quarta-feira, 29 de junho de 2016

Philippe Sollers – “A Estrela dos Amantes” / "L'Étoile des Amants"


Philippe Sollers
"A Estrela dos Amantes"
Teorema, Pag. 150

Na net é possível encontrar diversos inquéritos ou questionários, se preferirem, sobre a relação dos leitores com os livros e um dia encontrei uma questão que passo a reproduzir:

Considerando que o primeiro livro da tua estante é a letra “A”, o segundo a letra “B” e por aí adiante, tira o livro correspondente à primeira letra do teu nome, depois abre na página correspondente à soma do mês e dia em que nasceste. Qual é o quarto parágrafo?


Renè Magritte

Ao ler esta pergunta sou obrigado a encará-la como uma espécie de equação "matemática" que, de imediato, ao contrário do que se julga, pratica a exclusão. E digo isto porque seguindo os dados indicados para a escolha do livro ou melhor os passos em volta da minha biblioteca, retirei o livro correspondente. E convém dizer que por razões de espaço ou a falta dele os meus livros espalham-se pelos móveis sem ordem definida, mas por tamanho de forma a utilizar o máximo de espaço possível.

Ao retirar o livro em questão descobri que se tratava de "Paradis", de um autor muito querido, Philippe Sollers, e a resposta à questão “literária” tornou-se impraticável, pois o genial "Paradis" não possui parágrafos, aliás não tem qualquer sinal de pontuação, é para se ler devagar, utilizando o leitor a sua respiração para fazer a respectiva pontuação ou seja sentir esse prazer do texto de que Roland Barthes falou/escreveu, mas se desejar conhecer este romance de Philippe Sollers, leia primeiro "Sollers écrivain" de Roland Barthes, recentemente reeditado pela Points.


Roland Barthes e Philippe Sollers
na capa de "Sollers Écrivain"

Voltando à equação desta pergunta, percebi que tinha obtido um resultado, o escritor chama-se Philippe Sollers e é um nome incontornável da Literatura. Sendo assim, decidi ir buscar o único livro editado em Portugal de Philippe Sollers de que tenho conhecimento e espero bem estar enganado. Aqui vos deixo um pouco da escrita desse genial escritor que é urgente (re)descobrir e editar no nosso país:


"Para atingir a compreensão, dizem os textos antigos, é preciso olhar a estrela do Norte virando-se para sul. Olha, é fácil e ocorre-nos por intuição. O mundo é um teatro, podemos vê-lo de todo o lado, numa sucessão. Não é por eu estar aqui que não estou lá em baixo. O passado muito antigo está pertíssimo. Eu sou ondulante, diverso, possuo mais recordações de que se tivesse seis mil anos. Assim habitei a pequena rua dos Alquimistas em Praga. O meu amigo K. e eu íamos aos bordéis da cidade, mas não fiquei por muito tempo, tinha de regressar a Paris."

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