sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Paul Auster – “Homem na Escuridão” / "Man in the Dark"


Paul Auster
"Man in the Dark"

Asa, Pag. 160

Paul Auster, desde que foi descoberto em Portugal através da sua célebre “Trilogia de Nova Iorque”, que foi editada na época (1990) pela Difusão Editora, que reúne três novelas: “Cidade de Vidro”, “Fantasmas” e “O Quarto Fechado à Chave”, tem conquistado uma legião de leitores que tem vindo a aumentar de dia para dia, ao mesmo tempo que a totalidade da sua obra tem vindo a ser editada pela Asa, com uma regularidade digna de saudar.
Quem viu a noite temática que o Canal franco-alemão Arte dedicou ao escritor e também cineasta, percebeu que estava decididamente perante uma das mais fascinantes personagens do mundo literário contemporâneo. 


Quando olhamos para a sua já extensa obra em que as melhores memórias da sua vida “Inventar a Solidão”, se aliam à genialidade dessa obra-prima intitulada “O Livro das Ilusões”, passando pela sua actividade crítica em “Experiências com a Verdade”, descobrimos um verdadeiro universo Paul Auster, onde habitam personagens solitárias e marginais, com os seus pequenos mundos e vícios, a lutarem pelo direito à existência, num universo onde a solidariedade, a paz e o amor, deram lugar ao ódio, à guerra e ao egoísmo.


Paul Auster, no livro “Viagens no Scriptorium”, que antecedeu precisamente “Homem na Escuridão”, conduziu-nos a um labirinto cuja saída parecia ser inexistente. Mas como todos sabemos, ao entrarmos no labirinto, poderemos sempre sair pela porta por onde entrámos e regressar à magia da escrita e parece que foi mesmo isso que Paul Auster decidiu fazer durante a escrita de “Homem na Escuridão”, quando por volta das três da manhã o despertador desse crítico literário chamado August Brill cai no chão e se parte, abandonando no meio da escuridão do seu quarto a narração dessa América que, no novo milénio, viu diversos Estados abandonarem a célebre União e declarar a Secessão como muitos anos antes sucedera, nesse tempo em que o General Grant e o General Lee conduziram uma guerra civil sem tréguas, que daria origem a essa tragédia chamada Gettysburg.


A história que seguimos dessa América em guerra consigo própria, através da narração de August Brill e desse anti-herói chamado Brick, cuja missão é precisamente localizar e liquidar o narrador, ocupa cerca de metade do livro, mas quando esse despertador que não possui os habituais ponteiros luminosos se parte, tudo muda de figura em “Homem na Escuridão” e mergulhamos num outro estilo, numa outra vida: a história e as /memórias de August Brill e dos seus entes queridos. Entramos assim, através do escuro, num outro livro que lentamente nos irá iluminar a vida do narrador, transformando a sua narração num retrato perfeito deste mundo em que vivemos. A sua leitura é de tal forma contagiante que não conseguimos largar o livro até chegar ao último parágrafo.


Aqui vos deixo algumas palavras de Paul Auster que nos apresenta August Brill, o narrador de “Homem na Escuridão”: «Crítico literário reformado, setenta e dois anos, vive nos arredores de Brattleboro, Vermont, com a filha de quarenta e sete anos e a neta de vinte e três. A mulher dele morreu o ano passado. O marido da filha deixou-a há cinco anos. O namorado da neta foi morto. É uma casa de almas feridas, sofredoras e, todas as noites, Brill permanece acordado na escuridão, tentando não pensar no seu passado, inventando histórias acerca de outros mundos.»

“Homem na Escuridão” de Paul Auster é um livro que bem merece ser redescoberto!

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