sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Emerson, Lake and Palmer - “Pictures at an Exhibition”


Emerson, Lake and Palmer
“Pictures at an Exhibition”
Atlantic Records
1971

Keith Emerson – pipe organ, Hammond organs, Moog modular synthesizer, clavinet.
Greg Lake – bass guitar, acoustic guitar, vocals.
Carl Palmer – drums, percussion.

1 – Promenade – 1:58
2 – The Gnome – 4:18
3 – Promenade – 1:23
4 – The Sage – 4:42
5 – The Old Castle – 2:33
6 – Blues Variations – 4:22
7 – Promenade – 1:29
8 – The Hut of Baba Yaga – 1:12
9 – The Curse of Baba Yaga – 4:10
10 – The Hu of Baba Yaga – 1:06
11 – The Great Gates of Kiev – 1:06
12 – Nutrocker – 4:26

Quando o compositor russo Modest Mussorgsky compôs “Pictures at an Exhibition”, como peça para piano, nunca pensou que, anos depois, outro compositor chamado Maurice Ravel iria fazer uma orquestração da sua peça que a iria tornar famosa nos meios melómanos, mas será através de um grupo de rock progressivo, os Emerson, Lake and Palmer, que milhões irão fixar para sempre o nome de Mussorgsky e da peça “Pictures at an Exhibition”, quando a 26 de Março de 1971 no Newcastle City Hall, Keith Emerson nas teclas, Greg Lake na guitarra e baixo e Carl Palmer na bateria irão surpreender o universo com a sua visão ou leitura, se preferirem, de “Pictures at an Exhibition”, que se irá revelar a terceira gravação oficial do grupo; quando o álbum foi colocado nos postos de venda conquistando de imediato os Tops. 

Recorde-se que na década de setenta do século xx, os Emerson, Lake and Palmer arrastavam multidões e revelavam-se um enorme sucesso de vendas, mas sempre com uma enorme apetência para fazerem a leitura de clássicos da denominada música erudita, como terminou por ser confirmado pela sua discografia ao longo dos anos. Infelizmente tanto Keith Emerson como Greg Lake já nos deixaram, mas a sua música permanece bem viva entre os seus fans, ao mesmo tempo que Carl Palmer continua a divulgar a música de um dos grupos mais brilhantes do denominado rock progressivo, que bem merce ser redescoberto pelas novas gerações.

Tintin - “Tintin no País dos Sovietes” / "Tintin au pays des soviets" ~ Hergé



Tintin
“Tintin no País dos Sovietes” / "Tintin au pays des soviets"
Hergé
Difusão Verbo - Pag. 138


“Tintin no País dos Sovietes” é a primeira aventura de Tintin (repórter do «Petit Vingtième»), criada por Hergé, em 1929, publicada a preto e branco e que só muito recentemente foi colorida. Recorde-se que esta foi a última aventura de Tintin a ser publicada na Revista Tintin (portuguesa), tendo ficado incompleta, devido à publicação da Revista Tintin ter sido interrompida pela casa editora (Bertrand) e só posteriormente iria ser lançada em álbum em Portugal. 

Assim começava esta aventura de Tintin escrita e desenhada por esse Mago chamado Hergé: “O «Petit Vingtième» sempre desejoso de satisfazer os seus leitores e de os manter ao corrente do que se passa no estrangeiro, acaba de enviar à Rússia Soviética um dos seus melhores repórteres: TINTIN! São as suas múltiplas peripécias que desfilarão sob o vosso olhar cada semana. 

N.B. A Direcção do «Petit Vingtème» garante que todas as fotografias são rigorosamente autênticas, tendo sido tiradas pelo próprio Tintin, ajudado pelo seu simpático cão Milu!” 

Assim nascia um dos mais célebres heróis da história da 9º Arte e um personagem incontornável da banda desenhada para inúmeras gerações, que no dia 10 de Janeiro de 2019, fez a bonita idade de 90 anos, continuando a aliciar diversas gerações com as suas aventuras!

Man Ray - "Lee Miller"

"Lee Miller". 1929
Man Ray

Contact Trio - "Happy"

Contact Trio
Tema: "Happy"
Álbum: "New Marks"

Contact Trio - “New Marks”


Contact Trio
“New Marks”
JAPO Records
1978


Evert Brettschneider – acoustic guitar, electric guitar.
Aloys Kott – bass.
Michael Jullich – percussion, marimba, vibraphone.

