sexta-feira, 17 de junho de 2016

Mario Vargas Llosa - "A Tia Júlia e o Escrevedor” / "La tia Julia e el escribidor"


Mario Vargas LLosa
"A Tia Júlia e o Escrevedor"
Dom Quixote, Pag. 340

O nome de Mario Vargas Llosa, nascido no Perú em 1936, é por demais conhecido em todo o mundo e a sua escrita, uma das mais geniais oriundas da América Latina, irá receber muitos anos depois o Prémio Nobel da Literatura, essa distinção máxima a que um escritor pode aspirar.

No interior da sua obra literária há um romance que deu brado e se tornou um verdadeiro livro de culto, por ser autobiográfico, já que o herói masculino de “A Tia Júlia e o Escrevedor” é o próprio Vargas Llosa, que a sua tia Julia Urquidi Illanes trata por Vargitas, dada não só a diferença de idades, mas também por esses laços familiares que os ligam.


Na época retratada no romance, Mario Vargas Llosa andava a terminar Direito e era também responsável pelos serviços noticiosos de uma rádio, já a sua querida tia Júlia, recém-divorciada tinha regressado da Bolívia, respirando sensualidade e desgosto.

Será precisamente na Radio Central de Lima que Mario Vargas Llosa irá conhecer um colega jornalista chamado Pedro Camacho, que nutre uma profunda antipatia pelos argentinos, criando histórias para a rádio, os famosos folhetins radiofónicos, em que estes são os célebre protagonistas sempre crivados pelas balas satíricas de Pedro Camacho, que os ridiculariza de fio a pavio.

Mario Vargas Llosa e Julia Urquidi

O leitor de “A Tia Júlia e o Escrevedor”, ao ler os capítulos em que possuem os relatos de Pedro Camacho, não consegue conter o sorriso para não dizer a gargalhada, tal é a verve humorística do escritor peruano. Por outro lado irá acompanhar o romance clandestino entre Vargas e a sua Tia Julia, que traz a família em sobressalto, porque qualquer um percebia o que se estava a passar e como não podia deixar de ser o escândalo surge quando Vargitas e a Tia Julia, consumidos pela paixão, decidem fugir e casar, mas o melhor é dar voz ao próprio escritor:

“Saímos de Lima às nove da manhã, numa camioneta que apanhámos no Parque Universitário. A tia Júlia tinha saído de casa dos meus tios com o pretexto de fazer as últimas compras antes da viagem, e eu, da dos meus avós, como se fosse trabalhar para a rádio. Ela metera num saco uma camisa de dormir e uma muda de roupa interior; eu levava, nos bolsos, a minha escova de dentes e uma máquina de barbear (que na verdade, ainda não me servia de grande coisa).”

“A Tia Julia e o Escrevedor” revela-se um fabuloso romance autobiográfico que nos proporciona um maravilhoso encontro com o sorriso literário desse fabuloso escritor peruano chamado Mario Vargas Llosa.

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