quinta-feira, 24 de maio de 2018

Marco Ferreri - (1928 - 1997)


Marco Ferreri - (1928 - 1997)

Joseph Zito – “Invasão EUA” / “Invasion USA”


Joseph Zito – “Invasão EUA” / “Invasion USA” 
(EUA – 1985) – (107 min./Cor) 
Chuck Norris, Richard Lynch, Melisa Prophet. 

Quotidianamente somos confrontados, cada vez mais, com a violência e os meios de comunicação permanecem ávidos de sangue, para assim cativarem as audiências e se pensa que isto é fruto deste milénio, está profundamente enganado, porque já em 1860 Charles Baudelaire escreveu sobre este tema no seu diário, chamando-lhe “uma orgia de atrocidade universal”. Ora a violência gratuita surge no cinema cada vez mais, mas já no século passado era assim, e “Invasão EUA” / “Invasion USA”, que vi no cinema na época da estreia, anda agora pelo pequeno écran, numa época em que há tantos filmes que bem mereciam uma oportunidade e infelizmente continuam a viver no limbo dos esquecidos. Basta vermos o primeiro quarto de hora da película realizada por Joseph Zito (o realizador de “Desaparecido em Combate” / “Missing in Action”), com os diversos ataques terroristas em plena época Natalícia, para percebermos os objectivos traçados nesta película, goste-se ou não desse mestre das artes marciais tornado actor e chamado Chuck Norris. 

RLL

Sam Raimi – “Homem-Aranha” / “Spider-Man”


Sam Raimi – “Homem-Aranha” / “Spider-Man” 
(EUA - 2002) – (121 min./Cor) 
Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Willem Dafoe. 

Serão certamente pouco os que se lembram do Sam Raimi, actor no filme “Um Verão no Lago” / “Indian Summer”, esse ajudante “trapalhão” de Alan Arkin, que se prepara para receber sete amigos que em crianças passaram um verão no campo de férias (procurem o filme e vejam-no!). Mas regressemos a Sam Raimi cineasta que, vindo das pequenas produções, dá um passo de gigante no interior do sistema dos Estúdios, ao realizar de forma bem convincente este “Spider-Man” / “Homem-Aranha”, muito graças a essa figura do vilão, interpretada por Willem Dafoe! 

RLL

George Tillman Jr. – “Homens de Honra” / “Men of Honor”



George Tillman Jr. – “Homens de Honra” / “Men of Honor” 
(EUA – 2000) – (129 min./Cor) 
Cuba Gooding Jr., Robert De Niro, Charlize Theron. 

Neste novo milénio e não só o facto de uma película apresentar a referência de “baseado numa história verídica” captar de imediato a atenção do espectador, levou os célebres irmãos Cohen a colocar essa “informação” no final de “Fargo”, possivelmente o seu mais famoso filme, no sentido de fazer humor, já que muitas vezes o célebre “baseado numa história verídica” não é muito linear e muito menos verídico. 

No entanto tal não sucede com esta magnifica película de George Tilman Jr., que nos narra a história de Carl Brashear, um negro que decidiu alistar-se na marinha, no corpo de mergulhadores da Marinha Americana, numa época em que o racismo na América estava em efervescência, sendo a interpretação de Cuba Gooding Jr. memorável, ao transmitir ao personagem os sentimentos vividos por este homem que irá terminar por se fazer respeitado e admirado, incluindo pelo seu temível instrutor, Billy Sunday (uma excelente interpretação de Robert De Niro). “Homens de Honra” / “Men of Honor” é o Cinema na sua mais bela expressão! 

RLL

Marco Ferreri – “Contos da Loucura Normal” / “Storie di ordinaria follia”


Marco Ferreri – “Contos da Loucura Normal” / “Storie di ordinaria follia” 
(Itália / França – 1981) – (101 min./Cor) 
Ben Gazzara, Ornella Mutti, Susan Tyrell. 