1 – Happy (Evert Beittschneider) – 7:30
2 – Circle (Aloys Kott) – 12:57
3 – The Quick Brown Fox Jumps The Lazy Dog (E. Brettschneider/A. Kott) – 3:49
4 – Stoned Tunes (E. Brettschneider/A. Kott) – 3:56
5 – New Marks (E. Brettschneider/A. Kott) – 10:17

Este trio de jazz, conhecido com o nome de Contact Trio, é um dos segredos mais bem guardados do jazz europeu e vale a pena descobrirem os quatro trabalhos discográficos que eles nos deixaram! Gravado em Janeiro de 1978 no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Martin Wieland. Design de Barbara Wojirsch. Fotografia de Werner Hamappel. Produção de Thomas Stowsand.

Andy Warhol - "Alfred Hitchcock"

"Alfred Hitchcock", 1983
Pintura polímera sintética
e serigrafia sobre tela, 50,8 x 40,6
Andy Warhol

Herbert Joos - “Daybreak – The Dark Side of Twilight”


Herbert Joos
“Daybreak – The Dark Side of Twilight”
JAPO Records
ECM Records
1990


Herbert Joos – fluegelhorn, trumpet.
Thomas Schwarz – oboe
Radio Symphony Orchestra Stuttgart – strings.
Wolfgang Czelusta – trombone (track 7)

1 – Why? – 9:39
2 – When Were You Born? – 4:46
3 – Leicester Court 1440 – 3:38
4 - Daybreak – 6;12
5 – Black Trees – 7:12
6 – Faster Your Seatbelt – 4:09
7 – The Dark Side of Twilight” – 15:19

Nas décadas de 70/80, do século passado, assistiu-se com uma certa regularidade ao encontro entre a denominada música erudita e o jazz, revelando-se este casamento luminoso de uma harmonia quase perfeita, já que quase sempre encontrávamos elementos melódicos que faziam a delicia dos nossos ouvidos e neste caso concreto Herbert Joos, que para além de músico de jazz, era também artista gráfico, não fugiu a esta bela regra, que músicos como Keith Jarrett, Jan Garbarek, Eberhard Weber e Terje Rypdal utilizaram com enorme saber. 

Ao ser reeditado este belo álbum de Herbert Joos foi incluído mais um tema, com cerca de 15 minutos, intitulado “The Dark Side of Twilight” onde surge também o trombonista Wolfgang Czelusta. Estamos perante um desses álbuns que bem merecem ser (re)descobertos, pela sua originalidade no interior desse enorme universo que é o jazz, onde as mais diversas tendências habitam, na mais bela harmonia. 

Gravado no mês de Outubro de 1976, no Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, por Carlos Albrecht (faixas 1 a 6) e no mês de Julho de 1988 (faixa 7 – The Dark Side of Twilight”). Layout de Dieter Rehm. Capa de Herbert Joos. Fotografia de Marion Winter. Producão de Herbert Joos e Thomas Stowsand. Todos os temas foram compostos por Herbert Joos. O álbum “Daybreak” de Herbert Joos foi editado pela primeira vez em 1976, com o selo JAPO Records – JAPO 60015 e reeditado no ano de 1990, com o selo da ECM Records - ECM 3615, ao qual foi acrescentado o tema “The Dark Side of Twilight”, passando a ter o título de: Herbert Joos – “Daybreak – The Dark Side of Twilight”.

Nuno Júdice - “O Estado dos Campos”


Nuno Júdice
“O Estado dos Campos”
Dom Quixote - Pág. 154


Foi no início da década de setenta, do século xx, que descobri a poesia de Nuno Júdice, na colecção “Cadernos de Poesia” das Publicações D. Quixote, tratava-se precisamente do seu primeiro livro de poemas intitulado “A Noção de Poema” e desde então tornei-me um leitor fiel da sua obra poética como da restante obra em prosa e teatro, recordo-me do magnífico “Última Palavra: «Sim»” saído nas edições & Etc, ou o fabuloso “Plancton” na editora Contexto. Recorde-se que Nuno Júdice nasceu para o universo público nas páginas do Diário de Lisboa em 1967, onde outros nomes da mesma geração, nos ofereceram os seus primeiros trabalhos poéticos. Mantendo intensa actividade crítica com inúmeros ensaios publicados em jornais e revistas, o poeta mantém uma regularidade e uma qualidade poética que merecem ser referidos, onde a Literatura é uma constante presença através da sua História, mas também através das inúmeras referências românticas, que servem tantas vezes de partida ou nascimento, se preferirem, para poemas que se guardam na memória com enorme carinho. Aqui vos deixo o meu poema favorito da obra “O Estado dos Campos”, saído em 2003. 


