terça-feira, 23 de outubro de 2018

Richard Attenborough – (1923 – 2014) – Filmografia


Richard Attenborough – (1923 – 2014)
Filmografia – (visitada)


2007 – O Elo do Amor
1999 – Grey Owl – A História de Um Guereiro
1996 – Em Amor e em Guerra
1993 – Dois Estranhos, Um Destino
1992 – Chaplin
1985 – A Chorus Line
1982 – Gandhi
1977 – Uma Ponte Longe Demais

Richard Attenborough – “O Elo do Amor” / “Closing the Ring”


Richard Attenborough – “O Elo do Amor” / “Closing the Ring” 
(Grã.Bretanha/Canada/EUA – 2007) – (118 min./Cor) 
Shirley MacLaine, Chistopher Plummer, Dylan Roberts. 

Última obra assinada pelo cineasta Richard Attenborough, que nos oferece uma bela história de amor, repleta de memórias e de um reencontro com o passado. Um elenco perfeito, onde se destaca o jovem Dylan Roberts, no meio de dois pesos pesados da interpretação: Shirley MacLaine e Christopher Plummer! Pode visitar aqui o trailer.

Richard Attenborough – “Grey Owl – A História de um Guerreiro” / “Grey Owl”


Richard Attenborough – “Grey Owl – A História de um Guerreiro” / “Grey Owl” 
(Grã-Bretanha/Canada – 1999) – (119 min./Cor) 
Pierce Brosnan, Stewart Bick, Vlasta Vrana. 

Um dos filmes mais “secretos” e memoráveis de Richard Attenborough, com um Pierce Brosnan que irá surpreender o espectador e que aqui nos oferece, possivelmente, a maior interpretação da sua carreira cinematográfica. Pode visitar aqui o trailer.

Richard Attenborough – “Em Amor e em Guerra” / “In Love and War”


Richard Attenborough – “Em Amor e em Guerra” / “In Love and War” 
(EUA – 1996) - (113 min./Cor) 
Sandra Bullock, Chris O’Donnell, Mackenzie Astin. 

Um retrato do jovem Hemingway e o seu encontro com a Guerra e o Amor, matéria que anuncia o nascimento do futuro escritor. Pode visitar aqui o trailer.

Richard Attenborough – “Chaplin”


Richard Attenborough – “Chaplin” 
(Grã-Bretanha/França/Itália/Japão/EUA – 1992) 
Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Paul Rhys, Anthony Hopkins. 

Um maravilhoso retrato de Chaplin, que aqui é interpretado de forma soberba por Robert Downey Jr., que nos oferece a mais bela interpretação da sua carreira. O actor foi candidato ao Oscar, mas a Academia esqueceu-se dele, uma injustiça que se encontra por reparar.



Richard Attenborough – “Gandhi”


Richard Attenborough – “Gandhi” 
(Grã-Bretanha/Índia/EUA – 1982) – (191 min./Cor – P/B) 
Ben Kingsley, John Gielgud, Robini Hattangadi, Roshan Seth, Candice Bergen, Edward Fox, Trevor Howard, John Mills, Martin Sheen. 

Os Oscars invadiram este filme que nos oferece o retrato do maior estadista de sempre da Índia, desde os tempos em que era a Jóia da Coroa atè à independência e posterior cisão entre hindus e muçulmanos, que irá dar origem ao nascimento do Paquistão. A interpretação do então desconhecido Ben Kingsley ficou na memória de todos!

Richard Attenborough – “Uma Ponte Longe Demais” / “A Bridge Too Far”


Richard Attenborough – “Uma Ponte Longe Demais” / “A Bridge Too Far” 
(EUA/Grã-Bretanha – 1977) – (175 min./Cor) 
Sean Connery, Dirk Bogarde, Michael Caine,Robert Redford, Gene Hackman, Edward Fox, Anthony Hopkins, James Caan, Maximilian Schell, Hardy Kruger, Elliott Gould, Laurence Olivier, Liv Ullman, Denholm Elliott, Ben Cross.

Por vezes a operação militar perfeita termina num enorme desastre, mas para o Alto Comando é fácil transformar-se a derrota numa vitória. Assim aconteceu nessa guerra longínqua ocorrida no século xx e que ficou para a História como a Segunda Grande Guerra. O elenco é de luxo e Richard Attenborough assina uma película incontornável na sua filmografia, assim como um dos melhores filmes do género. 


