quinta-feira, 9 de junho de 2016

Robert Harris – “Fatherland”


Robert Harris
"Fatherland"
Arrow Books, Pag. 386

Robert Harris, conhecido jornalista e escritor, que tem eleito a História como personagem dos seus livros, oferece-nos em “Fatherland” uma viagem por esse universo recente da História Alternativa, que nos coloca interrogações bem pertinentes ao introduzir a partícula “SE” ou “IF” se preferirem, consoante a edição que decidem ler deste fabuloso livro.

Coloque então esta questão a si mesmo ou seja a premissa de “Fatherland”: e se a Alemanha de Hitler tivesse saído vencedora da Segunda Grande Guerra?, pois bem, é precisamente isso mesmo que sucede neste magnifico livro de Robert Harris. A Grã-Bretanha de Churchil termina por capitular perante a avassaladora máquina de guerra germânica e o estadista inglês parte para o exilio no Canada, a América durante o conflito remeteu-se ao silêncio e à sua bem conhecida politica isolacionista, sendo governada pelo patriarca da família Kennedy e a Europa vive em “Paz” sobre o domínio alemão, apenas nesse longínquo território anteriormente denominado de União Soviética existem alguns pequenos problemas logísticos, que o governo alemão se encontra a solucionar, dizem os serviços noticiosos do regime.


Berlin, essa esplendorosa e poderosa capital do mundo em tempos idealizada por esse génio da Arquitectura chamado Albert Speer, tornou-se realidade e deixou de fazer parte da ficção e pela primeira vez um Presidente Norte-Americano vai visitar o Führer, esse obreiro da nova ordem internacional, que apesar de possuir já uma idade bastante avançada continua a viver em glória; todas as autoridades do regime preparam esse grandioso acontecimento e como não podia deixar de ser televisões de todo o mundo encontram-se em Berlin para fazer a cobertura deste grandioso acontecimento mediático. Para acompanhar os grupos de jornalistas as autoridades do Terceiro Reich nomeiam um oficial modelo, mas no período que antecede a chegada do Presidente Americano, altos dirigentes do regime que tiveram cargos de relevo durante o conflito vitorioso da Segunda Grande Guerra começam a desaparecer e as suas mortes a ocorrerem, camuflando assim um dos maiores segredos do regime que fora eliminado da memória de todos.


 Miranda Richardson e Rutger Hauer 
na genial adaptação televisiva de "Fatherland"

“Fatherland” de Robert Harris agarra o leitor da primeira à última página, tornando-se num livro inesquecível e empolgante, mas também perturbante porque nos leva a interrogar a História e a colocar questões que muitas vezes preferimos deixar no limbo das interrogações, quando assistimos nos nossos lares ao quotidiano dos serviços noticiosos que nos trazem as notícias do mundo, perfeitamente formatadas e que recebemos de braços abertos no conforto do lar. Robert Harris ao escrever “Fatherland” convidou-nos a meditar sobre a informação que nos rodeia.

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