sexta-feira, 26 de maio de 2017

Neil LaBute – “Amigos e Vizinhos” / “Your Friends & Neighbors”


Neil LaBute – “Amigos e Vizinhos” / “Your Friends & Neighbors”
(EUA – 1998) – (100 min. / Cor)
Ben Stiller, Amy Brenneman, Aaron Eckhart, Catherine Keener, Jason Patric, Nastassja Kinski.

“Amigos e Vizinhos” é uma verdadeira pedrada no charco no interior do cinema Americano. E dizemos isso porque Neil Labute, a quem alguns já chamaram o novo Woody Allen, oferece-nos neste filme um retrato das relações humanas que nos deixa a todos perfeitamente perplexos, pela simples razão de sabermos que muitas vezes é assim que elas se processam, embora nunca ninguém o reconheça. E quanto a essa comparação com Woody Allen, não estamos propriamente de acordo; pensamos antes que o seu cinema se aproxima muito mais do universo desse génio chamado David Mamet. Tal como Mamet, Neil Labute é oriundo do teatro, passando para o cinema peças de que foi autor e encenador, como sucedeu com “The Shape of Things” em que os intérpretes da peça seriam os mesmos do filme.


A aventura de Neil Labute na Sétima Arte começou quando “In the Company of Men” foi o filme sensação do Festival de Sundance em 1997, seguindo-se logo no ano seguinte este “Amigos e Vizinhos”.
O cinema de Labute é frontal e nunca cruel, porque ele funciona como um espelho do quotidiano e das relações humanas, essa mesmas relações que surgem muitas vezes suavizadas à superfície, mas que por vezes são bem brutais no interior desses lares por onde passamos tantas vezes, com as suas fachadas a irradiarem uma falsa felicidade.


“Your Friends & Neighbors” é uma obra que desde já não se recomenda a essas “pequenas sensibilidades”, que se escandalizam com o calão no interior do quotidiano, embora o pratiquem através da forma como agem no seu dia-a-dia, nesses pequenos gestos nunca fortuitos onde o cinismo impera, sempre com um sorriso nos lábios.
Por aqui vamos conhecer um grupo de amigos e vizinhos cujas vidas irão ser profundamente alteradas, porque nem sempre as relações humanas são aquilo que aparentam, nem sempre os casais com quem convivemos reflectem nos jantares em grupo a célebre verdade dos factos das suas tristes vidas.


E será assim que, logo no início, iremos perceber que a vida de Jerry (Ben Stiller) e Terri (Catherine Keener, mais uma vez surpreendente) é um profundo desastre na cama, ele não se cala por um minuto sequer e ela só pretende um pouco de silêncio, para poder usufruir um pouco do prazer de fazer amor. Já no território íntimo de Barry (Aaron Eckhart, actor convocado já por cinco vezes por Neil Labute para protagonista dos seus filmes) e Mary (Amy Brenneman) as coisas também não são as melhores, devido ao egocentrismo dele.
Por outro lado Cary (Jason Patric, muito elogiado pela sua interpretação) possui um ressentimento profundo com as mulheres, tratando-as como simples objectos de prazer, para depois as transformar no seu ódio de estimação.


Ao assistirmos ao desenvolvimento destas vidas, iremos descobrir as inevitáveis traições entre “amigos”, ao mesmo tempo que Neil Labute nos oferece aqueles momentos preciosos em que eles estão todos juntos a falar delas, e elas também todas juntas a falar deles, o que acaba sempre, como todos sabemos, por levar àquelas revelações causadoras de profundas tempestades entre os casais, muitas vezes provocando o naufrágio do doce lar que pensam habitar. Embora por vezes haja alguns que conseguem nadar para uma ilha que pensavam deserta e encontrem o amor, em territórios até então inexplorados, como irá suceder com Terri (Catherine Keener) ao conhecer Cheri (Nastassja Kinski), a assistente do célebre artista que expõe na galeria, ou será melhor dizermos a secretária…

Neil LaBute

“Amigos e Vizinhos” / “Your Friends & Neighbors” oferece-nos um relato das relações humanas neste mundo em que vivemos, que nos fez recordar essa obra-prima de Woody Allen intitulada “Maridos e Mulheres” / “Husbands and Wives”, mas para além da temática, que é na verdade idêntica, o filme de Neil Labute é muito mais ácido e frio, mas nunca cruel, mesmo quando vimos no final quem é a pessoa que se encontra com Cary (Jason Patric) na cama. Percebemos então que ela está ali de livre vontade, numa tentativa de sobreviver e aprender a amar neste perigoso mundo, em que as relações humanas são cada vez mais cínicas.
É impossível ficarmos indiferentes perante o cinema de Neil Labute, um autor no verdadeiro sentido da palavra.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Ron Shelton – “Homicídio em Hollywood” / “Hollywood Homicide”


Ron Shelton – “Homicídio em Hollywood” / “Hollywood Homicide”
(EUA – 2003) – (116 min. / Cor)
Harrison Ford, Josh Hartnett, Lena Olin, Bruce Greenwood, Martin Landau, Lolita Davidivich, Isaiah Washington, Robert Wagner.