Trailer

Crónica de Cinema: Recordando Eric Rohmer!


Foi numa noite fria e chuvosa que, na minha pré-adolescência, entrei acompanhado por um familiar no cinema Império para ver o meu primeiro Rohmer, intitulado “A Minha Noite em Casa de Maud”, que se iria tornar no mais amado dos seus filmes. Na sala principal era exibido “Luís da Baviera” de Luchino Visconti, enquanto o conto moral do cineasta francês era apresentada na sala Estúdio. Vivia-se o tempo da cinéfilia e as salas de cinema eram verdadeiros Templos, onde se descobriam autores e assim podemos recordar como o cinema era belo!

Quando alguém se interroga entre as diferenças existentes entre um realizador e um cineasta, o melhor exemplo de autor que conheço é-me oferecido precisamente por Eric Rohmer, cujo nome de baptismo é Maurice Schérer, usado inicialmente para assinar os primeiros artigos escritos sobre a Sétima Arte, que desde muito cedo se revelou a sua grande paixão, que irá, no entanto, esconder durante largos anos dos pais, até realizar a sua primeira curta-metragem.

Foi na célebre revista de cinema “Cahiers du Cinema”, dirigida nessa época das capas amarelas por André Bazin, o verdadeiro pai de toda uma critica de cinema, que Eric Rohmer começou a dar nas vistas, com o seu trabalho teórico, sendo um dos seus mais belos escritos intitulado “O Celulóide e o Mármore”. Mais tarde irá escrever a sua tese abordando o cinema do cineasta que mais amava, o alemão F. W. Murnau, nascendo “L’organisation de l’espace dans le “Faust” de Murnau”, ao mesmo tempo que dava início à escrita dos seus contos que irá organizar em séries, sendo a primeira constituída pelos “Seis Contos Morais” , que mais tarde irão conhecer a magia do écran de cinema.

Nestes contos maravilhosos, Eric Rohmer transforma os mais banais diálogos do quotidiano em perfeitas obras-primas literárias, ao mesmo tempo que expõe as suas teses filosóficas, como sucede com os “Pensamentos” de Pascal, através da boca dos diversos personagens que vai criando, como irá suceder em “A Minha Noite em Casa de Maud” / “Ma nuit chez Maud”, que foi um dos maiores sucessos comerciais do cineasta.

Desde o início Eric Rohmer criou uma certa estrutura literária, organizando as suas películas como capítulos de um mesmo livro, embora elas se revelassem autónomas e singulares. Nascem assim naturalmente, sobre o mesmo signo, as séries “Seis Contos Morais” / “Six contes moraux”, “Comédias e Provérbios” / “Comedies et proverbes” e “Contos das Quatro Estações” / “Contes des quatre saisons”, revelando todas elas um maravilhoso e coeso trabalho de escrita cinematográfica.

Mas se pensam que ele ficou prisioneiro desta fórmula estão profundamente enganados, porque Eric Rohmer como artesão e livre-pensador criou entre este conjunto de filmes magníficos ou séries, se preferirem, obras cinematográficas tão diferentes e distantes como “A Marquesa D’O” / “Die Marquise von O”, onde tem uma breve aparição, “O Agente Triplo” / “Triple Agent”, onde a presença da palavra é verdadeiramente avassaladora e fascinante, “Les rendez-vous de Paris” / “Os Encontros de Paris”, a mais bela homenagem que se pode fazer a uma cidade, “A Inglesa e o Duque” / “L’Anglaise et le Duc”, que iria surpreender tudo e todos pela forma como foi concebido, até chegar a esse filme repleto de juventude e naturalismo que foi a sua derradeira obra “Os Amores de Astrea e Celadon” / “Les amours d’Astrée et de Céladon”, que nos revelavam um cineasta possuidor de uma juventude e inocência, profundamente surpreendentes.

Quando estava prestes a completar 80 anos Eric Rohmer decidiu partir, deixando-nos como herança a magia do seu cinema, esse mesmo cinema que possui como protagonista a beleza da palavra, cabe a nós cinéfilos divulgar o seu trabalho cinematográfico às novas gerações, para que elas descubram um dos mais fascinantes cineastas da denominada Nouvelle Vague.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Fotogramas!


