sábado, 4 de junho de 2016

David Bowie Moviestar – Parte 1


David Bowie, antes de partir, deixou para a posteridade dois universos: o da música e o do cinema. Em ambos foi genial, mas se o da música é por demais conhecido e ainda bem, já o do cinema merece ser redescoberto, por isso mesmo decidimos hoje falar aqui das suas prestações cinematográficas, excluindo aquelas que se encontram ligadas ao universo dos vídeo-clips, cujo último legado foi o conhecido “Blackstar”.



"The Man Who Fell to Earth"

Tudo começou numa curta-metragem intitulada “Image”, dirigida por Michael Armstrong, nesse ano de todos os perigos ou seja 1968, depois foi uma longa pausa em que se dedicou exclusivamente à música dando vida à personagem Ziggy Stardust, acompanhada desses Spiders of Mars, que se revelaram os melhores actores “dessa longa-metragem” denominada “Glam Rock”. Mas em 1976 o cineasta britânico Nicolas Roeg irá convidá-lo para protagonista da sua película “The Man Who Fell to Earth”, que em Portugal foi baptizada por “O Homem que veio do Espaço”, revelando-se David Bowie a alma do filme, já que tudo se passa em seu redor, ficando para sempre na memória de todos a sequência em que David Bowie corta o desejo da visão em frente do espelho, numa homenagem ao realizador Luis Buñuel e ao movimento surrealista no cinema, do qual o cineasta espanhol foi um dos expoentes.


"Just a Gigolo"

Após a feitura deste filme, David Bowie parte para Berlin para se dedicar inteiramente à pintura e à música, dando origem ao denominado período de Berlin, musicalmente falado, e que se irá revelar um marco no interior da sua extensa discografia, mas ainda em Berlin, David Bowie irá surgir numa peça intitulada “Just a Gigolo”, ao lado de Marlene Dietrich e Kim Novak, que irá despertar o interesse do actor/realizador David Hemmings que decide passá-la ao grande écran, convidando Bowie para o repetir na tela o papel que tão bem desempenhara no palco.



"The Hunger"

Na realidade David Bowie iniciava assim uma carreira no cinema que, embora fosse esporádica, dada a sua relação a tempo inteiro com o universo musical, começava também a dar nas vistas e quando o vimos como um dos protagonistas do genial “The Hunger” / Fome de Viver” de Tony Scott em 1982, numa história de vampiros bem contemporânea, que embora longínqua dos filmes do género que fizeram o sucesso da produtora Britânica Hammer e nos revelaram nos anos sessenta actores como Christopher Lee e Peter Cushing, estaria mais próximo dessa revisão do género que foi levada acabo por Andy Warhol e Paul Morrissey. Em “The Hunger”, a interpretação de Bowie é memorável e o seu envelhecimento ao longo do filme de antologia, sendo até curioso comparar a sua interpretação no filme de Tony Scott, com a que ele nos dá no seu último trabalho videográfico nascido com “Darkstar”.


"Merry Christmas Mr. Lawrence"

No ano seguinte David Robert Jones, também conhecido como David Bowie irá ser escolhido pelo cineasta japonês Nagisa Oshima para protagonista do seu filme “Merry Christmas Mr. Lawrence” / “Feliz Natal Mr. Lawrence”, interpretando um oficial britânico prisioneiro do exército japonês, num daqueles campos de concentração de má memória para a humanidade.


"Yellowbeard"

Nesse mesmo ano, 1983, Daviv Bowie irá oferecer-nos uma personagem com a bonita idade de 150 anos na película “Yellowbeard” de Mel Damsky, para depois em “Ziggy Stardust” nos oferecer aquele que é considerado por muitos como o melhor concerto, onde se despedia da mais famosa personagem a que deu corpo e alma nos seus espectáculos ao vivo, revelando uma vez mais toda a sua magia de verdadeiro camaleão, vestindo e despindo personagens ao correr do tempo.
(continua)

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