terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"Glenn Gordon Caron -“O Amor da Minha Vida” / "Love Affair"


Glenn Gordon Caron – "O Amor da Minha Vida" / "Love Affair"
(EUA- 1994) – (108 min. - Cor)
Warren Beatty, Annette Bening, Katherine Hepburn, Pierce Brosnan, Kate Capshaw, Garry Shandling.



Quando Leo McCarey realizou “Love Affair” / “Ele e Ela” em 1939, nunca pensou que mais de uma década depois iria ele mesmo fazer o “remake” desta película que teve como protagonistas Charles Boyer e Irene Dunne, convém desde já referir que o facto de em 1957 Leo McCarey refazer a história através de “An Affair to Remember” / “O Grande Amor da Minha Vida” não é inédito, recorde-se que Alfred Hitchcock fez o mesmo com “O Homem Que Sabia Demais” / “The Man Who Knew Too Much”, em que temos a versão inglesa com Leslie Banks e Edna Best nos protagonistas e na americana, a mais célebre, encontramos James Stewart e Doris Day.



Mas regressemos à história de Mike Gambril (Warren Beatty) e Terry McKay (Annette Bening) em “Love Affair”, sem antes deixar de referir que este projecto foi uma prenda de Warren à sua mulher Annette, como devem estar recordados os actores encontraram-se no set de “Bugsy” realizado por Barry Levinson, a paixão invadiu as suas almas e o mais famoso “playboy” de Hollywood rendeu-se aos encantos de Annette Bening, tornando-se num dos casais mais mediáticos do mundo do cinema.


Um dos aspectos mais curiosos deste “O Amor da Minha Vida” é encontrarmos as imagens que vemos surgir na TV (relatando o mais recente “affair” do ex-jogador de futebol americano Mike Gambril) se reportarem aos diversos romances que Warren teve precisamente na vida, devidamente mediatizados pela imprensa sensacionalista. Vamos assim encontrá-lo a embarcar para Sidney com o seu inefável agente (Garry Shandling) a levá-lo ao aeroporto e de imediato nos apercebemos que o esquecimento do relógio de Mike na mesa de montagem possui um outro significado.


A viagem para Sidney apresenta-se enfadonha até ao momento em que trava conhecimento com o casal Stillman (interpretado pelo cineasta Paul Mazursky e a esquecida Brenda Vaccaro) e desta forma consegue meter conversa com Terry McKay (Annette Bening). No entanto, devido ao mau tempo que se faz sentir, o avião tem uma avaria e é obrigado a aterrar num atol, terminando os passageiros por serem recolhidos por um navio e regressar mais tarde de avião a New York.


Durante este período iremos conhecer a vida de Mike e Terry e perceberemos que eles habitam universos diferentes mas pouco distantes, já que se ele vive no” conforto” de Lynn Weaver (Kate Capshaw – mulher de Steven Spielberg) uma poderosa produtora de televisão e ela é a companheira de Ken Allen (Pierce Brosnan), um poderoso homem de negócios de Wall Street.


Ao longo da viagem Mike terá que se ver livre do habitual “paparrazzi”, ao mesmo tempo que aproveitando uma paragem do navio leva Terry a conhecer a sua tia Ginny (Katherine Hepburn, no seu último trabalho no cinema) e aqui temos a passagem de testemunho de Hepburn para Bening, já que como todos sabemos Annette Bening é uma verdadeira herdeira dessa grande actriz chamada Katherine Hepburn, em tempos idos considerada pelos produtores como um “veneno de bilheteira”. Será ainda de referir que toda a sequência passada na ilha entre Annette Bening e Katherine Hepburn foi dirigida por Warren Beatty.


Nasce então esse grande amor entre Terry e Mike, sendo marcado encontro para daí a três meses no alto de “Empire State Building” e depois já todos sabemos a história, essa história que tantas lágrimas fez correr na América e que leva Meg Ryan em “A Sintonia do Amor” a consumir tantos lenços de papel sempre que vê o filme de Leo McCarey.

“Love Affair”, versão de 1994, surge assim como a “gift” de Warren Beatty para Annette Bening, num primeiro plano, mas depois à medida que o argumento vai sendo desenvolvido encontramos o amor pelas personagens, repare-se na conversa no convés do barco, a chuva que cai e a dança que surge e por fim esse momento mágico nos últimos vinte minutos da película, com os actores a deixarem de interpretar as suas personagens para oferecerem um ao outro a mais bela declaração de amor.


"Love Affair" / “O Amor da Minha Vida” surgiu no território do melodrama, nos anos noventa (século passado), como um verdadeiro “outsider”, envolvido por uma das mais belas partituras de Ennio Morricone, que dedica um dos temas, precisamente, aos dois protagonistas: Warren Beatty e Annette Bening.

2 comentários:

  1. Conheço bem a mais famosa versão deste filme, com Cary Grant. Este remake também deixa os apaixonados de cinema encantados com a arte quer de Warren Beatty, quer de Annete Bening. O pequeno papel de Katherine Hepburn rouba o protagonismo nas cenas que interpreta.

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  2. Cara Paula Lima, obrigado pelo comentário. Concordo inteiramente consigo e o ideal mesmo seria juntar no filme o Cary Grant com a Annette Bening.
    Beijinhos

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