Ron Shelton iniciou a sua carreira fazendo o pleno, desde assistente de realização em “Under Fire” / “Debaixo de Fogo”, passando a argumentista, até chegar à realização. Entrou com o pé direito na realização do seu segundo filme, intitulado “Blaze” / “Blaze – Um Amor Proibido”, onde nos oferece um retrato bastante mordaz e corrosivo sobre a vida de Blaze Starr, onde Paul Newman nos surge no seu melhor, ao lado dessa excelente actriz chamada Lolita Davidovich, por sinal esposa do cineasta.


Conhecedor profundo de Hollywood, Ron Shelton, em “Homicídio em Hollywood” / “Hollywood Homicide” decide oferecer-nos um retrato mordaz de uma dupla de detectives e desde já podemos avisar que estamos bastante distante de “Dia de Treino” / “Training Day” de Antoine Fuqua,  porque aqui o olhar navega sobre a comédia. E mais uma vez Harrison Ford não deixa os seus créditos por mãos alheias. E dizemos isso porque tanto o sargento Joe Gavilan (Harrison Ford) como o seu colega K.C. Calden (Josh Hartnett) possuem outra profissão para além da de polícia. Se o primeiro se dedica à venda de casas e propriedades, conjugando esta actividade com a de polícia com uma certa dificuldade, já o segundo aspira a ser actor, aproveitando todos os intervalos na sua actividade policial para estudar o papel outrora pertencente a Marlon Brando na famosa peça/filme “Um Eléctrico Chamado Desejo” / “A Streetcar Named Desire”.


Percebemos de imediato que o território abordado por Ron Shelton é a comédia, embora nunca se esqueça de a pontuar com cenas de acção. Mas a sua visão do universo das estrelas do rap/hip hop é profundamente mordaz, oferecendo-nos a forma como são criados sucessos pelos produtores, ao mesmo tempo que nos mostra como ele é quase sempre efémero, não havendo por vezes regras do jogo, mas sim regras da rua onde as armas criam um outro refrão bem diferente daquele que nasce na linguagem característica do rap. Por outro lado, o retrato que nos faz das estrelas de cinema é de um simbolismo perfeito, quando vemos o próprio Robert Wagner (himself) no célebre Passeio da Fama em Hollywood Boulevard a colocar as suas mãos no cimento, desconhecendo que irá falhar esse momento tão desejado devido à perseguição policial. E aqui temos mais um retrato do quotidiano de Hollywood, porque quem passa por aquela Free Way de LA sabe que é mesmo assim, com os helicópteros das estações de televisão no ar sempre em busca de uma perseguição automóvel, para a transmitir em directo, seguindo os helicópteros da polícia muito pouco discretamente.


Iremos assim acompanhar estes dois detectives que anseiam por mudar de profissão, a seguirem o rasto dos assassinos de um grupo de rap, ao mesmo tempo que um vai tentando vender uma propriedade e o outro estuda os diálogos de “Um Eléctrico Chamado Desejo”, não perdendo uma oportunidade para afinar a sua voz no famoso grito: “Stella!!!”, terminando ambos por concretizar os seus objectivos. Mas se a venda da propriedade de Jerry Duran (Martin Landau), um produtor de Hollywood, é um sucesso para Joe Gavilan, já a representação do jovem Calden é um desastre, sendo até a sua actuação interrompida em pleno palco pelo seu telemóvel que não pára de tocar, para o convocar para mais uma investigação. Decididamente os dois detectives possuem duas profissões que não são nada compatíveis.
“Homicídio em Hollywood” / Hollywood Homicide”, que possui um excelente conjunto de secundários com provas mais que dadas, oferece-nos uma comédia bastante refrescante que trata o mundo do cinema por tu, fruto do saber de Ron Shelton, bem como um retrato mordaz sobre as duplas de detectives, constituídas pelo veterano e o novato. Ron Shelton termina por realizar uma película com todos os ingredientes do policial, mas sempre com a comédia bem presente.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

John Waters – “Quem Não Chora Não Ama” / “Cry Baby”


John Waters – “Quem Não Chora Não Ama” / “Cry Baby”
(EUA -1990) - (91 min. / Cor)
Johnny Depp, AMy Locane, Iggy Pop, Tracy Lords, Joe Dallesandro.

