segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Alfred Hitchcock - "Rebecca"


Alfred Hitchcock – "Rebecca"
(EUA -1940) – (130 min.- P/B)
Laurence Olivier, Joan Fontaine, Judith Anderson, George Ssanders.

Quando Alfred Hitchcock realizou “Pousada na Jamaica” / “Jamaica Inn”, já tinha um desejo interior de adquirir os direitos de “Rebecca” para fazer a adaptação literária da célebre obra de Daphne du Maurier, mas quando pretendeu fazer essa compra, percebeu que a verba exigida era demasiado elevada para a sua bolsa e seria esse grande produtor de Hollywood, chamado David O’ Selznick, que acabaria por comprar os direitos, para depois propor ao cineasta a realização do projecto.
Recorde-se que David O’Selznick, cujo “O” não tinha qualquer significado, ou seja não existia no nome, surgindo mais como um toque aristocrático tão ao gosto do futuro produtor de “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With the Wind”, sempre gostou de intervir nas filmagens dando as suas sugestões sobre a realização, muitas vezes não como simples recados, mas como ordens a seguir, tendo Hitchcock sempre sabido contornar este poderoso obstáculo.


Ao partir para os Estados Unidos em 1939 a convite de Selznick, Hitchcock iria marcar encontro com o sucesso porque, como devem estar recordados, “Rebecca” conquista o Oscar para o Melhor Filme. Alfred Hitchcock iniciava assim uma longa carreira no Novo Mundo, que seria repleta de obras-primas, sendo esta “Rebecca” precisamente uma delas.
Manderley, a célebre Mansão de Max de Winter, irá ter ao longo do filme uma presença constante, tal como a famosa Rebecca de quem apenas iremos conhecer o retrato, como se ela permanecesse viva no interior daquela casa, vigiando todos os passos da frágil e submissa Mrs. de Winter (Joan Fontaine, de uma beleza avassaladora).


Quando Max de Winter (Laurence Olivier) conhece a futura esposa está a contemplar o mar, mas nunca saberemos se ele se encontra a meditar perante a paisagem ou se prepara para se suicidar, devido ao passado recente que o atormenta. Esse passado que se chama Rebecca, a bela esposa que o traía e o desprezava, recusando-se sempre a ser mãe, ostentando uma beleza perturbante e sedutora para todos os que conviveram com ela. Aliás Mrs. Danvers (Judith Anderson), a governanta da casa, que tinha um amor profundo pela patroa, nunca irá perder uma ocasião para criticar a intrusa Mrs. de Winter (Joan Fontaine), ao mesmo tempo que irá manter sempre viva a memória da sua senhora, como se tratasse de uma relação de amor entre duas mulheres.


Por outro lado, o argumento do filme teve que ser alterado devido aos códigos de produção então vigentes, porque no livro de Daphne du Maurier Max de Winter mata a mulher, enquanto no filme ela se suicida quando descobre que se encontra gravemente doente, embora Alfred Hitchcock nos consiga oferecer o sentimento de culpa através da forma de agir de Max de Winter, aliás bem patente quando começa a ser investigado e vai a tribunal, sempre debaixo do olhar cínico de Jack Favell (George Sanders, esse fabuloso actor que nos ofereceu das maiores interpretações na história do cinema e que acabaria por se suicidar num quarto de hotel em Barcelona).


“Rebecca” possui assim todos os ingredientes que caracterizaram o cinema de Alfred Hitchcock, onde iremos acompanhar o duelo entre duas mulheres: a nova Mrs. Winter (Joan Fontaine) e Mrs. Danvers (Judith Anderson), bastando recordar esse momento em que Mrs Denvers convence a nova Mrs. de Winter a vestir-se como Rebecca para grande consternação de todos os presentes na casa. Duelo esse que só poderá terminar com a morte de uma delas, como irá suceder quando o incêndio consome Manderley e Mrs. Danvers decide ali morrer, para assim partir para a sua tão amada Rebecca, transformando-se Manderley num monte de cinzas onde a memória do passado permanecerá viva, para todos os antigos habitantes da Mansão.

Alfred Hitchcock, Joan Fontaine e Laurence Olivier

Alfred Hitchcock realiza assim de forma perfeita a sua primeira obra-prima em território americano, não resistindo a uma breve aparição (cameo), como passará a ser apanágio do cineasta ao longo da sua carreira.

2 comentários:

  1. Um dos meus livros favoritos, que deu um filme fabuloso. Posso dizer no entanto que após leitura da biografia da autora, a mesma não ficou muito satisfeita com o resultado!

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    1. Também é um dos meus favoritos do Mestre do Suspense.
      Beijinhos

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