Como eles são o sangue que circula nas artérias do Cinema, nasceu um novo blogue dedicado às Estrelas de Cinema. Podem visitar aqui o blogue Fotogramas!

domingo, 21 de outubro de 2018

Crónica de Cinema - Recordando os Movie-Brats!


Em finais dos anos sessenta, inícios de setenta do século xx, uma nova geração de cineastas transformou o cinema norte-americano, retirando-o do poço sem fundo onde se instalara após o colapso do sistema dos Estúdios. A maioria destes cineastas vinha da televisão ou da crítica. Eram possuidores de cursos superiores (U.C.L.A) e tinham “background” cinematográfico, ou seja eram cinéfilos. Produziam os filmes uns dos outros e implantaram o estatuto de “família”. A renovação que efectuaram surpreendeu tudo e todos. Acabaram por ficar conhecidos como os “movie-brats”, transformando-se com o passar dos anos numa sólida Instituição Cinematográfica de Hollywood, terminando alguns por receber o estigma de “Mavericks” do Cinema Americano.

Uma década depois do seu aparecimento, eram eles o que de melhor havia no cinema norte-americano. Stevn Spielberg criou o fenómeno “blockbuster” com “O Tubarão”/”Jaws” e outros como George Lucas ofereceram ao mundo uma série que muitos anos depois ainda perdura, chamada “Star Wars”, já a estética Hitchcockiana de Brian De Palma utiliza o “remake/citação” do Mestre do Suspense como referência, John Carpenter por sua vez assume-se como discípulo de Howard Hawks no “Assalto à 13ª Esquadra” / “Assault on Precinct 13” ou Philip Kaufman com “Os Vagabundos de Nova Iorque”” / “The Wanderers”, já Francis Ford Coppola sonhava com uma Zoetrope mítica vestindo a pele “The Last Tycoon”, enquanto John Landis, com “O Filme Mais Louco do Mundo” / “The Kentucky Fried Movie”, vai beber no universo marxista, o do Groucho Marx, na magia das suas comédias, oferecendo-nos uma certa anarquia e o “nonsense” necessários à loucura saudável. Por sua vez Peter Bogdanovich, o tal que tratava Alfred Hitchcock e John Ford na primeira pessoa oferece-nos a memória do cinema, mergulhando na comédia de alto nível, filiada no cinema de Howard Hawks. E depois há sempre esse cinéfilo apaixonado chamado Martin Scorsese e a sua trilogia inicial constituída por “Boxcar Bertha” / “Uma Mulher da Rua”, “Mean Streets” / “Os Cavaleiros do Asfalto” e “Taxi Driver”.Muitos deles receberam Óscars, como todos estamos recordados, enquanto outros ficaram presos ao “marketing” que criaram (George Lucas) ou foram triturados pelo sistema, porque sabiam demais (Peter Bogdanovich).

“Asfalto Quente”/”The Sugarland Express”de Steven Spielberg; “Chove no meu Coração”/”Rain People” de Francis Ford Coppola; “O Vendedor de Sonhos”/”Nickleodeon”” de Peter Bogdanovich, “THX 1138” de George Lucas, “Boxcar Bertha”/”Uma Mulher da Rua” de Martin Scorsese, são algumas obras que marcam os primeiros passos dos mais importantes nomes desta geração, que merecem ser redescobertos pelos cinéfilos. Este “quarteto fantástico” irá ter os seus discípulos em nomes como Lawrence Kasdan, Joe Dante e Robert Zemeckis, embora o verdadeiro pai de todos eles seja Roger Corman, o estudo da sua importância no interior do cinema norte-americano ainda está por fazer, já que foi ele que ofereceu aos futuros “movie-brats” os meios necessários para começarem a praticar a Sétima Arte, percorrendo todos os degraus do ofício cinematográfico.

