domingo, 13 de março de 2016

“O Bosque Sagrado” – A Poesia e o Cinema


"«O Bosque Sagrado» - A Poesia e o Cinema"
Gota de Água, Pag.76

Todos nós sabemos que Portugal é um país de poetas e por vezes o Cinema foi abordado em forma de verso. De todos os poemas dedicados ao Cinema, aquele que ficou mais célebre e é o mais citado foi escrito por esse grande nome da Arte Poética chamado Ruy Belo, o filme tão amado pelo poeta foi realizado por Elia Kazan, com o Warren Beatty e a Natalie Wood no par dos jovens protagonistas, Ruy Belo olhava desta forma esta maravilhosa película, no seu livro "Homem de Palavra(s)":


"Eu sei que Deanie Loomis não existe/mas entre as mais essa mulher caminha/e a sua evolução segue uma linha/que à imaginação pura resiste. // A vida passa e em passar consiste/e embora eu não tenha a que tinha/ao começar há pouco esta minha/evocação de Deanie quem desiste // na flor que dentro em breve há-de murchar?/(e aquele que no auge a não olhar/que saiba que passou e que jamais // lhe será dado ver o que ela era)/Mas em Deanie prossegue a primavera/e vejo que caminha entre as mais."


Em Maio de 1986, a editora "Gota de Água" publicou uma antologia de poesia dedicada inteiramente ao cinema de título "O Bosque Sagrado", exibindo na capa uma imagem do filme de Nicholas Ray, "Fúria de Viver", no qual participou James Dean, Dennis Hooper, Natalie Wood e Sal Mineo entre outros. Hoje em dia esse filme de Nick Ray é um "cult-movie" de diversas gerações e esta recolha de poesia cinematográfica, à muito esgotada, é um "cult-book" dos amantes de poesia/cinema. 


Com uma introdução do cineasta António Pedro de Vasconcelos e um ensaio do poeta e crítico de cinema António Cabrita, possuí realização poética de Jorge Sousa Braga, António Ferreira e Álvaro Magalhães. Este livro merece ser procurado nos alfarrabistas, já que a sua tiragem para o mercado foi de 1000 exemplares. Nele podemos encontrar nomes como Herberto Helder, Pasolini, Ruy Belo, Frank O'Hara, Carlos de Oliveira, Al Berto ou D.H.Lawrence, entre outros.


Ao lermos “O Bosque Sagrado” descobrimos o cinema na poesia das imagens, revelando-se cada palavra como um perfeito fotograma, num livro repleto de Magia.

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