RETRATO DE MULHER À LUZ DA TARDE

O poeta épico e o poeta dramático, disse
Goethe, estão submetidos às mesmas leis gerais. No
entanto, se cada um deles conduz o poema
até ao seu desfecho sem uma hesitação,
ou antes, limitando a dúvida ao que se passa
no espírito quando o amor, com a sua certeira
seta, o fere, já as palavras são diversas. Não é o mesmo
descrever a emoção com as imagens que ela sugere,
ou transformá-la num discurso lógico, que obriga
quem o faz a utilizar o raciocínio, deixando
para depois o sentimento. A construção é o mais
simples, neste processo, desde que o princípio
corresponda à verdade que faz parte da vida
de quem ama. O difícil é transpor a ponte
que nos conduz ao outro: refiro-me a ti, que
me esperas desse lado, por trás das árvores
e das flores do jardim, com o sol a iluminar-te
o rosto. É uma imagem simples: retrato
de mulher à luz da tarde. Mas sinto-me obrigado
a dar uma outra dimensão à figura humana,
puxando-a para o convívio da minha alma. Aí
as coisas ganham a profundidade de uma relação
abstracta, despida dos aspectos materiais, e
dos obstáculos que a realidade nos coloca. A
perfeição nasce das frases que o verso trabalha, com
o ritmo de uma respiração serena. Por fim, a
imagem adquire uma beleza própria, que foge
à própria fonte. E ao vê-la, pergunto: ainda és tu? Ou
foste roubada a ti própria por esta luz com que o poema
te envolve? Mas deixo-me de questões teóricas - e
atravesso a ponte, deixando para trás imagens e
discursos. É que do outro lado as leis gerais não
contam, e são-me indiferentes os problemas que se
colocam ao poeta, épico ou dramático. Puxo-te
pela mão - e saímos da moldura, para dentro da vida.

Nuno Júdice
in "O Estado dos Campos"

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Júlio Pereira - "Fernandinho Vai ao Vinho"

Júlio Pereira
Tema: "Fernandinho Vai ao Vinho"
Álbum: "Fernandinho Vai ao Vinho"

Júlio Pereira - “Fernandinho Vai ao Vinho”


Júlio Pereira
“Fernandinho Vai ao Vinho”
(Um Bocado da Vida de um Fernando 1953/1976)
Diapasão/Strauss
1976


Júlio Pereira – Acoustic Guitar, electric guitar, mandolin, banjo, harpsichord, bouzouki, percussion, voz.
Luís Duarte – Bass guitar.
Guilherme Inês – Flute, saxofone.
Chico Fragoso – Harmónica.
João Seixas – Percussion.
Rui Reis – Piano, electric piano,
António Reis – Trumpet.
Fernando Calazais – Violin.
Eduardo Maia – Whistle.
Luís Pedro – Percussion.
Sheila – Percussion.

(Participaram ainda neste álbum: Jorge Palma,Zeca Afonso, Carlos Carvalheiro, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Francisco Fanhais,Herman José, Victorino, José Jorge Letria, Sérgio Godinho, Eugénia Melo e Castro, Sheila, entre outros)

1 – Fernandinho
2 – A Primeira Dúzia de Anos
3 – Casa Escola e Missa
4 – Uma Experiência Numa Fábrica
5 – O Desporto Nacional
6 – O Som da Corneta aos 21 anos
7 – Rapsódia Político-Portuguesa
8 – Vidas Secretas da Capital “Café”
9 – Enquanto o Medo é Confessado
10 – Fernandinho Vai ao Vinho

A capa deste álbum de Júlio Pereira, uma verdadeira “ópera rock à Portuguesa” é da autoria de Carlos Zíngaro, que fez também uma banda desenhada, sendo “Fernandinho Vai ao Vinho” uma pérola da Música Popular Portuguesa surgida na segunda metade da década de 70 e traçando um pouco a História deste país de 1953 a 1976, como muito bem refere o subtítulo deste álbum repleto de magia e cor.

Recorde-se que Júlio Pereira era oriundo do grupo rock Xarhanga (cantavam em inglês) e tinha pertencido aos célebres Petrus Castrus, que anteriormente tinham editado o fabuloso “Mestre”. 
O tema que mais passava na rádio era precisamente o último, que dava título a este magnífico álbum de Júlio Pereira, que bem merece ser redescoberto e não se esqueçam do refrão: “Fernandinho vai ao vinho e parte o copo pelo caminho”.

Memória: A primeira vez que escutei este álbum foi através de um empréstimo do amigo Fernando colega de turma no liceu,, um entusiasta, tal como eu nessa época, da música que então se fazia

Burt Glinn - "Elizabeth Taylor"


Elizabeth Taylor fotografada por Burt Glinn em 1959, durante a rodagem do filme de Joseph L. Mankiewicz, "Bruscamente no Verão Passado" / "Suddenly Last Summer", baseado na famosa peça de Tennessee Williams, cujo argumento cinematográfico foi assinado pelo escritor Gore Vidal.