Mas antes de terminar esta breve introdução acerca dos “movie-brats”, gostaria de referir três filmes da década de oitenta, nos quais Steven Spielberg esteve “envolvido” e que marcaram uma nova forma de olhar o cinema, através dessa figura tantas vezes marcante e conhecida pelo nome de produtor.
No mesmo ano em que realizava “E.T.”, Steven Spielberg produzia “Poltergeist” de Tobe Hooper. E aqui colocou-se a questão da autoria: a assinatura pertence a Tobe Hooper ou a Steven Spielberg ? As repostas são diversas, mas a marca de Spielberg é bem evidente, embora as imagens da escrita fílmica de Hooper permaneçam por lá. Sendo esta, possivelmente, uma das razões do “confronto” que opôs os dois cineastas, durante a feitura da película. “Poltergeist” é o regresso ao terror no seu sentido mais puro, utilizando o pequeno écran da televisão como meio instaurador do medo, contendo como sempre a família e as crianças como catalisador de toda a acção.

O “remake” foi/é uma das fontes de alimentação do cinema contemporâneo, chegando neste século xxi a revelar-se, infelizmente, mais como um fraco expediente, do que essa homenagem a que estávamos habituados, no passado, e também todos sabemos a influência que a televisão teve nos “movie-brats”, isto para não falar naqueles episódios da série “Colombo” realizados pelo estreante Steven Spielberg, que foi buscar Peter Falk (esse magnifico actor pertencente à “família” de John Cassavetes) para interpretar o detective, usando adereços que marcaram o género: desde a beata na ponta dos dedos até à famosa gabardina “imprópria para consumo”. Foi este mesmo Steven Spielberg que, com John Landis, decidiu homenagear uma série de culto da televisão, intitulada “Twilight Zone”/”Quinta Dimensão”. Ora aqui não é do “remake” que se trata, excepção feita no episódio de Spielberg, mas sim de olhar para trás, via” caixinha mágica” que mudou o mundo, para descobrirmos no espelho o olhar do encantamento da memória. Curiosamente, por esta série de culto, aquando da sua estreia televisiva, passaram muitos dos grandes nomes da série-B, revalorizados pela crítica cinematográfica muitos anos depois. De referir que Joe Dante e o australiano George Miller são os responsáveis pelos restantes episódios.

Para terminar esta breve viagem pela memória dos “movie-brats”, temos que referir esse fenómeno que se chamou “Gremlins” e que é simplesmente a fusão do maravilhoso com o terror, onde a série-B, mais uma vez, se conjuga com o universo de Walt Disney. “Gremlins”/”O Pequeno Monstro” é a história de dois jovens adolescentes e da sua sossegada cidade, Kingston Falls, em vésperas de Natal, mas também a aventura de “Mogway”, longe do seu lar paterno. E o sossego da “little town” irá acabar por se transformar em aventura, terminando num autêntico pesadelo. Depois seguiu-se a “sequela”, mas isso já é outro fenómeno cinematográfico, fruto da época em que vivemos, em que os resultados de bilheteira decidem ou não a exploração do fenómeno.

Os “movie-brats” foram os “Vendedores de Sonhos”, desse tempo em que o cinema se confundia com magia, entrava-se nele pela porta grande do templo cinematográfico e viajava-se com o Douglas Fairbanks, no tapete voador, por essas arábias onde ainda era possível olhar Aladino e a sua lâmpada mágica e assim só poderemos dizer como o cinema era belo!

sábado, 20 de outubro de 2018

Crónica de Cinema: Era Uma Vez o Cinema!


Quando George Méliès pretendeu comprar a invenção dos Lumiére, Antoine Lumiére respondeu-lhe: "Sr. Méliès a nossa invenção não é para ser vendida. Pode ser explorada durante algum tempo como curiosidade científica, mas não tem nenhum interesse comercial."

Os factos desmentiram as palavras ditas. E uma nova Indústria nasceu. O cinema era o espectáculo das multidões, a evasão do quotidiano (1), a aquisição do comportamento das imagens e dos heróis (2).

Quando o cinema deixou de ser mudo (3) e passou a ser sonoro, foi uma verdadeira revolução, muitas estrelas nasceram, mas outras viram os seus dias no firmamento terminarem devido à "falta de voz", época excelentemente retratada em "Singing in the Rain" / “Serenata à Chuva”.
Com o final da Segunda Grande Guerra, o cinema começou a perder a magia que arrastava as multidões. A origem da quebra de audiências centrava-se no decréscimo da natalidade, motivada pela Guerra, e no seu futuro rival, que entretanto tinha nascido, a televisão, essa caixa que irá mudar o mundo, como todos sabemos.

