domingo, 29 de maio de 2016

D. W. Griffith – “True Heart Susie”


D. W. Griffith – "True Heart Susie"
(EUA – 1919) - (86 min. - Mudo - P/B)
Lilian Gish, Robert Harron, Walter Rhigby, Loyola O’Connor.

Como todos sabemos, D. W. Griffith é o pai da linguagem cinematográfica. Com ele o cinema criou a Sétima Arte e se foi desde sempre uma daquelas figuras incontornáveis, com êxitos estrondosos e obras cada vez mais fabulosas, envolvendo grandes meios, seria precisamente com "Intolerance" / "Intolerância" que ele iria conhecer pela primeira vez o insucesso comercial, a sua última película foi "The Struggle" em 1931, terminando os seus dias a viver num quarto de hotel, esquecido por todos e no entanto devemos-lhe tudo (*), sejamos nós simples cinéfilos ou profissionais do ramo. No seu funeral foram poucos os presentes e até Charlie Chaplin, que com ele fundou a "United Artist" (os outros companheiros dessa aventura eram Douglas Fairbanks e Mary Pickford), não esteve presente na derradeira despedida do pai da linguagem cinematográfica. D. W. Griffith, tal como George Méliès (esse verdadeiro Mágico dos efeitos especiais), viveu os seus dias amando o cinema do qual foi um dos fundadores.


Esta película de D. W. Griffith oferece-nos a eterna teia amorosa, em que A ("True Heart Susie"/Lillian Gish) ama B ("William Jenkins"/Robert Harron), que se apaixona e casa com C ("Bettina Hopkins"/Clarina Seymour), que trai B para este, no final, ficar com A, será que perceberam? Trata-se apenas do tão conhecido triângulo amoroso que tantas histórias ofereceu à Sétima Arte e que continua a habitar o quotidiano do ser humano, neste universo onde os sentimentos continuam a ceder às mais variadas paixões.


Com a bonita idade de quase um século de vida, “True Heart Susie” de David Wark Griffith, apesar de ter visto perdida a partitura que foi composta aquando da sua estreia, comprova que hoje em dia pouco se inventa no cinema, estando nesta película, como em outros filmes da mesma época, a trave mestra de todas as histórias de amor, que vamos descobrindo nas telas das salas de cinema ou no pequeno écran.


Lillian Gish a eterna Star de D. W. Griffith

Olhar o nascimento do Cinema, através do rosto de Lillian Gish e das imagens de David Wark Griffith é descobrir os primeiros passos dessa criança chamada Sétima Arte e "True Heart Susie" revela-se como um dos mais belos e deliciosos exemplos nascidos desse casamento entre cineasta e actriz, tornando inesquecível o talento desta maravilhosa actriz que sempre se referiu ao cineasta como Mr. Griffith, ao longo da sua vida.

(*) - Esse grande cineasta e teórico chamado Sergei Eisenstein demonstrou o seu reconhecimento pelo cineasta americano, ao escrever um longo texto sobre a sua Arte intitulado "Dickens, Griffith e nós", que ficou célebre.

2 comentários:

  1. O meu primeiro filme mudo em ecran grande e que delícia foi vê-lo na Cinemateca.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Na verdade ver um filme mudo numa sala de cinema e com acompanhamento musical é uma verdadeira delícia.
      Beijinhos

      Eliminar