Marco Ferreri, com este “Contos da Loucura Normal”, aborda o famoso universo do escritor norte-americano Charles Bukowski, ao adaptar algumas das short-stories incluídas no livro com o mesmo nome, recorde-se que desta feita o argumento foi escrito pelo próprio cineasta em colaboração com o famoso Sergio Amidei, ao mesmo tempo que o famoso alter-ego do escritor, que aqui irá surgir com o nome de Chales Serking, irá ter uma extraordinária caracterização oferecida por Ben Gazarra, conhecido de muitos como um dos membros do famoso grupo de John Cassavetes, 

Ao contrário do que sucedeu com a película de Barbet Schroeder, “Barfly – Amor Marginal”, já aqui abordada, também baseada em Charles Bukowsky, o filme de Marco Ferreri, ao contrário do que seria de esperar, termina por se revelar a melhor adaptação que conhecemos do universo do escritor norte-americano, ao mesmo tempo que o trabalho de Ben Gazarra é memorável, ficando para sempre na memória esse final em que ele lê um poema à jovem com quem se cruza na praia. 

“Contos da Loucura Normal” / “Storie di ornaria follia” conquistou três David di Donatello (o equivalente aos Oscars em Itália), no ano de 1982, para Melhor Realização: Marco Ferreri; Melhor Argumento: Marco Ferreri e Sergio Amidei; Melhor Fotografia: Tonino Delli Colli. 

Rui Luís Lima

Sam Mendes – “Revolutionary Road”


Sam Mendes – “Revolutionary Road” 
(EUA / Grã-Bretanha – 2008) – (119 min./Cor) 
Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Christopher Fitzgerald. 

“Revolutionary Road” será um dos melhores filmes de Sam Mendes e, possivelmente, um dos menos conhecidos ou que não atraiu os favores do público, apesar de ter Leonardo DiCaprio e Kate Winslet como protagonistas, na adaptação cinematográfica do romance de Richard Yates, que nos fala desse tempo dos sonhos e da esperança de um jovem casal, que terminam por ser devorados pelo destino cruel, que lhes foi reservado. “Revolutionary Road” surge assim como um perfeito melodrama contemporâneo, que bem merece ser (re)descoberto!

RLL

Chris Marker – “La Jetée”


Chris Marker – “La Jetée” 
(França – 1962) – (28 min. – P/B) 
Etienne Becker, Jean Négroni, Hélène Chatelain. 

De todas as películas que este cineasta ofereceu à Sétima Arte, “La Jetée” será possivelmente a mais célebre de todas e se pensarmos que ao longo de 28 minutos apenas temos fotografias fixas, que nos vão surgindo em movimento, porque a forma como a montagem está feita, aquilo que encontramos são 24 imagens por segundo a navegarem na nossa memória, neste cine-roman ao acompanharmos a tragédia da humanidade nessa Terceira Guerra Mundial que destruiu o planeta e a humanidade, ao mesmo tempo que acompanhamos as experiências que os “vencedores” fazem sobre um prisioneiro, em busca das suas memórias, onde a vida e o amor terminam por lhe confessar que afinal ele está morto.




A Cinemateca Francesa, de 3 de Maio a 29 de Julho de 2018, leva a efeito uma enorme retrospectiva da obra do cineasta, intitulada “Chris Marker, Les 7 Vies D’Un Cineaste”, acompanhada de uma Exposição sobre o realizador da responsabilidade de Christine Van Assche, Raymond Bellour e Jean-Michel Frodon e foi também lançado um fabuloso catálogo de 400 páginas, abordando a vida e obra do cineasta de forma cronológica, através dos acontecimentos mais marcantes de um século, que ele retratou de forma bem singular. 

Rui Luís Lima

Jon Amiel – “Sommersby, o Regresso de Um Estranho” / “Sommersby”


Jon Amiel – “Sommersby, o Regresso de Um Estranho” / “Sommersby” 
(França / EUA – 1993) – (114 min./Cor) 
Richard Gere, Jodie Foster, Bill Pulman, Lanny Flaherty. 