A televisão, dizia a publicidade, "é o cinema em sua casa" e os resultados não se fizeram esperar. A indústria cinematográfica perdeu cerca de metade dos seus espectadores. A "economia" de que a TV era portadora reforçou essa tendência.
A resposta encontrada pela Sétima Arte foi o Cinerama e o Cinemascope em 1952, mas os tempos já eram outros e o mercado das imagens tornava-se competitivo, ao mesmo tempo que os Estúdios perdiam o seu poder de tudo controlar, já que a lei “anti-trust” terminou com o monopólio de que eram detentores, sendo obrigados a vender as salas de cinema que controlavam e as respectivas distribuidoras de que eram detentoras.

.No entanto a Sétima Arte, ao mesmo tempo que ia perdendo os seus adeptos, com o passar dos anos, viu renovada a sua audiência. Já não era o público de meia-idade que a procurava, pois esse estava em casa no conforto do lar a ver as imagens oferecidas pela televisão, mas sim os jovens em busca de novas paisagens, nascendo uma geração de cinéfilos que ofereceu muitos cineastas ao grande écran, bastando recordar as origens das novas vagas, fossem elas francesa, a célebre ”nouvelle vague”, depois a alemã nascida com o Manifesto do Festival de Oberhausen ou americanas com a chegada dos ”movie-brats” ao grande écran.

A passividade de que tantas vezes a televisão é portadora foi recusada pela juventude de então, em busca de novas experiências, que optou por eleger as imagens que desejava ver projectadas nos écrans. O nascimento dos Multiplex, com as suas numerosas salas, provocou uma oferta muito maior, aumentando a procura do cinema.

Com o nascimento do formato vídeo, novos dados foram lançados na paisagem audiovisual, ao mesmo tempo que o sonho de inventar e estudar as imagens tornava-se mais acessível. Entretanto, o formato Super-8 foi atingido pelo Inverno. O vídeo acabou por se tornar autónomo, no interior das imagens, já que ele irá ser também um elemento cinematográfico, como foi o caso de diversas aproximações fílmicas entretanto surgidas: "Número Dois"/ “Numero Deux” de Jean-Luc Godard, "Mistério de Oberwald" / “Il mistero di Oberwald” de Michelangelo Antonioni e "Do Fundo do Coração" / “One From the Heart” de Francis Ford Coppola ou essa obra ímpar intitulada "Morte em Veneza" / “Death in Venice” de Tony Palmer, segundo a ópera de Benjamin Britten e do romance de Tomas Mann.

Quando a Industria discográfica lançou o cd, muitos sonharam num formato idêntico para substituir o vídeo já que, como era o nosso caso, nunca aceitámos a manipulação e mutilação do plano e o vídeo ao usar o processo "pan-and-scan" para encher os televisores das nossas casas, que adulterava a maioria das obras cinematográficas.
Antes de surgir o famoso dvd, a industria lançou o “laser-disc” no mercado, mas sem grande sucesso, excepto em alguns países do continente Asiático, com economias prósperas e nos quais as salas de cinema são um refúgio perfeito da humidade.

Nasce então, após intermináveis negociações a nível económico, no que diz respeito ao formato, o dvd, com as suas célebres quatro zonas, para mal da cinéfilia, que rapidamente entrou nos nossos lares e se tornou numa peça de estimação dos cinéfilos, alguns deles repletos de extras, incluindo os célebres comentários dos realizadores. E mais tarde, como sabemos, irão nascer os famigerados canais por cabo, são centenas e muitos dedicados ao cinema, onde é possível encontrar inúmeras pérolas da Sétima Arte, assim como na Net, que através do YouTube e de sites de referência, nos proporcionam um leque enorme de opções cinematográficas, para nosso encantamento!

(1) - Duas recomendações sobre o tema: o livro de Howard Fast, "Max O Imperador de Hollywood"; o filme de Peter Bogdanovich "O Vendedor de Sonhos".

