sexta-feira, 3 de junho de 2016

A Memória dos Livros - 1


Muitas vezes me perguntam, nessas conversas em que os livros são tema, qual foi o livro que marcou a minha infância? E inicialmente começo a pensar no Robinson Crusoe, nos livros do Jules Verne, mas depois penso que na infância o que lia era a revista Tintin, o Spirou, o Jornal do Cuto, O Jacto, quatro revistas que publicavam as célebres histórias em continuação, ou seja só tínhamos duas pranchas por semana, mas que nos davam um enorme prazer e que só era ultrapassado quando chegava ao fim e voltávamos a ler as 44 páginas de uma “enfiada”.


Depois, havia o Falcão e o Mundo de Aventuras, o Condor e o Ciclone que foram os meus verdadeiros livros de leitura da primeira classe, lidos e relidos vezes sem conta, até chegar esse dia trágico em que adormeci a fazer um ditado (nessa época eles eram longos) e tive imensas faltas, não erros, mas faltas de palavras, porque na véspera me deitei tarde porque estive a ver o “Rio Grande” na televisão (muitas décadas depois é que descobri o título do filme) e quando cheguei a casa, com as minhas mãos doridas das reguadas, quase não conseguia desfolhar o Quadradinhos, suplemento de banda desenhada que saía com o jornal “A Capital”.


Nessa época da minha infância havia um especial carinho pela banda desenhada, os jornais publicavam páginas dos clássicos norte-americanos, os Peanuts saíam no Diário de Lisboa, e havia até os Fanzines e as edições francesas do Tintin, Spirou, Pilote e Charlie, que iam aparecendo nesta ocidental praia Lusitana. Fixava os nomes dos autores e quando um herói mudava de desenhador ou argumentista tenho que confessar a minha tristeza. Depois adorava ler artigos sobre os criadores dos meus heróis, havia também uns entusiastas a escrever por aí sobre BD que aumentavam o meu entusiasmo pela 9ª Arte e ainda tínhamos o Vasco Granja a responder aos leitores no Tintin.

Mas a razão desta crónica era qual o título do livro que marcou a minha infância?

O meu livro da primeira classe, intitulado BANDA DESENHADA! 

4 comentários:

  1. "Tu escreves, Tintin responde". Tenho lá duas respostas...

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    1. Nesse tempo havia uma legião de jovens dos 7 aos 77 a lerem e a vibrarem com as aventuras publicadas na revista Tintin,e sempre a quererem saber mais.
      Recordo-me que desejava tanto ler, na época, o"O Raio-U" do Edgar Pierre Jacobs e o "Tintin no País dos Sovietes" do Hergé, que só li em adulto, já em álbum.

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  2. Eu fui mais o "Cavaleiro Andante" do pai, mas que também me proporcionou belíssimos momentos!

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    1. O "Cavaleiro Andante" tal como "O Mosquito" foram os pais da Revista "Tintin", li números do primeiro onde descobri imensas histórias de 4 páginas, assinadas por Jean Graton, o criador de Michel Vaillant, onde era possível descobrir os traços da futura personagem do universo das corridas.
      Beijinhos e Bom fim-de-semana

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