quinta-feira, 7 de abril de 2016

François Ozon - “Potiche”


François Ozon – "Potiche"
(FRANÇA – 2010) – (103 min. / Cor)
Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard, Judith Godrèche, Jérèmie Renier.

François Ozon regressou à comédia, contando no elenco com dois nomes sonantes do cinema francês: Catherine Deneuve e Gérard Depardieu. Mas também será sempre de salientar o contributo memorável oferecido por Karin Viard, na figura da secretária do patrão (recordam-se dela em “A Nova Eva”?) e de Fabrice Luchini, que vimos em “Paris”, nessa figura típica e incontornável desse patrão da década de setenta do século XX.


“Potiche” é um termo equivalente ao célebre “dondoca” e nesta comédia genial de François Ozon, a madame Suzanne Pujol (Catherine Deneuve) é uma verdadeira Potiche que se dedica a cuidar dos filhos, que já não precisam de cuidados, a tratar da casa, embora tenha empregados que lhe tratam de tudo, a amar o marido (embora ele tenha na secretária a amante perfeita e nas meninas da boite o seu suplemento), a escrever os seus estranhos poemas, conversando com o estimável esquilo, logo no início do filme, não se esquecendo do habitual exercício físico, para se manter em forma.
Suzanne Pujol revela-se o retrato perfeito da famosa “dondoca” ou “potiche” se preferirem o termo francês, mas quando o marido é sequestrado pelos operários na fábrica que exigem melhores condições, ela terá que arregaçar as mangas e tomar conta da fábrica de chapéus-de-chuva, ao mesmo tempo que ira contar com a ajuda do dirigente comunista Maurice Babin (Gérard Depardieu), com quem em tempos idos teve um caso, para levar a bom porto a reconciliação entre trabalhadores e patrão.


A forma como François Ozon nos narra a história é soberba, caracterizando a época com um humor verdadeiramente corrosivo e será sempre curioso comparar esta película com a de Jean-Luc Godard, intitulada “Tout va Bien” / Tudo Vai Bem”, tendo por tema precisamente o sequestro de um patrão numa fábrica e cujo filme foi realizada em meados dos anos setenta, como uma espécie de rescaldo do famoso Maio de 68.
Por outro lado a prestação de Fabrice Luchini (esse fabuloso actor que  trabalha as personagens que interpreta de forma inesquecível para o espectador), na figura do temível patrão Robert Pujol, apresenta-se extremamente bem desenhada, já que assistimos ao longo do filme à sua queda, sendo substituído pela esposa “dondoca” no comando dos destinos da fábrica, para depois aceitar os factos, enquanto prepara na sombra o seu regresso, manipulando tudo e todos, conseguindo na célebre reunião da administração da empresa conquistar o voto da sua filha, que assim trai a mãe, possibilitando desta forma o regresso do controlo da fábrica às mãos do seu querido pai, que já tem em seu poder um estudo que prepara a deslocalização da fábrica para a Ásia, esse belo território sem conflitos laborais e onde a mão-de-obra é muito mais barata.


François Ozon com “Potiche – Minha Querida Mulherzinha” fala-nos também da célebre emancipação feminina, não só através da figura de Madame Suzanne Pujol (Catherine Deneuve), a Potiche da película, que se irá libertar do marido, mas também de Nadège (Karin Viard), a amante do patrão, que irá enfrentá-lo, recusando manter esse sempre difícil estatuto de ser a outra, como refere Maria Bethânia na sua célebre canção. “Potiche” não é só uma deliciosa e inesquecível comédia, mas também um magnifico  retrato sociológico de uma época, num filme que usa o humor como a mais bela das armas subversivas. 

4 comentários:

  1. Respostas
    1. O François Ozon é genial e nas comédias simplesmente fabuloso!
      Beijinhos

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  2. Parece-me uma óptima sugestão. O cinema francês só me tem dado "alegrias" ultimamente, vou adicionar à minha lista.

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    1. "Potiche" é para mim a melhor comédia de François Ozon, um cineasta que recomendo e que não pára de nos surpreender. Um outro filme que recomendo dele é o "Swimming Pool", a personagem principal é uma escritora (Charlotte Rampling), um filme surpreendente.
      Obrigado pela visita e comentário.

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