sexta-feira, 15 de abril de 2016

Eberhard Weber - "The Colours of Chlöe"


Eberhard Weber
"The Colours of Chloe"
ECM Records

“The Colours of Chlöe” de Eberhard Weber possui uma beleza profundamente cativante, explorando territórios musicais e sonoridades desconhecidos de muitos e que vale a pena descobrir.
Foi em Abril de 1974 que a editora ECM Records, do alemão Manfred Eicher, que dava os primeiros passos na criação de um dos mais originais e influentes universos musicais (conhecido na gíria como “o som ECM”), iria subverter por completo os géneros musicais criando um som próprio, fruto de um trabalho de produção verdadeiramente talentoso.

Eberhard Weber, Jan Garbarek e Marilyn Mazur

Em “The Colours of Chloe”, do contrabaixista Eberhard Weber, temos o pianista Rainer Brüninghaus, que também usa o sintetizador, os violoncelos da Südfunk Symphony Orchestra, ao qual se juntam as vozes de Gisela Schäuble e Eberhard Weber, nos coros, para além do característico som do contrabaixo de Eberhard Weber (o instrumento foi construído segundo as suas próprias indicações para ter um som único), e ainda a bateria de Peter Giger e o fliscorne de Ack van Rooyen.
The Colours of Chlöe” inicia-se com o tema “More Colours” surgindo logo a abrir a sonoridade dos violoncelos, que irão preparar o terreno para a entrada dos restantes instrumentos. Já na faixa que dá nome ao álbum iremos assistir a um diálogo sugestivo entre o famoso contrabaixo de Eberhard Weber e a bateria de Ralf Hübner, que só participa neste tema. Ao entrarmos em “An Evening with Vincent van Ritz”, descobrimos não só a voz como puro instrumento, mas também o som saído do fliscorne de Ack van Rooyen, cujas tonalidades envolventes surpreendem de imediato o ouvinte.

Rainer Bruninghaus, Eberhard Weber, Jan Garbarek e Marilyn Mazur

Chegamos assim ao último tema do disco, uma espécie de longa suite, que ocupa a totalidade de um lado do álbum, intitulada “No Motion Picture”, com uma introdução magnifica de Rainer Brüninghaus, sempre devidamente pontuada pelo contrabaixo de Eberhard Weber e da precursão de Peter Giger, até sermos envolvidos pela doçura da voz de Gisela Schäuble, num percurso onde não irão faltar os solos melodiosos, assim como a prestação dos violoncelos da Südfunk Symphony Orchestra, pintando de cores românticas este delicioso tema. 
Por tudo o que ficou aqui escrito, fica bem patente como a música de Eberhard Weber revolucionou o jazz no verdadeiro sentido da palavra, abrindo caminhos até então por explorar, fazendo uma fusão verdadeiramente romântica de diversos estilos, que bem merece ser descoberto por todos, porque a sua música é universal.

2 comentários:

  1. Há uns anos tive a oportunidade de ouvir o quarteto de que fala e foi um concerto extraordinário. Bom fim semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eles são extraordinários tanto ao vivo como em Estúdio. Também tive a oportunidade de ver o Eberhard Weber ao vivo, quando o Jan Garbarek veio tocar ao CCB já lá vai uma dúzia de anos. Obrigado pelo comentário.
      Bom fim-de-semana

      Eliminar