Na época da sua estreia, este filme de Jon Amiel obteve um enorme sucesso, mas foram poucos os que sabiam que se tratava de um “remake” do filme francês “Le Retour de Martin Guerre”, realizado por Daniel Vigne e tendo Gérard Depardieu e Nathalie Baye como protagonistas da história de um soldado que regressa da guerra a casa e a sua mulher acha-o diferente, porque tornou-se bem diferente no trato, tornando-se um ser apaixonado e dedicado, ao contrário do homem violento que partira para a guerra. No original francês, a época retratada é o século XVI, já no “remake” americano a acção decorre após o final da guerra civil. E a forma como a intriga se vai desenrolando termina por colocar como principal desejo de um homem a obtenção de um lar e uma família, onde a felicidade irá reinar, mesmo que em troca tenha que sacrificar a sua vida à mentira. Com excelentes interpretações de Richard Gere e Jodie Foster, este filme/”remake” do britânico Jon Amiel, permanece com todas as suas qualidades intactas, apesar da passagem dos anos. 

RLL

John Woo – “Missão Impossível II” / “Mission; Impossible II”


John Woo – “Missão Impossível II” / “Mission; Impossible II” 
(EUA / Alemanha – 2000) – (123 min./Cor) 
Tom Cruise, Dougray Scott, Thandie Newton, Ving Rhames. 

Quando foi anunciado que o realizador de “Missão Impossível II” seria John Woo, foram muitos os que esperaram ir encontrar uma película repleta de acção e emoção, mas infelizmente este novo capítulo das aventuras do agente Ethan Hunt ficou muito aquém do esperado e depois será na verdade Impossível superar a magia da primeira película realizada por Brian De Palma, tornando-se este segundo capítulo o mais fraco de todos, que infelizmente não teve também vilões à altura, enquanto Thandie Newton, não se enquadra com a personagem que interpreta. 

RLL

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Mimi Leder – “Favores em Cadeia” / “Pay It Forward”



Mimi Leder – “Favores em Cadeia” / “Pay It Forward” 
(EUA – 2000) – (123 min./Cor) 
Kevin Spacey, Helen Hunt, Haley Joel Osment. 

Esta película realizada por Mimi Leder revela-nos que nem sempre chega a bondade de uma realizadora, com um elenco a viver em “estado de graça” para obter um enorme sucesso de bilheteira. Kevin Spacey vinha do estrondoso sucesso de “Beleza Americana” / “American Beauty”, Haley Joel Osment fora a criança sensação de “O Sexto Sentido” / “The Sixth Sense” e Helen Hunt era a vedeta da série de televisão “Doido Por Ti” e ainda estava a viver o “estado de graça” de “Melhor é Impossível” / “As Good As It Gets”, mas perante um argumento, “sem pernas para andar”, a apelar aos bons sentimentos de forma inócua, já que a tragédia faz parte do plano de cativar as audiências, acompanhado de uma realização, que nunca consegue envolver o espectador nos acontecimentos, terminamos por rapidamente esquecer este “Favores em Cadeia” / “Pay It Forward”, porque na verdade de filmes com boas intenções está o universo cinematográfico cheio, o que é necessário num filme é que ele respire cinema por todos os fotogramas, algo que não sucede com esta película! 

Rui Luís Lima

McG – “Os Anjos de Charlie” / “Charlie’s Angels”



McG – “Os Anjos de Charlie” / “Charlie’s Angels” 
(EUA / Alemanha – 2000) – (98 min./Cor) 
Cameron Diaz, Drew Barrymore, Lucy Liu. 

“Os Anjos de Charlie” / “Charlie’s Angels” foi uma famosa séria de televisão norte-americana que, durante cinco anos (1976-1981), fez as delícias de muitos espectadores ao acompanharem as aventuras de três agentes femininas, que trabalhavam para esse enigmático Charlie, responsável por uma agência secreta, como era habitual na época. Esta série, surgida na ABC e produzida pelo famoso Aaron Spelling, “correu mundo” e as suas protagonistas eram Jaclyn Smith, Farah Fawcett e Kate Jackson. 

Ora nesta época em que vivemos, Hollywood descobriu que é muito mais fácil copiar o passado, a coberto de pretensas homenagens ou “remakes”, do que escrever argumentos originais e este filme revela-se um bom exemplo disso mesmo, talvez até fosse de criar o Oscar para este novo género cinematográfico. 

