terça-feira, 14 de junho de 2016

Umberto Eco – “A Biblioteca” / "De Bibliotheca"


Umberto Eco

"A Biblioteca"
Difel, Pag. 48

Com a partida de Umberto Eco, o universo perdeu um dos seus maiores pensadores de sempre, alguém que não parava de interrogar a sociedade em que vivemos sempre com perguntas bem pertinentes, demonstrando e desmontando os frágeis alicerces em que se baseiam as sociedades da abundância deste estranho mundo contemporâneo que habitamos.

Para Umberto Eco uma Biblioteca tem a principal função de nos levar a descobrir livros cuja existência se desconhecia e que se irão revelar extremamente proveitosos ou aliciantes para nós simples leitores, em busca do conhecimento. 


Existem como todos sabemos dois tipos de Bibliotecas: as púbicas e as privadas. E se as primeiras são construídas pelas Instituições e pelo Poder Público e Político e são frequentadas como espaço público onde podemos ir para consultar e ler livros que nos interessam, já as segundas são criadas por nós, ao longo dos anos, ao longo da vida, revelando ao forasteiro ou convidado que visita a nossa casa as nossas pequenas paixões ou, se preferirem, os nossos pequenos prazeres.

Ao longo deste aliciante pequeno livro, o escritor italiano aborda o funcionamento dessa grande Instituição que se convencionou chamar Biblioteca e que no mundo Antigo teve em Alexandria o seu farol do saber, até nos conduzir a esse outro território que se chama a livraria, onde nos dá a conhecer essa personagem em vias de extinção que é o livreiro, infelizmente para mal das livrarias, que cada vez mais são substituídas pelas grandes superfícies comerciais onde os livros são apenas uma das muitas mercadorias expostas dando sempre primazia à novidade, ou não estivéssemos a viver na “adorável sociedade de consumo”.


“A Biblioteca” de Umberto Eco revela-se um pequeno grande livro, que mais uma vez nos oferece o seu pensamento acutilante e sedutor, depois de o lermos terminamos sempre por amar um pouco mais os livros que rodeiam as paredes da nossa humilde casa, sejam eles muitos ou poucos ou até apenas pequenos escritos guardados ao longo dos anos, porque a nossa Biblioteca é o espelho do nosso pensamento.

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