(2) - Um livro fundamental: "As Estrelas de Cinema" do Edgar Morin, 

(3) – E que tal uma leitura pelas "Reflexões" do René Clair, um divertimento acerca do que foi escrito sobre a arte do mudo e a arte do sonoro, onde o próprio autor e cineasta "dá a mão à palmatória!"

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Otto Preminger – “Entre o Amor e o Pecado” / “Daisy Kenyon”


Otto Preminger – “Entre o Amor e o Pecado” / “Daisy Kenyon” 
(EUA – 1947) – (99 min. – P/B) 
Joan Crawford, Dana Andrews, Henry Fonda. 

Otto Preminger, quando se iniciou na Arte da realização, rapidamente percebeu como os produtores e os directores dos Estúdios gostavam de interferir nos filmes, sempre a seu belo prazer, destruindo muitas vezes o trabalho dos cineastas e por isso mesmo decidiu ser produtor dos seus filmes, porque só assim não iria ver adulterado o seu processo criativo de realização. 

“Daisy Kenyon”, cujo título original é o mais indicado porque todo o filme gira à volta desta mulher chamada “Daisy Kenyon” (inesquecível Joan Crawford), que ama um homem casado, mas que sabe que ele nunca irá abandonar a esposa e as filhas, um dia irá conhecer um outro homem, militar e viúvo possuidor de um outro olhar sobre a vida e os acontecimentos bem diferente do habitual, que a irá pedir em casamento. 

Se pensa que este filme intitulado em Portugal “Entre o Amor e a Morte” se trata de mais um melodrama, está profundamente enganado(a), porque o que temos aqui é cinema de “alto calibre”, que nos mantém presos à cadeira, porque à medida que vamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos que ligam estas três personagens, nunca iremos conseguir descortinar o fotograma seguinte, porque como muitos sabem as razões do coração, muitas vezes, não possuem explicações racionais e em “Daisy Kenyon” vamos muito para além disso; Otto Preminger derrota em toda a linha o célebre código de censura imposto pelos Estúdios, conhecido como Código Hays, que irá durar de 1934 a1968. 

Em “Daisy Kenyon” temos muito mais do que a vida de uma mulher dividida entre dois homens, porque o cineasta se chama Otto Preminger e os actores Joan Crawford, Dana Andrews e Henry Fonda, em “Daisy Kenyon” temos a história das vidas com que nos cruzamos quotidianamente, sem artifícios, com contradições, amor, ódio, desespero e paixão. Um dos melhores filmes assinado por esse Mestre do Cinema, que curiosamente se iniciou no Teatro.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Agnès Varda – “Jacquot de Nantes” / “Jacquot”


Agnès Varda – “Jacquot de Nantes” / “Jacquot” 
(França – 1991) – (118 min./Cor – P/B) 
Philippe Maron, Edouard Joubeaud, Laurent Monnier. 

“Jacquot de Nantes”, realizado pela cineasta Agnès Varda, é uma dessas pérolas cinematográficas que guardamos para sempre na nossa memória após o seu visionamento e nele é-nos contada, de forma muito particular, a vida de Jacques Demy, desde o nascimento até entrar para a Escola de Cinema em Paris, de uma forma tão perfeita, que esses elementos particulares que diferenciam um documentário do denominado filme de ficção, surgem diluídos e se transformam num novo elemento que poderemos designar como o amor pelo cinema, que aqui nos é apresentado por essa mulher que ele encontrou e com quem se casou, porque ambos gostavam de filmes, para além de se amarem e este “Jacquot” é um dos mais belos actos de amor de uma mulher por um homem, recorde-se que Jacques Demy viria a falecer antes do filme se encontrar concluído. 

O cinema de Jacques Demy, que adorava musicais e em criança ia duas vezes por semana ao cinema, foi sempre um universo onde o musical se expandiu para além da canção, através dos respectivos diálogos, fruto de um saber e de uma colaboração com Michel Legrand, que faz da filmografia de Jacques Demy um caso único no interior da Sétima Arte. 

