quarta-feira, 13 de abril de 2016

David Bowie – “All Saints” – (Collected Instrumentals 1977 – 1999)


David Bowie
"All Saints" - (Collected Instrumentals 1977 - 1999)
EMI

Quando a notícia da partida de David Bowie chegou a 10 de Janeiro deste ano, estávamos todos maravilhados a descobrir o seu último trabalho discográfico intitulado “Blackstar” e a ver e rever o fabulosos vídeo-clip de que era protagonista no tema “Lazarus”, retirado daquele iria ser o seu derradeiro trabalho. O mundo ficou mais pobre, com a sua partida física do Planeta Azul, mas a sua Música e a sua Arte permanecem bem vivas entre todos nós.


Hoje decidimos recordar um dos  trabalho mais inovadores da sua carreira, que embora seja uma colectânea de temas gravados num período temporal que vai de 1977 a 1999, surge como uma obra homogénea e bem estruturada, eliminando por completo as características que definem uma colectânea, já que o que temos aqui é a reunião do material instrumental produzido durante o denominado período de Berlin, em que David Bowie e Brian Eno criaram dois dos álbuns mais marcantes da década, referimo-nos a “Low” e “Heroes”, cujos lados B do vinil eram totalmente instrumentais tendo até, aquando da sua passagem para CD, os dois músicos acrescentado mais algumas faixas que não tinham sido incluídas quando a obra viu a luz do dia.

Aos temas  do período de Berlin, David Bowie, que esteve sempre à frente do seu tempo musicalmente falando, incluiu em “All Saints” duas faixas da banda sonora de “Buddha of Suburbia” / “O Buda dos Subúrbios”, terminando “All Saints” – (Collected Instrumentals) com o tema “Some Are”, revisto pelo músico minimalista Philip Glass. Recorde-se que o compositor norte-americano quis prestar a sua homenagem a David Bowie e Brian Eno, criando a partir das suas composições a “Low Symphony” e “Heroes Symphony”, tendo até Twyla Tharp criado uma coreografia fabulosa a partir de “Heroes Symphony”, que veio a Portugal, ao CCB, através da sua Companhia de Ballet.


Robert Fripp, David Bowie e Brian Eno em Berlin

Mas “All Saints” – (Collected Instrumentals 1977 – 1999), encerra também duas histórias no seu interior, uma tem a ver como nasceu a edição desta obra-prima da discografia de David Bowie, que bem merece ser (re)descoberta:
No Natal de 1999, David Bowie decide criar este álbum para oferecer ao seu núcleo de amigos mais próximos, terminando por os surpreender, ao mesmo tempo que nos círculos musicais se comentava a obra intemporal que se revelava “All Saints” e dois anos depois em 2001 a editora de David Bowie com o seu próprio consentimento lança no mercado este magnifico trabalho, que recomendamos vivamente.


A outra história que “All Saints” possui no seu interior tem a ver com a forma como os temas instrumentais nasceram em Berlin, nessa época em que a cidade ainda tinha o muro a dividir as duas Alemanhas e do lado ocidental do muro a vanguarda dava cartas em todas as áreas artísticas, revelando-se um verdadeiro oásis que atraia um universo enorme de pessoas, que encontrava naquele território uma verdadeira lufada de ar fresco e assim David Bowie decidiu também ele  partir para Berlin. Ora precisamente nesse momento Brian Eno, encontrava-se a trabalhar com o grupo Harmonia, no Estúdio de Moebius, Rodelius e Rother, situado na Floresta Negra e quando David Bowie lhe telefonou a perguntar se ele não queria trabalhar com ele em Berlin, Brian Eno decidiu partir para a cidade dividida e desse encontro iria nascer a célebre trilogia de Berlin, constituída pelos  álbuns “Low”, Heroes” e “Lodge”.


Redescobrir a magia desse período e a face menos conhecida de compositor de David Bowie é o que nos proporciona este magnifico álbum intitulado “All Saints” – (Collected Instrumentals – 1977 – 1999), em que assistimos ao casamento perfeito entre a música pop com a música electrónica apadrinhada pela avant-garde alemã, tendo até Bowie e Eno dedicado o tema “V-2 Schneider” aos Kraftwerk. “All Saints” revela-se, nos dias de hoje, uma obra intemporal, que testemunha a genialidade de David Bowie, que permanece bem viva no universo musical.

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