sábado, 23 de julho de 2016

Jean-Luc Godard – "Masculino/Feminino" / “Masculin/Feminin"


Jean-Luc Godard - "Masculino/Feminino" / " Masculin/Feminin"
(França - 1966) - (110 min. - P/B)
Jean-Pierre Léaud, Chantal Goya, Marlène Jobert.

Foi o acontecimento cinematográfico do Verão passado em Paris, a reposição em cópia restaurada de “Masculin/Feminin” de Jean-Luc Godard, o célebre filme do cineasta também conhecido como o retrato de “Les enfants de Marx & de Coca-Cola”, com o inevitável Jean-Pierre Léaud, o mais célebre rosto dos actores da Nouvelle Vague, que se imortalizou aos 15 anos no cinema em “Os 400 Golpes”, de François Truffaut criando a célebre personagem Antoine Doinel, que irá surgir em filmes de François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jean Eustache.


Ao lado de Jean-Pierre Léaud em “Masculin/Feminin” de Jean-Luc Godard temos a bela Chantal Goya, assim iremos acompanhar a história de Paul (Jean-Pierre Léaud), um jovem bem consciente do mundo em que vivemos e Madeleine (Chantal Goya), uma jovem apaixonada pela áurea do momento ou seja ambiciona vir a ser uma "pop star", numa época em que elas nasciam e viviam nas célebres constelações, fossem da música, da moda ou do cinema. 


A edição deste filme em dvd numa cópia restaurada convida-nos a uma viagem até esses deliciosos anos sessenta, verdadeiramente inesquecíveis, para quem os viveu: os célebres sonhadores, que proclamavam a imaginação ao poder!


Jean-Luc Godard dirigindo o genial "Masculin/Feminin" 
/ "Masculino/Feminino"

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Georges Méliès – “A Viagem à Lua” / “Le Voyage dans la Lune”



Georges Méliès - "A Viagem à Lua" / "Le Voyage dans la Lune"
 (FRANÇA-1902) - (14 min. - Mudo - P/B)
George Méliès, Victor André, Depierre, Farjaux, Kelme.

George Méliès foi o homem que, depois de ter visto os filmes dos irmãos Lumière, percebeu que tinha nascido uma nova Arte e de imediato decidiu construir um Estúdio em Montreuil-sous-Bois, onde irá desenvolver intensa actividade, sendo o inventor dos hoje mais que conhecidos efeitos especiais. No entanto estes surgiram por acaso quando filmava numa rua de Paris: a câmara encravou e quando retomou as filmagens criou o primeiro efeito especial. Este génio sonhador, leitor de Jules Verne, decidiu passar para o cinema a famosa “Viagem à Lua”, que irá fazer com que todos lhe fixem o nome para sempre.


Iremos, no início do filme, assistir ao congresso de Astronomia onde se encontra o famoso professor Barbenfouillis, que decide construir um canhão para lançar o foguetão para o espaço, rumo à Lua, esse planeta que sempre tem fascinado a humanidade. Conseguido o feito, os seus tripulantes irão desembarcar no planeta e descobrir nele os famosos selenitas com cabeça de camarão (habitantes desse estranho e desconhecido território), mas também irão encontrar uns estranhos e perigosos cogumelos, para além das inevitáveis estrelas que navegam no espaço.


Contando com a colaboração de bailarinos e acrobatas do Folies Bergére, George Méliès constrói uma obra que irá ficar para a história do cinema como o primeiro filme de ficção-científica. Regressados à terra, os tripulantes da nave são recebidos como heróis, o mesmo sucedendo a Méliès, que rapidamente se transforma num cineasta de renome mundial. Mas a luta que então se desenvolvia no meio cinematográfico, ainda nascente, irá conduzi-lo rapidamente à ruína, para a qual a Primeira Guerra Mundial deu também o seu contributo, terminando os seus dias a gerir uma pequena loja de brinquedos na estação de Montparnasse, esquecido por todos.