Foi na verdade com grande satisfação que, uma noite, ao fazer zapping na televisão deparei com "Cry Baby" / "Quem Não Chora Não Ama" do John Waters, o célebre realizador de Baltimore, que não gosta de Hollywood tendo, no seu "Cecil B. Demented", "dito" tudo o que pensava do Paraíso dos Astros e Estrelas e da sua Indústria. Mas voltemos um pouco atrás no tempo e tenhamos cuidado com a laca no cabelo, porque foi a película "Hairspray"/ "Laca" que lançou o nome de John Waters para a ribalta, levando a que a Broadway a levasse à cena e não o contrário, do palco para o écran, como é habitual


A acção de "Laca" (*) decorre em Baltimore, cenário privilegiado dos seus filmes, no ano de 1962, contando a aventura dançante da gordinha Tracy nos concursos da WZZT TV (sátira à MTV), no programa de Corny Ollins. No entanto, nem só de danças de adolescentes de cabelos oxigenados, brilhantina aos montes e laca aos molhos, trata a película de Waters, já que ela fala desses tempos conturbados de segregação racial e das manifestações a favor da integração.
Cineasta complexo e divertido, John Waters, um icon da “trash culture” e personagem da famosa série "Os Simpson", convocou para "Cry Baby" / "Quem Não Chora Não Ama" a habitual família e estrelinhas mágicas como Pia Zadora ($$$$$), Rick Ocasek (vocalista dos Cars), Debby Harry (Blondie), Traci Lords (ex-estrela porno e sua mulher), Patrícia Hearst (ex-terrorista de boas famílias), Tracy Donahue (star dos anos sessenta), Joe Dalessandro (do Planeta Andy Wahrol), Amy Locane (das melhores famílias!) e o coleccionador de obras de arte Mr. Johnny Depp (**). Sem dúvida alguma um leque bastante ortodoxo!!!!
O seu cinema é a simbiose de Walt Disney e Andy Wahrol, porque os seus personagens, sempre figuras marginalizadas da sociedade, não apresentam o miserabilismo geralmente transmitido por outros, mas sim a pureza e a magia dos desenhos animados de Disney.


"Quem Não Chora Não Ama" / “Cry Baby” conta-nos o romance de Alison (Amy Locane) e Wade (Johnny Depp), pertencentes a classes sociais diferentes. Ela é "betinha", ele "chavaleco", andam na mesma escola e embora cada um tenha o seu grupo, estão ardentemente apaixonados, apesar da oposição das respectivas famílias.
A Baltimore dos anos cinquenta, como não podia deixar de ser, serve de cenário. A banda sonora é uma perfeita maravilha, onde descobrimos coreografias geniais parodiando o "Jailhouse Rock" de Elvis Presley ou o magnífico "Please Mister Jailer" com a Amy Locane e o trio das "bad bad girls". Mas o melhor é o duelo final de automóvel, numa homenagem muito "a la Waters" ao célebre "Fúria de Viver" / "Rebel Without a Cause" de Nick Ray, com James Dean.
Alison e Wade, o par de apaixonados, vence todos os obstáculos que se lhes deparam, tornando-se o sonho realidade, para (des)contentamento de todas as famílias!!! Venham descobrir esse "Pirata das Caraíbas" chamado Johnny Depp envergando o blusão de James Dean, conduzindo a sua mota como se fosse um Hell Angel chamado Marlon Brando e competindo com Elvis Presley no rock and roll!!!


Redescobrir o cinema encantado de John Waters é uma aventura gratificante. Com laca ou brilhantina, os “movies” de John Waters usam cosméticos de cinema de autor, de uma forma maravilhosamente provocante, para acentuar a sua independência da indústria. “Cry Baby” está disponível em dvd.

(*) – O movie "Hairspray" (Laca) conta com a participação de Divine, o célebre travesti, na época quase um alter-ego de Waters. Anos mais tarde será feito um “remake” com John Travolta.

