terça-feira, 17 de maio de 2016

Alfred Hitchcock - “Ringue de Boxe” / "The Ring”


Alfred Hitchcock – "Ringue de Boxe" / "The Ring"
(ING – 1927) – (87 min. / Mudo)
Carl Brisson, Lillian Hall-Davis, Ian Hunter, Forrester Harvey.

“The Ring”, que em português teve o título “Ringue de Boxe”, surge aqui como uma moeda de duas faces, porque ele tanto diz respeito ao ringue de boxe como também ao anel de noivado, podendo até ser possível olhar uma pulseira como uma outra fase de “The Ring” ou seja o elemento de toda a intriga. E por falar em intriga, será de referir que o argumento da película foi assinado pelo próprio Alfred Hitchcock, o que é desde já um dado a valorizar porque, como o próprio referiu, este seria o seu segundo filme, no verdadeiro sentido Hitchcockiano, embora seja a sua quinta película em dois anos de actividade.


Entramos no filme através de um parque de diversões e, lentamente, somos introduzidos no meio dos espectadores para assistir aos diversos espectáculos existentes na feira, onde iremos encontrar diversas situações em que a comédia nos pisca o olho, até chegarmos ao local onde “One Round Jack” convida os espectadores a defrontá-lo no ringue, iremos assim assistir a diversos combates caricatos, até que um espectador muito bem vestido decide defrontar o pugilista e quando o combate começa percebemos que Jack Sanders (Carl Brisson) encontrou um adversário à sua altura e só depois de este o ter derrotado e ganho o prémio descobrimos que ele é um pugilista profissional e campeão. E será por esse facto que Nelly, a rapariga que vende os bilhetes na entrada, se sente atraída por este intruso vencedor e Bob Corby (Ian Hunter), que não deixa os seus atributos por mão alheia, apercebendo-se da situação, decide cortejá-la oferecendo-lhe uma pulseira em forma de serpente com o dinheiro ganho. E esta pulseira, com a sua serpente, irá representar a tentação e o pecado ao longo do filme, já que Nelly (Lilian Hall-Davis) está noiva de Jack Sanders.


Bob Corby, o adversário, é um homem mundano e inteligente e por essa mesma razão decide convidar Jack Sanders para trabalhar com ele no ringue, garantindo desta forma a presença da amada, que entretanto se casa com o seu amor de sempre, embora continue fascinada pelo mundo do campeão de boxe. Iremos assim assistir ao afastamento cada vez maior dela do marido, ao mesmo tempo que ele vai subindo na carreira, iniciando-se no mundo do boxe. Hitchcock irá dar-nos ao longo da película essa mesma ascensão, através dos cartazes que anunciam os diversos combates. Jack Sanders vê o seu nome a aumentar de tamanho ao mesmo tempo que a sua companheira está cada vez mais ausente. Até que chega o dia do confronto da vida no interior do ringue entre Sanders e Corby, sendo o combate aqui também pela posse de uma mulher.


Descobrimos, neste filme de 1927, elementos que iremos reencontrar muitos anos depois, desde os convidados do casamento, ou seja a trupe da feira irá reaparecer em “Sabotagem” estando as irmãs siamesas já presentes, assim como todo o ambiente da feira irá ser redescoberto em “O Desconhecido do Norte-Expresso”, por outro lado, quando se dá o primeiro combate, vemos Nelly a espreitar por uma janela para o interior da tenda para ver o que se passa, como se ela fosse o James Stewart de “Janela Indiscreta” / “Rear Window”. A forma como Hitchcock filma o combate, dentro e fora do ringue, oferecendo-nos o tormento amoroso vivido por Nelly, oferece-nos já todo o saber do Mestre do Suspense, para além de muitos outros planos que começam a nascer neste filme na cartilha Hitchcockiana.


“The Ring”, de Alfred Hitchcock, é uma aventura maravilhosa pelo território do cinema mudo, esse universo cinematográfico que é urgente descobrir.

Sem comentários:

Enviar um comentário