sábado, 28 de maio de 2016

Fritz Lang - “A Morte Cansada” / “Der Mude Tod”


Fritz Lang – "A Morte Cansada" / "Der Mude Tod"
(ALE – 1921) – (114 min. –  P/B - Mudo)
Lil Dagover, Walter Janssen, Bernhard Goetzke, Hans Sternberg.

Quando se fala na presença da morte como personagem no interior do cinema, de imediato nos recordamos de “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman mas, muitos anos antes, Fritz Lang já nos tinha oferecido essa temível “personagem” em “A Morte Cansada” / “Der Mude Tod”, cujo argumento nasceu das mãos de Thea von Harbou, na primeira de muitas colaborações entre o cineasta e aquela que viria a ser sua mulher.


Estamos no ano de 1921 e Lang decide dividir a sua película em segmentos bem distintos, introduzindo a acção da película em três épocas diferentes: a Veneza Renascentista, a China Antiga e esse território das mil e uma noites, de que Bagdad, com os seus califas, invadiu o imaginário Ocidental, ao longo de diversas gerações


Tudo irá começar quando um jovem casal, eternamente apaixonado, entra numa velha estalagem alemã, que nos oferece um retrato perfeito dos habitantes da vila, incluindo uma estranha personagem vestida de negro que construiu, num terreno próximo do cemitério, um muro intransponível, sem porta, nem janelas, sendo desconhecido de todos o que existe no seu interior.


O jovem será raptado pela própria morte e só através do sonho a sua amante o irá encontrar, sendo transportada para esses territórios longínquos, onde se desenrola a acção. O tempo/vida oferecido pela morte à jovem, para demonstrar o seu amor pelo marido, é determinado por enormes velas que ardem lentamente, terminando a terrível passagem do tempo com a extinção das chamas das velas.
Desta forma, por três vezes, a jovem irá encontrar-se através do sonho com o ser amado, acabando por sacrificar a sua própria vida ao salvar uma criança, para desta forma se juntar na eternidade ao homem por quem se encontra apaixonada.


Contando na fotografia com o genial Fritz Arno Wagner, o cineasta oferece-nos um retrato profundo sobre o amor, ao mesmo tempo que nos revela os caminhos movediços por onde a morte navega, jogando de forma impiedosa com a existência humana.

“A Morte Cansada” oferece-nos, mais uma vez, a força do expressionismo germânico, dando-nos Fritz Lang mais uma obra-prima do cinema, que continua a surpreender, muitos anos depois, todos aqueles que a descobrem no écran.

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