“A Viagem à Lua” / "Le Voyage dans la Lune" de Georges Méliès encontra-se em exibição permanente no Museu da Cinemateca Francesa e a sua visão é um dos mais belos acontecimentos a que um cinéfilo pode assistir.

domingo, 17 de julho de 2016

Andrew Stanton / Angus MacLane - "À Procura de Dory" / "Finding Dory"

Andrew Stanton / Angus MacLane - "À Procura de Dory" / "Finding Dory"
(EUA - 2016) - (97 min. / Cor)


A Pixar, esse genial Estúdio de Animação repleto de magia e criatividade, conseguiu, mais uma vez, surpreender o Planeta Azul  com o maravilhoso e bem divertido “À Procura de Dory” / “Finding Dory” da responsabilidade de Andrew Stanton e Angus MacLane, sendo sempre de referir que Andrew Stanton realizou também filmes como essa obra-prima da animação chamada “Wall-E”, e “À Procura de Nemo”, tendo também assinado o argumento, assim como é o autor dos famosos “Toy Story” e “Monstros e Companhia”.


Embora seja sempre adepto das versões originais nos filmes de animação, desta feita recomendo que a versão portuguesa da película, porque a actriz Rita Blanco está soberba ao dar voz a essa genial personagem chamada Dory, mais as suas faltas de memória. Mas, meu caros amigos pequenos e graúdos, também adoro este filme de Andrew Stanton porque ele possui o meu herói, esse Polvo chamado Hank, que só pretende passar despercebido no meio da multidão da fauna marinha e desses humanos que nos estão sempre a importunar, não nos deixando ler sossegados nos transportes ou nos cafés, às vezes até mesmo nas bibliotecas, tal como ele também eu só pretendo o sossego do oceano.
"Finding Dory" / "À Procura de Dory" revela-se o mais belo produto saído dos Estúdios da Disney desde que a Pixar se lhes reuniu, nascendo esta maravilhosa e inesquecível obra cinematográfica do universo da animação!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Auguste e Louis Lumière - "Chegada de um Comboio" / "L’arrivée d’un train en gare de la Ciotat"


Auguste e Louis Lumière - "Chegada de um Comboio" / "L'arrivée d'un train en gare de la Ciotat"
(FRANÇA - 1896) - (1 min./ Mudo)

Auguste Lumière e o seu irmão Louis nasceram em Besançon separados por dois anos, o primeiro em 1862 e o segundo em 1864, mas ambos no mês de  Outubro; no início os irmãos Lumière não acreditaram nas potencialidades comerciais do cinema, mas a verdade é que eles foram os fundadores de uma nova Arte, classificada como Sétima nesse dia de 28 de Dezembro de 1895, através da exibição do filme “Chegada de um Comboio” / “L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat”, com a duração de cerca de um minuto, que irá fazer História tornando-se uma preciosidade da Sétima Arte ou, se preferirem, o momento fundador do CINEMA!.


O operador colocou a câmara na estação de comboio de La Ciotat e iniciou a filmagem, ao longe vê-se um comboio a chegar e à medida que ele se aproxima da plataforma da estação, o pânico irá instalar-se nos espectadores que assistiam à projecção do filme, no interior de uma cave de um café, situado no Boulevard des Capucines (1), tendo de imediato muitos tentado sair da sala, cheios de medo dessa locomotiva que se aproximava perigosamente deles, poderemos dizer que o pânico se tinha instalado na sala.


No entanto ninguém ficou esmagado pelo comboio, antes pelo contrário, assistimos à sua chegada à estação e depois de ele estar parado vemos os passageiros a sair do comboio. Naquele dia o CINEMA acabara de nascer!


Louis Lumière revelou-se um magnífico cineasta através dos seus filmes de curta duração, captando a naturalidade e a passagem do tempo, como sucede com a “Saída dos operários das Fábricas Lumière”, criando também o denominado grande plano, a profundidade de campo como sucede no seu primeiro filme visto pelo público ou momentos caricatos do quotidiano onde predomina o humor. Mas a “Chegada de um Comboio” será sempre considerado esse momento em que o cinema abriu os olhos para os espectadores de uma sala que o viam a dar os primeiros passos no grande écran, um momento único que tive a oportunidade de descobrir numa sala de cinema, quase um século depois de ele ter nascido.

(1) – O café, que se situava perto da Ópera Garnier, será destruído muitos anos depois por um incêndio.