quarta-feira, 8 de junho de 2016

Marcel Proust – “Em Busca do Tempo Perdido” / "À la recherche du temps perdiu"



Marcel Proust
"Em Busca do Tempo Perdido"
Relógio D'Água - (7 Volumes)

No dia em que iniciei a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust, só consegui parar de ler o volume quando me chamaram para jantar, porque tinha terminado de descobrir o livro da minha vida. Nos dias seguintes, todos os minutos livres foram dedicados à descoberta do universo de Marcel Proust e quando concluí a leitura do romance entre Swann e Odete (que seria levado ao grande écran pela mão do cineasta alemão Volker Schlondorff, com Jeremy Irons e Ornela Mutti a vestiram de forma perfeita as personagens do romance), fui até à livraria mais próxima e comprei “À Sombra das Raparigas em Flor”.


Por ali navegava o mais belo oceano de palavras, que me enviava até à praia de Balbec, levado pelas suas vagas literárias em pequenas ondas de espuma. Lentamente fui entrando no romance, quase como um intruso e comecei a conviver com as diversas personagens criadas por Marcel Proust, viajando depois até essa Combray tão longe da vida mundana de Paris. Essa mesma vida que Proust tão bem conheceu e decidiu abandonar para se dedicar, refugiado no seu quarto do Boulevard Haussmann, à feitura desta obra incontornável da Literatura que é “Em Busca do Tempo Perdido”.


O Universo de Proust segundo Volker Schlondorff
"A Paixão de Swann"

Um dia, ao passear pelas ruas da maravilhosa cidade de Paris, não resisti a tirar uma fotografia junto ao prédio onde, num quarto com paredes forradas a cortiça devido à asma do escritor, páginas e páginas foram escritas e revistas por ele, quantas vezes deitado na cama, num fervor literário em busca dessa obra mais-que-perfeita, que pretendia deixar a todos nós amantes da Literatura. E se nessa mesma Paris, se decidirmos descer os famosos Campos Elísios, iremos descobrir também a sua famosa alameda, esse lugar privilegiado por onde o escritor dava os seus passeios com a avó, olhando o mundo com um sorriso nos olhos da alma.

O Universo de Proust segundo Raoul Ruiz
"O Tempo Reencontrado"

Ao chegar o dia em que terminei a leitura de “A Fugitiva”, o sexto volume de “Em Busca do Tempo Perdido” e fui comprar o último volume da obra intitulado “O Tempo Reencontrado”, senti uma certa tristeza, porque sabia que estava perante o último volume de uma obra que me oferecera uma nova visão do universo literário.

Li assim, com uma enorme paixão, as páginas de “O Tempo Redescoberto” e ao chegar a esse momento em que virei a última folha e retomei a leitura, depois de fazer uma pausa para molhar a madalena na chávena de chá, escutei a criança-nocturna que vive no meu interior a ler comigo as palavras escritas por Marcel Proust:


“A realidade que eu conhecera já não existia. (…) a recordação de uma determinada imagem não passa da nostalgia de um determinado momento; e as casas, as estradas, as avenidas, são infelizmente fugazes, como os anos.” 

Neste século XXI, em que o mundo teima infelizmente em não ter passado, gosto de mergulhar as minhas pequenas memórias nas páginas de “Em Busca do Tempo Perdido” tornando-me assim, também eu, em personagem de uma das mais belas obras do universo Literário.
Antes de me deitar, tiro da estante um dos volumes de “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust e depois de me sentar no sofá e de ter percebido como a noite veio para ficar, abro o livro numa página qualquer, indiferente ao tempo que faça lá fora e entro no mais belo sonho de um leitor em busca do tempo reencontrado.

2 comentários:

  1. É assim, a grande literatura. Por parvoíce minha, nunca passei do primeiro volume -- e não foi por não ter ficado completamente imerso, engolido por aquela torrente; apenas porque 'qualquer dia retomo', e o dia nunca vem. Bah!, para mim.
    Belo post.
    (também vi o filme, no cinema)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A leitura de Proust oferece ao leitor uma tranquilidade que nos convida a navegar na sua escrita como se ele fosse um rio e nós, simples mortais, os navegadores que por ali andam ao sabor do tempo.
      A biografia escrita por Jean-Yves Tadié (Folio) dedicada a Marcel Proust oferece-nos o mais belo retrato da sua vida, mas também da sua obra, que se complementa de forma perfeita com o "Dictionnaire amoureux de Marcel Proust" da autoria de Jaen Paul e Raphael Enthoven, este último é o responsável pelo aliciante programa de filosofia que passa no canal Arte aos domingos de manhã.
      Obrigado pelo comentário.

      Eliminar