terça-feira, 19 de abril de 2016

Tangerine Dream – Kraftwerk - Cluster - Klaus Schulze



No início dos anos setenta surgiu na Alemanha um novo som: uns chamaram-lhe simplesmente rock alemão, outros  música cósmica ou krautrock.
Nessa época, a então Republica Federal Alemã vivia a sua época de ouro e a sua sociedade industrializada foi transferida para as pautas musicais. Grupos como os Tangerine Dream, Kraftwerk, Cluster, Harmonia entre outros e nomes como Klaus Schulze, Michael Rother e Peter Baumann surgiram no panorama musical, criando novas sonoridades

Os primeiros concertos dos Tangerine Dream eram reflexo da pintura de Salvador Dali e a sua música era uma grandiosa paisagem de sonoridades. Pequenas editoras como a “Brain” e a “Sky” apareceram no mercado e se para alguns esta música era produto de génios, para outros surgia como breve loucura de intelectuais, com demasiados meios electrónicos ao seu dispor.



Os Tangerine Dream surgiram como uma das grandes escolas e trabalhos como “Zeit”, “Phaedra” e “Rubycon” são disso a prova perfeita, pertencentes à sua primeira fase, onde nomes como Klaus Schulze, Peter Baumann e Edgar Froese se tornaram referência. Mas Schulze foi o primeiro a abandonar o projecto, optando por uma carreira a solo, onde são patentes referências a Richard Wagner, caso de “Timewind”, operáticas em “Black Dance” ou orientais em “Body Love”. Os seus álbuns “Irrlicht” e “Mirage”, assim como a beleza de “Moondawn” são exemplos de outros territórios explorados por este mago da música eléctronica. Por outro lado a sua participação no projecto “Go” de Stomu Yamashata é bem demonstrativa das suas capacidades criativas.



Peter Baumann é outra pedra fundamental do edifício dos Tangerine Dream, tendo sido o responsável pela fase mais bela deste grupo, onde também se destacam obras como “Stratosfear” e “Ricochet”, acabando por também ele por partir para uma carreira a solo com “Romance 76”: uma genial sinfonia sintetizada. O seu mais belo trabalho desta área é o magnífico “Trans Harmonic Nights”, de grande riqueza sonora, bem patente no trabalho que irá desenvolver mais tarde como produtor na editora “Private Music”.


O líder indiscutível dos Tangerine Dream é, como todos sabemos, Edgar Froese que ao longo da carreira no grupo germânico, também assinou a título individual diversos trabalhos discográficos sendo sempre de registar essa obras-primas intituladas “Aqua” e "Epsylon in Malasyan Pale”, dois dos mais importantes e originais registos deste movimento.


No lado oposto estavam os Kraftwerk, criadores da tecno-pop, com referências à música barroca nos seus primeiros trabalhos. Foi com o célebre “Autobahn” que o grupo de Ralf Hutter e Florian Schneider descobriu o sucesso, depois “Rádio Activity” e “Trans Europe Express” (este último com uma homenagem a Franz Schubert) incorporaram a sua música robótica nos tops, como muitos devem estar recordados. “Man Machine” e “Computer World” ofereceram-lhes definitivamente o estatuto de estrelas, sendo o seu “Electric Cafe”, infelizmente pouco conhecido, um dos mais belos exercícios musicais, com uma filosofia própria, já bem patente nas obras anteriores. Após o lançamento do “The Mix” onde são revisitados os seus trabalhos, os Kraftwerk demonstraram serem eles os pais da tecno-pop e os mais criativos.


Os Cluster de Moebius e Rodelius desenvolveram um trabalho de uma beleza absoluta ao longo do tempo, sendo o trabalho do produtor Conny Plank demasiado importante para nos esquecermos dele. Quando escutamos os seus álbuns, “After the Heat” e “Cluster & Eno”, “Sowiesoso” ou “Zuckerzeit”, os dois primeiros em colaboração com esse mago da música ambiental chamado Brian Eno, descobrimos um universo mágico e transcendental que nos convidam à meditação, tal como sucede com os “Harmonia” e Michael Rother.


Música Electrónica, Krautrock ou Ambiente Music, seja qual for a corrente ou denominação musical, já possuem uma História própria no interior da Música Contemporânea e navegar por elas revela-se uma viagem verdadeiramente aliciante.

2 comentários:

  1. Adoro os Kraftwerk, desconhecia os outros grupos. Irei averiguar :)

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    1. Obrigado pelo comentário. Recomendo a descoberta deste universo musical, revela.se intemporal, incluindo os primeiros álbuns dos Kraftwerk muito pouco divulgados.

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