quinta-feira, 26 de maio de 2016

Carl Dreyer - “A Paixão de Joana D’Arc” / “La Passion de Jeanne D’Arc”


Carl Dreyer – "A Paixão de Joana D'Arc" / "La Passion de Jeanne D'Arc"
(FRANÇA – 1928) - (110 min – P/B  - Mudo)
Falconetti, Eugéne Silvain, André Berlly, Maurice Schultz.

A história de Joana D’Arc já foi por diversas vezes retratada no cinema, ao longo dos anos, mas será a visão que nos ofereceu o dinamarquês Carl Theodor Dreyer que fica para sempre registada como a obra-prima absoluta.


Maria Falconetti
Uma Actriz Inesquecível

O cinema de Carl Dreyer, na época, era já conhecido de todos, mas para o enorme esplendor da película contribuiu decididamente o rosto mais que expressivo de Falconetti, actriz oriunda da Comédie-Française (este seria o seu único filme), que aceitou rapar o cabelo e oferecer todo o seu talento ao protagonizar esta filha do povo, que um dia se viu traída pelos seus pares, ficando prisioneira dos ocupantes ingleses, que a irão julgar e torturar, para depois a condenarem a morrer na fogueira.


Carl Dreyer

A forma como Carl Dreyer nos oferece o rosto martirizado de Falconetti, com aquele olhar que ficou na História do Cinema e que faz arrepiar o mais comum dos mortais, fala por si. Aliás Jean-Luc Godard faz a sua homenagem a este filme quando, em “Vivre sa Vie” / “Viver a sua Vida”, Anna Karina vai ao cinema ver a película de Dreyer e descobrimos o campo-contracampo dos rostos de Karina e Falconetti, num dos momentos mais sublimes deste maravilhoso e inesquecível filme de Jean-Luc Godard.


Em “A Paixão de Joana D’Arc”, o cineasta dinamarquês usa o grande plano com uma força expressiva até então nunca vista e sentimos o próprio medo a invadir-nos o corpo, quando deparamos com o rosto dos carrascos sem alma que interrogam a prisioneira. Na verdade, ao (re)vermos “La Passion de Jeanne D’Arc”, sentimos o respirar da própria alma e, à medida que se aproxima o fim da jovem heroína, as lágrimas que lhe correm pelo rosto dizem mais que todas as palavras possíveis.


Carl Dreyer, a propósito deste filme, afirmou que o pretendido era mostrar que os heróis da História são também profundamente humanos.


A “Paixão de Joana D’Arc” de Carl Dreyer oferece-nos um verdadeiro rio de sentimentos, nesse rosto angélico e torturado dessa espantosa actriz chamada Marie Falconetti.

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