(**) - Foi Martin Landau que nos intervalos das filmagens de "Ed Wood" convenceu Johnny Depp a se tornar coleccionador de Arte (pintura).

terça-feira, 23 de maio de 2017

Richard Brooks – “O Homem das Lentes Mortais” / “Wrong is Right”


Richard Brooks – “O Homem das Lentes Mortais” / “Wrong is Right”
(EUA – 1982) – (117 min. / Cor)
Sean Connery, George Grizzard, Robert Conrad, Katharne Ross, John Saxon, Henry Silva, Leslie Nielsen.

E a ficção tornou-se realidade… assim poderia terminar esta crónica de cinema sobre a película de Richard Brooks, “Wrong is Right”, mas optámos por inserir a frase no início porque o que está aqui em jogo é precisamente o poder dos “Media” e a sua manipulação pelos políticos, embora também seja possível ver este filme como inspiração de factos ocorridos duas décadas depois.
Vamos buscar a cinéfilia para concretizar melhor este ponto de vista, quando Barry Levinson, no intervalo das filmagens de “A Esfera” / “Sphere”, devido à longa produção dos efeitos especiais, decidiu levar ao écran um argumento do fabuloso David Mamet intitulado “Manobras na Casa Branca” / “Wag the Dog”, nunca pensando que uma história muito idêntica estivesse a decorrer no maior dos segredos nessa mesma Casa Branca, como os acontecimentos posteriores vieram a demonstrar.
Ora o que sucede com o filme de Richard Brooks é que antecipa a História em duas décadas. Como sabemos, após os ataques do 11 de Setembro em New York, foram criadas as condições para desencadear uma guerra, tendo como pretexto a existência de armas de destruição maciça em mãos erradas, tudo por causa da riqueza do petróleo. Se virmos bem, é disso mesmo que trata “Wrong is Right”.


 “O Homem das Lentes Mortais” faz assim história, quase um quarto de século depois da sua estreia nos écrans. Na época em que o vimos pela primeira vez em Lisboa, no saudoso cinema Monumental, foi com enorme prazer que encontrámos Sean Connery na figura do destemido jornalista Patrick Hale, sempre acompanhado da sua câmara de filmar, essa câmara de lentes mortais que tudo fixa e tudo transmite, sempre ao “serviço da verdade jornalística”.
Richard Brooks, como um profeta, mostra-nos aquela que será a televisão do século XXI, com os seus “reality shows”, onde se confessam “crimes não cometidos”, desde a mulher que deseja matar o marido, a filha que pretende aniquilar a mãe, desejos esses que o pequeno écran irá servir ao espectador como uma espécie de terapia, ao mesmo tempo que os seus protagonistas atingem esses 15 minutos de fama de que tanto falou Andy Wahrol.


Mas se para muitos, incluindo o próprio Patrick Hale (Sean Connery), o jornalismo representa o “Quarto Poder”, iremos verificar como este poder é tão frágil que consegue ser usado e manipulado para proveito dos mais poderosos, porque aqui não há regras do jogo, porque a partida está viciada desde o início, todas as cartas estão marcadas.
Partindo do livro “The Better Angels” de Charles McCarry, o argumento que Richard Brooks escreveu a duas mãos com o escritor oferece-nos a criação/existência dos homens bombas, numa célebre antecipação dos bombistas suicidas que proliferam pelo mundo inteiro, só que nesta ficção o objectivo é chamar a atenção para a sua luta e não de provocarem o maior número de vítimas inocentes como sucede nos dias de hoje nos atentados terroristas.
Temos assim o jornalista Patrick Hale, que se movimenta muito bem nos corredores do poder, tanto na Casa Branca como no Médio-Oriente, entrando por sua própria iniciativa na rede de espionagem mantida por americanos e israelitas, onde não faltam os inevitáveis vendedores de armas (o negócio gere milhões) e aqui vamos encontrar essa estrela chamada Katherine Ross (a miúda da época, para alguns cinéfilos) envolvida em redes incontroláveis, porque nunca se sabe quem está a manipular os acontecimentos.