“Jacquot”, como lhe chamavam os pais, adorava o mundo das marionetes que depois iria ser transportado para o universo do cinema, quando ele adquiriu a sua primeira máquina de filmar e montava cenários para os seus personagens, construídos com as suas próprias mãos, navegarem na aventura e aqui iremos saber como uma batata pode dar origem a uma bela personagem. Mas antes convém recordar esse momento em que ele descobre em plena ocupação uns restos de película alemã e decide usá-la para fazer o seu primeiro filme, num desses momentos que marcam decididamente a magia deste filme realizado por Agnès Varda, 

Jacques Demy, que sempre quis fazer cinema, perante a oposição do pai que pretendia uma profissão mecânica para o filho, recorde-se que o pai tinha uma oficina, aliás bem presente no meu filme favorito do cineasta “Os Chapéus de Chuva de Cherburgo” / “Les parapluies de Cherburg”, irá afrontar o pai e conseguirá ir para Paris, para a Escola de Cinema, mas uma das razões porque os seus filmes são de encantar, ao ponto de o próprio Gene Kelly ter participado em “As Donzelas de Rochefort” / “Les demoiselles de Rochefort”, prende-se com o facto de a sua infância ter sido marcada pelo terrível bombardeamento de Nantes, durante a 2ª Grande Guerra, que o irá levar a odiar a violência, qualquer tipo de violência, como ele nos confessa num dos momentos do filme. 

“Jacquot de Nantes”, realizado por Agnès Varda, possui ainda a genialidade de a cineasta, companheira de uma vida de Jacques Demy, se manter “escondida” atrás da câmara, sem qualquer tipo de “intervenção visível”, como se a realização desta obra-prima fosse feita por alguém vindo do além, direi mesmo pelo próprio Jacques Demy, num dos mais belos actos de amor de uma mulher por um homem. 

Nota: os nossos sinceros agradecimentos à MR que nos deu a conhecer este filme inesquecível.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

George Miller – (1945) - Filmografia


George Miller – (1945)
Filmografia – (visitada)


1992 – Acto de Amor
1987 – As Bruxas de Eastwick
1985 – Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão
1983 – No Limiar da Realidade - (segmento: Nightmare at 20.000 Feet)
1981 – Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada
1979 – Mad Max: As Motos da Morte

George Miller – “Acto de Amor” / “Lorenzo’s Oil”


George Miller – “Acto de Amor” / “Lorenzo’s Oil”
(EUA – 1992) – (129 min./Cor)
Nick Nolte, Susan Sarandon, Peter Ustinov.




George Miller – “Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada” / “Mad Max 2”


George Miller – “Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada” / “Mad Max 2”
(Austrália – 1981) – (95 min./Cor)
Mel Gibson, Bruce Spence, Michael Preston.

George Miller – “Mad Max - As Motos da Morte” / “Mad Max”


George Miller – “Mad Max - As Motos da Morte” / “Mad Max”
(Austrália – 1979) – (88 min./Cor)
Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne

George Miller – “As Bruxas de Eastwick” – “The Witches of Eastwick”


George Miller – “As Bruxas de Eastwick” – “The Witches of Eastwick” 
(EUA – 1987) – (118 min./Cor) 
Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer, Cher, Susan Sarandon. 

Muitas vezes, quando o cinema aborda obras literárias e decide passar os romances ao celulóide acontecem enormes desastres, mas tal não sucedeu com este maravilhoso e divertido romance de John Updike, “As Bruxas de Eaastwick”, cujo livro foi na época editado pela Gradiva, entre nós. Recordo-me bem que li o livro num Natal em que estava acamado e sem poder comer após uma difícil operação, mas o livro de John Updike auxiliou-me a ultrapassar esse momento difícil. 

Quando fui ver o filme, realizado pelo cineasta australiano George Miller, nunca pensei que me iria divertir tanto, mas “As Bruxas de Eastwick”/”The Witches of Eastwick” ao serem interpretadas por um trio de luxo: Michelle Pfeiffer, Cher,e Susan Sarandon, ofereceram ao inesquecível “diabo ”, o fabuloso Jack Nicholson, a companhia perfeita. Recorde-se que, antes da estreia do filme, George Miller convidou o escritor John Updike para ver o resultado final da adaptação cinematográfica da sua obra, tendo o escritor gostado bastante. Estamos perante um filme que bem merece ser (re)descoberto! 

Nota: Na Austrália há dois cineastas a assinarem os filmes como George Miller e assim, para evitar confusões, refiro que estamos perante o realizador do célebre “Mad Max”.