quinta-feira, 21 de abril de 2016

André Téchiné - “Os Juncos Silvestres” / “Les Roseaux Sauvages”


André Téchiné - "Os Juncos Silvestres" / "Les Roseaux Sauvages"
(FRA – 1994) – (110 min. / Cor)
Elodie Bouchez, Gael Morel, Stéphane Rideau, Fréderic Gorny.

André Téchiné, embora não pertença à geração da “nouvelle vague” que ofereceu novos mundos ao cinema francês, tem construído ao longo dos anos uma obra onde a marca de autor é bem patente e, quando realizou em 1994 a película “Os Juncos Silvestres” / “Les Roseaux Sauvages”, o seu cinema era já por demais bem conhecido de todos.
Situando a acção do filme no ano de 1962 e no sul da França, nessa época em que a Guerra de Argel abria grandes feridas na nação francesa, Téchiné decide contar-nos a história de três jovens adolescentes, uma rapariga e dois rapazes, nesse preciso momento em que a adolescência explode com as inevitáveis paixões, sendo uma delas subterrânea.


Apostando nas contradições dos sentimentos, André Téchiné envolve “Os Juncos Silvestres” / “Les Roseaux Sauvages” num ambiente verdadeiramente bucólico, onde o desejo possui o terreno propício a se desenvolver, veja-se aliás como nos é oferecida essa ida até ao rio, onde a luminosidade e o saber do cineasta invadem a paisagem e os corpos, oferecendo-nos uma verdadeira elegia ao amor e à natureza.


Mais uma vez, André Téchiné oferece-nos uma película bem pessoal, apostando em intérpretes sem “curriculum” transformando-os, na época, em profundas revelações nessa arte difícil da interpretação cinematográfica enquanto por outro lado, ao optar por uma visão naturalista, o cineasta consegue enquadrar com harmonia o conflito que então se vivia, a guerra de Argel, no interior do quotidiano francês, em particular esse território onde despontam as paixões adolescentes, que tão bem retrata nesta película.
“Os Juncos Silvestres” / “Les Roseaux Sauvages”, nesse ano de 1994, irá ser galardoado com os Césars para Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento e Revelação Feminina (Elodie Bouchez).

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