terça-feira, 7 de junho de 2016

John Le Carré – “O Ilustre Colegial” / "The Honourable Schoolboy"


John Le Carré
"O Ilustre Colegial"
Dom Quixote, Pag. 655

Mr. David John Moore Cornwell, mais conhecido no universo literário por John Le Carré, ex-membro dos Serviços Secretos Britânicos, quando escreveu o seu primeiro romance ainda pertencia ao MI6 e por aqueles corredores bem cinzentos por onde ele se movimentava muito boa gente andava em sobressalto devido a terem um romancista entre eles que, apesar de possuir uma imaginação fértil, conhecia de facto a triste realidade dos Serviços Secretos Ocidentais, mas também os do outro lado do muro.

Durante décadas os Serviços Secretos de Sua Majestade Britânica Isabel II foram um dos territórios mais férteis de fuga de informação dita classificada, ao mesmo tempo que se transformava no mais perfeito e brilhante covil de toupeiras, durante o período da denominada Guerra Fria, de que há memória.


Este tema tão delicado será o eleito por John Le Carré ao fazer nascer essa personagem “cinzenta” chamado George Smiley, um homem “vulgar”, dono de uma inteligência e uma perspicácia únicas, que irá ter do outro lado do muro ou se preferirem do outro lado da cortina de ferro um opositor soviético de nome Karla, que se irá tornar no seu maior pesadelo.

 “O Ilustre Colegial” é o segundo volume deste duelo entre Smiley e Karla, onde iremos percorrer os mais diversos cenários, desde o Sudoeste Asiático, tendo Hong-Kong como pano de fundo, passando inevitavelmente por Londres, onde Smiley reorganiza os Serviços do Circus, anteriormente” danificados” por Karla, até chegar aos Balcans onde se encontra esse Ilustre Colegial, um agente adormecido à espera de missão, que irá tentar impedir que o KGB continue a realizar com sucesso as suas acções numa nova zona do globo, considerada estratégica para os Serviços Ocidentais.


Alec Guinness e Gary Oldman
Duas gerações de brilhantes actores
Personificando o célebre espião  George Smiley

John Le Carré, ao longo dos capítulos de “O Ilustre Colegial”, vai-nos apresentar personagens já conhecidas do leitor, desenrolando-se a acção em diversos cenários, que nos são oferecidos em capítulos distintos, ao mesmo tempo que descobrimos o retrato bem mordaz com que John Le Carré caracteriza o jornalismo praticado nesses tempos da Guerra Fria, em que não há almoços grátis e os inocentes são uma raça em via de extinção

A escrita de John Le Carré, tendo em conta o tema que retrata e que tão bem conheceu, surge minuciosa e detalhada em todos os pormenores da acção, obrigando o leitor a absorver cuidadosamente todos os detalhes referidos ao longo do livro para compreender a trama que se está a desenrolar, onde a contra-informação é, se preferirem, a intoxicação de informação usando os jornalistas como correia de transmissão é um dado mais do que adquirido.


John Le Carré 
Um soberbo observador do nosso tempo

John Le Carré, ao longo do seu percurso literário, tem-se revelado um dos mais admiráveis escritores de romances policiais, sempre no cerne do acontecimento político e tantas vezes incómodo para as autoridades, que olham sempre com desconfiança o aparecimento de um novo livro do escritor no universo literário.

Podemos até imaginar os frequentadores desses corredores cinzentos onde se movimentam os serviços secretos, com as suas inevitáveis casas seguras e os seus escritórios camuflados de firmas de advogados a murmurarem uns com ou outros; “mas que será que ele descobriu agora, para nos atormentar?”

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