sábado, 9 de abril de 2016

João Tavares - “Os Crimes de Diogo Alves”


João Tavares – "Os Crimes de Diogo Alves"
(PORTUGAL – 1911) – (23 min – Mudo - P/B)
Alfredo de Sousa, Narciso Vaz, Artur Braga, Amélia Soares.

“Os Crimes de Diogo Alves” surge no panorama do Cinema Português como a primeira película de fundo dramático, rompendo com o documentarismo até então existente.
O perigoso bandido que aterrorizou Lisboa durante três longos anos, de 1836 a 1839, serviu de tema a inúmeros romances de cordel, muito em voga na época, tendo sido objecto de uma primeira adaptação em 1909, cujo filme irá permanecer inacabado, em virtude de alguns dos protagonistas terem sido obrigados a abandonar o projecto devido aos seus afazeres profissionais no teatro, partindo em digressão por terras brasileiras.


Curiosamente seria João Tavares, um dos elementos do primeiro elenco, a concretizar o projecto, contando na fotografia com João Freire Correia e Manuel Cardoso. Utilizando diversos exteriores, bem conhecidos dos Lisboetas e revelando um certo saber da matéria fílmica, João Tavares irá transmitir de forma perfeita as atrocidades deste bandido que não olhava a meios para atingir os seus fins, ficando célebre a sequência rodada no Aqueduto das Águas Livres.


Numa época em que o cinema dava os seus primeiros passos, “Os Crimes de Diogo Alves” acaba por se revelar um perfeito representante do cinema que nascia em Portugal.
Recorde-se que, na estreia da película, os actores se encontravam por detrás do palco dando voz às respectivas personagens, ao mesmo tempo que se escutava o respectivo acompanhamento musical, marcando o dramatismo da acção da película.
Verifica-se assim como o cinema feito em Portugal, a dar os seus primeiros passos, já era possuidor desse olhar universal que sempre caracterizou a Sétima Arte.

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