto pela obra anterior, partindo para aquele que é o nosso filme favorito: “Fargo”, situando-se a acção da película no gelado Minnesota, com uma Frances McDormand fabulosa na interpretação da mulher-polícia grávida que investiga o rapto e posteriores crimes que surgem na pacata e tranquila região. Mas, acima de tudo, é o ambiente peculiar desta região e os habitantes das famosas “little town” que são retratados da forma mais genuína possível. Se o leitor seguir pela estrada fora, através dessa América profunda, irá certamente encontrar as personagens reais de “Fargo”.


"Fargo" a obra-prima absoluta dos irmãos Coen!

E foi assim que Joel Coen e Ethan Coen chegaram à noite dos Óscares, conquistando o Oscar para o Melhor Argumento Original, assinado por ambos e como numa casa que se preze a esposa também é dona dos seus trunfos, Mrs Frances McDormand, esposa de Joel Coen, levou a estatueta para a Melhor Actriz Principal. “Fargo” é uma daquelas obras-primas que nunca nos cansamos de rever e simultaneamente um “cult-movie” para muitos!




Frances McDormand com o marido Joel Coen,
celebrando a vitória de "Fargo" nos Oscars!


(continua)

2 comentários:

  1. Adoro os irmãos Coen. Dessa lista tenho de destacar o Fargo... que filme, que interpretações. Aconselho-o a espreitar a série Fargo, inspirada no filme, também uma obra-prima.

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    1. Os irmãos Coen possuem o condão de sempre nos surpreender, filme após filme e é sempre difícil eleger uma película, porque gosto muito deles, mas passo afirmar que "Fargo" é o filme que mais vezes vi, (até tenho o poster na parede da sala :).Já a série, só acompanhei alguns episódios.
      Obrigado pelo comentário.

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