quarta-feira, 11 de maio de 2016

Steven Spielberg – “Munique” / “Munich”


Steven Spielberg – "Munique" / "Munich"
(EUA -2005) – (164 min. / Cor)
Eric Bana, Daniel Craig, Ciaran Hinds, Mathieu Kassovitz, Hans Zichler, Geoffrey Rush.

Com “Munique” / “Munich”, mergulhamos num dos acontecimentos que deixou o mundo em estado de choque: estávamos em plenos Jogos Olímpicos de Munique, no ano de 1972, a tranquilidade na aldeia olímpica era perfeita, até ao momento em que um comando da OLP se infiltra nas instalações e sequestra atletas da equipa olímpica de Israel. As televisões que faziam a cobertura correm para o local, assim como a polícia, e o terror instala-se. Muitos de nós acompanhámos, na época, os acontecimentos em directo e o balanço final foram 11 atletas mortos.


Steven Spielberg, ao passar para o cinema estes acontecimentos, decidiu contar-nos o que se passou a seguir, ou seja a resposta de Israel através da Mossad aos acontecimentos e ao não tomar partido por um dos lados jogou uma cartada arriscada.

Os métodos da Mossad, como todos sabemos, são “olho por olho dente por dente” e será assim que iremos descobrir no filme a resposta que a primeira-ministra de Israel, Golda Meir, irá encontrar para fazer frente aos homens que prepararam o atentado, constituindo um grupo de cinco elementos que irá dedicar muitos anos da sua vida a eliminar os responsáveis pela operação Palestiniana.


Avner (Eric Bana, numa interpretação extraordinária, recordam-se dele em “Cercados”?), filho de militares, irá ser o chefe da operação desse pequeno grupo constituído por Steve (Daniel Craig), Cal (Ciáran Hinds), Robert (Mathieu Kassovitz), Hans (Hans Zichler, um dos maiores actores do cinema alemão), que irão agir “à margem de qualquer lei”, porque eles simplesmente não existem. E aqui estamos em pleno território do “thriller” com contornos históricos, chegando o “suspense” a ter aspectos profundamente “hitchcockianos”.


Tal como sucedia com esse filme espantoso de George Roy Hill, “A Rapariga do Tambor”, baseado no magnifico livro de John Le Carré, iremos lentamente descobrindo como funcionam os apoios palestinianos em território Europeu, recorde-se que os grupos que na época agiam na Europa, através de atentados, tinham apoio e treino nos países árabes, dando em troca apoio logístico às operações palestinianas: atentados bombistas e desvio de aviões. 


Este comando, sem rosto, irá ao longo dos anos ter apenas um contacto em Israel através de Ephraim (Geoffrey Rush, sempre excelente), já que oficialmente o Estado de Israel desconhece a sua existência e ao actuarem da mesma forma fria, eles irão descobrir como um homem intitulado Papa (o sempre excelente Michael Lonsdale) consegue “mexer os cordelinhos”, dando informações a ambos os campos em confronto, entrando assim nesse sub-mundo da espionagem em que a moral não existe. E será essa mesma moral, através da consciência, que irá perseguir Avner ao longo do resto da sua vida, mesmo depois da missão cumprida, deixando pelo caminho muitos dos seus companheiros dessa operação, que irá mudar para sempre a sua forma de olhar o mundo em que vive.


Steven Spielberg, como todos sabemos, apostou tudo neste filme, revelando mais uma vez o fabuloso cineasta que vive nele, mas o público não respondeu à chamada e depois de alguns desastres na “Box-Office”, o cineasta que aqui tudo tinha apostado, mais uma vez perdeu. Parecia que o mundo não estava preparado para receber este filme e as críticas vieram de todos os lados, tanto de Israel como do lado Palestiniano.


Ao revermos hoje em dia “Munique” / "Munich" de Steven Spielberg, somos obrigados a reconhecer nele a marca indiscutível do cineasta, mas também essa eterna interrogação: como agir perante a violência?

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