segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nuno Júdice – “Poesia Reunida 1967 – 2000”


Nuno Júdice
"Poesia Reunida 1967 - 2000"
Dom Quixote, Pag. 1117

Este livro, de mais de mil páginas, reúne o trabalho poético de Nuno Júdice ao longo de mais de duas décadas, revelando uma das vozes mais originais da poesia contemporânea, ao mesmo tempo que nos oferece um conjunto de poemas inéditos intitulado “Rimas e Contas”, será de referir que este volume possui um excelente prefácio da responsabilidade de Teresa Almeida que nos situa e apresenta o trabalho deste poeta, escritor, dramaturgo e ensaísta, já que como todos sabemos Nuno Júdice tem invadido com a sua Arte todos estes territórios Literários.


“A Noção de Poema” de Nuno Júdice foi o primeiro livro de poemas editado precisamente na editora Dom Quixote, corria o ano de 1972, integrando a colecção “Cadernos de Poesia”, que reunia autores novos e consagrados das mais diversas paragens do globo. Nuno Júdice pertence a essa genial geração de poetas surgidos nessa época e estou-me a recordar-me de nomes como Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Rui Diniz (autor do magnifico “Ossuário ou a Vida de James Whistley”, que escreve a introdução / apresentação de “A Noção de Poema”), Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz entre outros, que ofereceram à poesia portuguesa um novo fôlego, criando novos universos onde o poema respirava, mesmo quando o tema era a morte ou o exílio.


Mas para o leitor conhecer um pouco mais do universo poético de Nuno Júdice, nada melhor do que dar voz ao que escreveu Teresa Almeida no prefácio desta “Poesia Reunida 1967 – 2000”):

“…a obra de Nuno Júdice consiste numa interrogação do enigma da escrita, podendo ser lida como uma extensa arte poética do nosso tempo. Dialogou com textos de todas as épocas, pertencentes a escolas diferentes e a variadas línguas. Recuperou os mitos da literatura grego-latina, deixou-se seduzir pelo imaginário medieval, interpelou o Romantismo e o Simbolismo, teve em conta as rupturas da modernidade. É uma poesia cosmopolita e europeia que absorveu e transformou a literatura portuguesa, experiência pensada sobre as potencialidades da língua nacional. A sua dimensão teórica convive com uma experiência lúdica, interpelar os grandes escritores do passado é saber reescrevê-los, criando repetições e diferenças, mantendo um fascínio que não anula a distância ou a capacidade de subversão.”

Ao lermos este volume intitulado “Poesia Reunida 1967 – 2000”, descobrimos todos estes aspectos nos seus poemas, sendo a dimensão teórica mais patente nos seus dois primeiros livros, “A Noção de Poema” e “Critica Doméstica dos Paralelepípedos”, que recentemente foram reeditados num só volume, dando assim uma magnífica oportunidade às gerações mais novas para descobrirem um dos nomes incontornáveis da poesia mundial.

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