RLL

Richard Donner – “Assassinos” / “Assassins”


Richard Donner – “Assassinos” / “Assassins” 
(EUA / França – 1995) – (132 min./Cor) 
Sylvester Stallone, Antonio Banderas, Julianne Moore. 

Esta película do veterano Richard Donner revela mais uma vez a eficácia com que o cineasta se movimenta no interior do denominado filme de acção, recorde-se que ele é o responsável pela famosa série de filmes “Arma Mortífera”, tendo este “Assassinos” / “Assassins” a curiosidade de o argumento ter sido escrito pela dupla Wachowski (responsável por “Matrix”) e uma das personagens deste filme ser precisamente uma hacker, chamada Electra (Julianne Moore). A navegar no território dos “esquecidos”, esta película de Richard Donner enquadra-se no interior do denominado cinema de acção, sendo um bom exemplo do que se fazia no género, no final do século passado.

RLL

Martin Campbell – “Limite Vertical” / “Vertical Limit”


Martin Campbell – “Limite Vertical” / “Vertical Limit” 
(EUA / Alemanha – 2000) – (124 min./Cor) 
Scott Glenn, Chris O’Donnell, Bill Paxton. 

Martin Campbell é um desses cineastas que obtém sempre bons resultados em todos os projectos em que toma as rédeas do comando, apesar de toda essa poderosa influência que os executivos dos Estúdios possuem no interior do sistema e este “Limite Vertical” / “Vertical Limit”, realizado numa época em que o alpinismo surgia como fonte de primeira página nos jornais, com as diversas escaladas que se iam fazendo aos mais famoso picos do mundo, fosse ele o Everest ou outros similares, é um excelente exemplo disso mesmo. 

Por outro lado, um dos valores seguros deste filme centra-se nos actores e muito em especial em Scott Glenn e Bill Paxton, que mais uma vez nos demonstram as suas qualidades interpretativas nesta história de resgate de alpinistas. Realizado com “conta, peso e medida” (desculpem-me a expressão) “Limite Vertical” bem merece ser (re)descoberto! 

RLL

Karyn Kusama – “Aeon Flux”


Karyn Kusama – “Aeon Flux” 
(EUA – 2005) – (93 min./Cor) 
Charlize Theron, Frances McDormand, Sophie Okonedo. 

Karyn Kusama, que nos últimos anos tem dedicado a sua actividade ao pequeno écran, sendo responsável por alguns dos episódios de diversas séries que vão sendo exibidas no nosso país nos diversos canais de televisão, estreou-se no cinema com a película “Girlfight”, tendo recebido até um prémio em Cannes (2000) como jovem promessa, realizou cinco anos depois este bem interessante filme de ficção-cientifica, que desde já se recomenda aos fans dos género e da star Charlize Theron, mas também aos cinéfilos, porque estamos perante uma película que, se por um lado joga com as famosas matrizes do denominado filme de série-b, por outro obtém dos denominados efeitos especiais apenas o essencial, para apostar tudo no argumento baseado na série de animação criada por Peter Chung em 1991 e numa realização bem interessante. “Aeon Flux” de Karyn Kusama e com uma bela Charlize Theron (bem diferente do habitual), merece ser visitada! 

RLL

John Cassavetes – “Rostos” / “Faces”


John Cassavetes – “Rostos” / “Faces” 
(EUA – 1968) – (130 min. P/B) 
John Maarley, Gena Rowlands, Lynn Carlin. 

Usando um preto e branco rigoroso e com o grande plano bem em evidência, John Cassavetes oferece-nos um olhar sobre a classe média norte-americana, nada meigo e onde as vidas retratadas se encontram a habitar esse estranho labirinto de traições, onde por vezes os matrimónios se deixam enredar, terminando por nunca mais encontrarem a porta de saída, da teia que laboriosamente e por vezes (in)conscientemente foram construindo, terminando as famosas segundas oportunidades por se tornarem verdadeiras areias movediças, fruto da memória da anterior relação. Mais uma vez iremos descobrir a esposa do cineasta, a actriz Gena Rowlands, a oferecer-nos a sua arte! 

RLL