sexta-feira, 1 de abril de 2016

Barry Levinson - “O Enigma da Pirâmide” / “Young Sherlock Holmes”


Barry Levinson - "O Enigma da Pirâmide" / "Young Sherlock Holmes"
(ING/EUA/NOR – 1985) – (126 min./ Cor)
Nicholas Rowe, Alan Cox, Sophie Ward, Anthony Higgins.

Nos dias de hoje, se surgisse na televisão e na net o anúncio de um filme produzido por Steven Spielberg, com efeitos visuais nunca vistos até hoje da responsabilidade de John Lasseter, com realização de Barry Levinson e argumento de Chris "Harry Potter" Columbus... as salas estariam cheias!
No entanto não foi isso que aconteceu com "Young Sherlock Holmes" / “O Enigma da Pirâmide”, um verdadeiro desastre de bilheteira, apesar de toda a genialidade e imaginário nele contido. Steven Spielberg na época não ficou falido, porque nesse tempo sabia gerir muito bem os meios de que dispunha, ao contrário que sucedia com o seu amigo Francis Ford Coppola e nesse mesmo ano Spielberg irá produzir o blockbuster "Regresso ao Futuro” / “Back to the Future”, de Robert Zemeckis, ao mesmo tempo que realizava "A Cor Púrpura" / “The Color Purple”.


Façamos um pouco de história para situar este filme magnifico, que se encontra a passar em cópia restaurada no canal de televisão Arte, estávamos no ano de 1985 e Barry Levinson concluíra "Pyramid of Fear" (nome inicial da película), mas Steven Spielberg não estava nada satisfeito e então foi decidido mudar o nome da película para "Young Sherlock Holmes", depois foram filmadas novas sequências, efectuada uma nova montagem e após uma atribulada produção o filme foi lançado no mercado norte-americano, mas o público americano nunca foi grande adepto do herói criado por Conan Doyle, ao contrário do europeu e o insucesso bateu à porta do “Wonder-Boy”.


Barry Levinson, que já possuía no seu curriculum obras como "Dinner" / “Adeus Amigos”ou "Um Homem Fora de Série" / “The Natural”, surpreendeu muito boa gente ao conseguir recriar em "O Enigma da Pirâmide" o clima das películas britânicas, não nos esqueçamos da famosa série da BBC que tinha Sherlock Holmes como herói, baseando-se num inteligente argumento de Chris Columbus, na época ainda argumentista, hoje é conhecido por muitos como o primeiro responsável das aventuras de Harry Potter no grande écran mas, nesses anos longínquos, já tinha assinado os argumentos de dois divertos filmes:  os famosos "Gremlins" de Joe Dante e os conhecidos"Gonnies" de Richard Donner.


Por outro lado, ao acompanharmos a vida no colégio de Holmes e Watson iremos perceber que o famoso ambiente vivido no colégio nos filmes de Harry Potter já se encontrava aqui todo delineado, por vezes até só nos falta ver surgir as conhecidas personagens ao lado de Sherlock Holmes, o que vem confirmar que a memória do cinema continua a ser um excelente território de inspiração numa época em que as ideias escasseiam.


Nesta película genial de Barry Levinson, somos convidados a descobrir a juventude de Sherlock Holmes e situando o seu encontro com John Watson no colégio, Chris Columbus oferece algumas resposta às questões colocadas ao longo do tempo pelos amantes das Histórias de Conan Doyle e do seu famoso detective.


O jovem Holmes, com uma inteligência bem acima da média, revela-se já um excelente observador e o jovem Watson (com certas semelhanças físicas com a personagem de Harry Potter), um seu admirador incansável, amante de bolos e que vê a futura carreira médica constantemente adiada e em perigo, devido ao amigo.
Os dois constituem uma dupla magnífica, numa pequena obra-prima cheia de requinte e com um cuidadoso trabalho de reconstituição histórica, para além dos soberbos efeitos especiais, memorável a sequência do duelo que, só muitos anos mais tarde, iríamos reencontrar nos últimos capítulos de "Star Wars" de George Lucas, recorde-se que na época em que Barry Levinson realiza este filme John Lasseter era funcionário da “Industrial Light and Magic” de George Lucas.


A narração desta primeira aventura de Sherlock Holmes, em luta com a seita egípcia “El Tar” é feita por Watson, na sua forma muito peculiar, mas não podemos deixar de sugerir que comparem a interpretação de Anthony Higgins (o professor mentor de Holmes na esgrima) nesta película com a do filme de Peter Greenaway "O Contrato"/"The Draugtman's Contract", para percebermos a qualidade interpretativa deste excelente actor britânico.


Chris Columbus explica-nos, no seu argumento, a origem da capa, do chapéu e do célebre cachimbo que Sherlock Holmes usa, quem é o Professor Moriarty, assim como a solidão que habita a sua casa, motivada não por um desinteresse do sexo oposto, mas sim pela memória da sua amada, guardando silenciosamente a recordação daquela que morreu durante a investigação do seu primeiro caso: "O Enigma da Pirâmide".


"Young Sherlock Holmes" é um maravilhoso divertimento, possuindo no seu interior a memória da cinefilia e da literatura da adolescência, que por vezes sabe tão bem recordar!

2 comentários:

  1. Só o consegui ver recentemente, mas achei um divertimento fantástico!

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    1. Vi-o quando estreou no cinema S. Jorge se a memória não me falha e adorei o filme desse "desconhecido" chamado Barry Levinson.
      Beijinhos

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