terça-feira, 5 de abril de 2016

Jay McInerney – “As Mil Luzes de Nova Iorque” / "Bright Lights, Big City"


Jay McInerney
"As Mil Luzes de Nova Iorque"
Quetzal, Pag. 171

Jay McInerney viveu um pouco como Jim Morrison, quando era pequeno, sempre de um lado para o outro, quase “coast to coast”, é simpático e o êxito não lhe subiu à cabeça revelando-se um pouco como um dos herdeiros da grande tradição literária norte-americana, ao mesmo tempo que a sombra desse génio chamado Francis Scott Fitzgerald paira sobre ele, basta recordar essa obra-prima que é “Brightness Falls”/”Quando o Brilho Cai”, retrato de uma geração, cuja capa da primeira edição portuguesa na Asa tem uma fotografia das célebres torres gémeas do World Trade Center, sendo o romance apenas um dos mais belos da literatura norte-americana de todos os tempos.

Jay McInerney possui a tal “carteira” universitária e teve como professor esse génio da “short-story” chamada Raymond Carver (dele falaremos um dia destes) e se alguns se recordam de uma emissão do “Artes e Letras” (já lá vão uns anos largos), que foi dedicada precisamente a  Raymond Carver, lembram-se certamente da forma comovida como Jay McInerney falou dele e da sua obra ao lado de Tess Galagher, a esposa do escritor.


A obra-prima Literária de Jay McInerny

Seria através das “short-stories” publicadas na “New Yorker” e na “Esquire” que muitos fixaram o nome do então jovem e desconhecido Jay McInerney, mas a sua magia literária irá ser dada a conhecer ao mundo com a publicação de “As Mil Luzes de Nova Iorque” / “Bright Lights, Big City”, uma novela acerca da “Big Apple” e da sua “fauna” escrita em apenas seis semanas, que tem a a abrir uma citação de “Fiesta” de Ernest Hemingway:

- Como é que foste à falência? – perguntou Bill.
- De duas maneiras – respondeu Mike. – Gradualmente e, depois, de repente.

De imediato Jay McInerney foi apontado, e bem, como um dos “wonder-boys” da nova literatura norte-americana e, como não podia deixar de ser, Hollywood comprou os direitos do livro e o filme nasceu realizado por James Bridges e com o Michael J. Fox no protagonista, como muitos devem estar recordados: era o mundo da moda e não só, com o célebre Studio 54 a fervilhar de sangue, suor e lágrimas. E nunca será demais referir que foi o próprio Jay McInerney que assinou o argumento da película, algo bastante raro no sistema dos Estúdios, e que se revelou excelente, porque o escritor nos ofereceu o melhor da sua escrita, como argumentista.


O romance que revelou Jay McInerney ao Mundo

“Ela dá um passo em frente e beija-te. Devolves-lhe o beijo prolongando-o. O tempo passa. Sentes-te excitado. Pensas em dizer-lhe para ir ao teu apartamento, depois achas melhor não. A renúncia é, por vezes, mais doce que a realização.” 

- Jay McInerney - "As Mil Luzes de Nova Iorque"

Seguiram-se “A História da Minha Vida” / “Story of my life”, ainda um pouco a mesma temática (novela), ao mesmo tempo que as suas “short-stories” viam as suas arestas a serem limadas e aperfeiçoadas até à exaustão, sendo publicadas em diversas revistas.

Quando “Brightness Falls” / “Quando o Brilho Cai” saiu, todos se renderam à sua genialidade e aqui ele, de uma forma inteligente, saiu da grande metrópole e procurou territórios mais propícios para a sua escrita nascendo “Modelos” / “Model Behavior”, uma novela fabulosa acerca do mundo da moda, depois regressou às colectâneas de contos e não resistiu a ir buscar as personagens de “Quando o Brilho Cai” para uma das histórias e a elas irá regressar novamente muitos anos depois.


"Ranson" o brilhante romance japonês de Jay McInerney

E quando todos nos interrogávamos qual seria o caminho a seguir por Jay McInerney, a novela ou o conto, surge um belíssimo romance com os blues e a amizade como pano de fundo, estamos a falar de “O Último dos Savage” / “The Last of the Savages”. A obra tem uma força visual e musical de tal ordem que por vezes o leitor se sente a navegar no Mississipi profundo, em busca da célebre encruzilhada do diabo, que “Walter Hill” nos ofereceu no seu magnifico movie “A Encruzilhada” / “Crossroads”, em que o território dos blues era surpreendentemente invadido por um duelo de dois guitarristas, um com o seu hard-rock e o outro a recriar Bach, como se o compositor fosse um daqueles mestres do blues e como não podia deixar de ser o autor deste duelo só poderia ser o genial Ry Cooder.


A obra literária de Jay McInerney é uma das mais fascinantes da Literatura Contemporânea norte-americana e recomendamos vivamente  a sua descoberta. 

2 comentários:

  1. Sempre adorei este autor tinha me esquecido dele... mas graças a este blog relembrei todos os livros que me marcaram quando era novo e que irei recomprar e reler

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A obra de Jay McInerney continua a ser publicada em Portugal com regularidade e a sua leitura continua a ser aliciante.
      Obrigado pela visita e comentário.

      Eliminar