Repare-se na forma como nos é apresentado o Presidente Lockwood (George Grenville), que nos faz recordar uma certa pessoa, desde os seus discursos até à forma de se comportar perante os “média”, usando sempre as reportagens contundentes de Patrick Hale (Sean Connery) “para levar a água ao seu moinho”, enquanto por outro lado o jornalista vai transmitindo aos espectadores a informação mais credível sobre o desenrolar dos acontecimentos sempre em “prime-time” para manter o “share” das audiências e assim aumentar as receitas da publicidade.
A forma como é montada toda a intriga, assim como os métodos da contra-informação, levam-nos a pensar até que ponto não somos manipulados neste século xxi, diariamente, pela informação que consumimos, porque cada vez mais o que se publica não é a verdade dos factos, mas sim as notícias que conseguem angariar as maiores receitas: morte, crime, destruição, guerra.
Recorde-se que na panóplia de imagens televisivas com que se inicia o filme “Wrong is Right” / “O Homem das Lentes Mortais” está lá essa maravilhosa publicidade para nos ajudar a viver no melhor dos universos, porque neste Admirável Mundo Novo cada vez mais se vai copiar o pior da história do passado, para se criar a história do presente..

 Sean Connery num filme incontornável 
de Richard Brooks!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Passions and Desires – An ECM Records Blog’s Fan.



Foi em meados da década de setenta do seculo xx que descobri a música da editora ECM Records – European Contemporary Music e desde então, ao longo de quarenta anos, descobri um dos mais belos universos musicais da História da Música, graças a esse produtor e nome incontornável da editora alemã, chamado Manfred Eicher que, primeiro em vinil e depois no formato de cd, nos ofereceu gravações de uma qualidade muito acima da média e sempre com um design das capas dos álbuns de uma beleza deslumbrante.

aqui vos falei do produtor Manfred Eicher e da sua editora ECM Records e por diversas vezes ofereci a minha opinião aqui sobre as suas edições discográficas, algo que irei continuar a fazer sempre que possível no blog “Manuscritos da Galaxia” mas, como fan, decidi criar um blog intitulado “Passions and Desires” de divulgação da música da ECM Records, de forma cronológica, a fim de permitir um olhar diferente sobre a editora de Munique, para quem a música não possui fronteiras, mas apenas a beleza das suas sonoridades, criando assim a mais bela música depois do silêncio. Aqui vos deixo o convite para visitarem o blog “Passions and Desires” (click no título do blogue).


Desejo a todos uma boa semana!

domingo, 21 de maio de 2017

James Cameron – “Titanic”


James Cameron – “Titanic”
(EUA – 1997) – (194 min. / Cor)
Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Gloria Stuart, Bill Paxton, David Warner.

Goste-se ou não de “blockbusters”, temos de reconhecer a grandeza de “Titanic” de James Cameron, cujos custos de produção ultrapassaram os 200 milhões de dollars, mas que foram largamente ultrapassados pelas receitas do filme, ao mesmo tempo que conquistava onze Oscars da Academia, um feito apenas atingido por “Ben-Hur” e certamente ainda estamos recordados do grito do realizador na entrega da famosa estatueta, na noite dos Oscars: “sou o rei do universo”.
Na realidade “Titanic” ultrapassou todas as expectativas, depois de uma rodagem repleta de problemas, mas ao vermos o resultado final, só podemos “tirar o chapéu” à genialidade do cineasta, que nos narra em simultâneo a “love story” entre Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose Dewitt (Kate Winslet), membros de classes sociais bem distintas, ao mesmo tempo que nos oferece a tragédia do célebre navio, que foi ao fundo após colidir com um iceberg.


Na cerimónia dos Oscars, ao contrário do que se pensava, os dois protagonistas ficaram fora dos prémios, tendo até DiCaprio nem sequer sido nomeado, o que se revelou uma profunda injustiça, como todos sabemos. E hoje ninguém coloca em dúvida o valor que ambos representam no universo cinematográfico, assim como as suas excelentes interpretações no filme contribuíram para o enorme sucesso da película.
A forma como James Cameron nos coloca no interior do navio, em que as classes sociais a bordo ocupam lugares bem distintos, e nos narra o encontro dos dois protagonistas e os sonhos de ambos, rumo à terra prometida, prendem o espectador.
Embora todos conheçamos a história do Titanic, a forma como nos é oferecido o afundamento do navio, graças aos superiores efeito especiais, conquistam de imediato a atenção do espectador, que de certa forma revive a tragédia.


Já o romance protagonizado por Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose DeWitt (Kate Winslet), que se encontra noiva de Calefon Hockley (Billy Zane), cativou as plateias de todo o mundo, ao mesmo tempo que a banda sonora pontuava de forma decisiva todos os momentos do filme, incluindo o encontro dos amantes no convés do navio, onde a voz de Celine Dion se revelava única.

“Titanic” de James Cameron é um “blockbuster”, mas ninguém conseguiu ficar indiferente perante a genialidade demonstrada pelo cineasta ao realizar este filme.