"Snoopy" - Charles M. Schulz

"Snoopy"
Charles M. Schulz

Larry Karush / Glen Moore - “May 24, 1976”


Larry Karush / Glen Moore
“May 24, 1976”
JAPO Records
1976


Larry Karush – piano
Glen Moore – bass, violin.

1 – Untiled (Larry Karusch) – 3:17
2 – Duet (Larry Karusch) – 4:00
3 – Country (Larry Karusch) – 7:05
4 – Transit Boogie (Larry Karusch) – 3:05
5 – Violin Suite (Glen Moore) – 6:15
6 – Flagolet (Glen Moore) – 1:17
7 – Abstinence (Larry Karusch) – 6:00
8 – Vicissitudes(Benny Wallace) – 3:23
9 – Pamela: At The Hawk’s Well (Glen Moore) – 4:03
10 – Triads – 4:17

Glen Moore já tinha gravado um álbum de duetos e solos na companhia do guitarrista Ralph Towner, que nos levou a fixar o seu nome e neste encontro com o pianista Larry Karusch, prossegue essa viagem onde o diálogo entre os dois instrumentos, contrabaixo e piano, nos surge de forma mais-que-perfeita, conduzindo o ouvinte a esse momento em que se desliga de tudo e apenas escuta a música que lhe é oferecida. Gravado em Maio de 1976, no Talent Studios, Oslo, por Jan Erik Kongshaug. Layout de Dieter Bonhorst. Fotografia de Tadayiski Naitoh. Produção de Manfred Eicher. 

Poderá escutar aqui o tema "Violin Suite".

Roy Lichtenstein - "Sunrise"

"Sunrise", 1984
Óleo e magna sobre tela, 91,4 x 127 cm.
Roy Lichtenstein

George Gruntz - “Percussion Profiles”


George Gruntz
“Percussion Profiles”
JAPO Records
1978


Jack DeJohnette – drums, cymbals, gongs.
Pierre Favre – drums, cymbals, gongs.
Fredy Studer – drums, cymbals, gongs.
Dom Um Romão – drums, cymbals, gongs.
David Friedman – flat gongplay, vibraphone, marimba, cymbal.
George Gruntz – gongs, keyboards, synthesizer, cymbal.

1 – Movement 1 – 7:45
2 – Movement 2 – 6:22
3 – Movement 3 – 4:50
4 – Movement 4 – 5:40
5 – Movement 5 – 18:45
6 – Movement 6 – 2:22

George Grunz é um desses nomes cuja vida esteve inteiramente ligada à música e muito especialmente ao jazz, não só como músico e compositor, mas também como divulgador e organizador do famoso Festival de Jazz de Berlin, também conhecido como o JazzFest Berlin (1972-1994). Ao longo da sua vida tocou com nomes grandes do jazz, como Dexter Gordon, Chet Baker, Roland Kirk e Don Cherry, só para referir alguns e um dia surgiu-lhe a ideia de gravar este álbum intitulado "Percussion Profiles", tendo convidado cinco nomes incontornáveis na área da percussão para com ele tocarem e com a ajuda desse outro criador chamado Robert Paiste (o famoso nome do criador dos melhores pratos que se encontram para uma bateria, tendo fabricado os famosos pratos de Jack DeJohnette, que foram desenhados pelo baterista norte-americano e que produzem aquele som que o celebrizou), que irá produzir este fabuloso álbum. Recorde-se que o músico suiço George Gruntz nos deixou em 2013, mas nunca é demais lembrar a sua Arte e o seu trabalho como divulgador dessa música sem fronteiras que é o jazz. 

Gravado a 20 de Setembro de 1977 no Wally Heider Studios, Los Angeles, por Biff Dawes. Misturado por Georg Scheuermann e Manfred Eicher. Fotografia de Patricia Willard. Design de Barbara Wojirsch. Produção de Robert Paiste. Todos os temas foram compostos e são dirigidos por George Gruntz. O tema 1 oferece-nos solos de Pierre Favre e Jack DeJohnette. O tema 2 tem um dueto entre Dave Friedman e George Gruntz. O tema três oferece-nos solos de David Friedman e George Gruntz e o tema 5, o mais extenso, é composto por solos de Dom Um Romão, David Friedman, Jack DeJohnette, Pierre Favre e Fredy Studer. Um álbum único no universo do jazz!