domingo, 9 de abril de 2017

John Carpenter – “Christine – O Carro Assassino” / “Christine”


John Carpenter – “Christine – O Carro Assassino” / “Christine”
(EUA - 1983) – (110 min. / Cor.)
Keith Gordon, John Stockwell, Alexandra Paul, Robert Prosky, Harry Dean Stanton.

John Carpenter é considerado por muitos como um dos herdeiros de Alfred Hitchcock, devido ao suspense criado nos seus filmes. Mas o seu cinema, apesar de possuir este estatuto, é também descendente de Howard Hawks e daquilo a que se convencionou chamar “Série-B”, aliás bem patente em “Assalto à 13ª Esquadra”/”Assault On Precinct 13”, um verdadeiro “western” dos anos setenta, onde a presença do cinema de Hawks e do seu famoso “Rio Bravo” é uma constante, além dos reduzidos meios utilizados serem também memória desses “movies” de pequeno orçamento, projectados nas sessões duplas, em complemento ao filme principal e onde se escondiam tantos autores.


Se os seus filmes seguintes “Halloween” e “O Nevoeiro” / ”The Fog”, patenteiam o mesmo género de produção, assumindo até John  Carpenter a autoria da banda sonora, já com “Nova Iorque 1997” / ”Escape From New York”, assiste-se a uma utilização de grandes meios, originando o filme menos interessante do cineasta.
Com “The Thing” / ”Veio do Outro Mundo”, John Carpenter decide apostar mais uma vez na grande produção e no seu alter-ego Kurt Russell. Os resultados são desta vez surpreendentes, neste “remake” da película de Christian Nyby produzida por Howard Hawks, onde os efeitos especiais são parte integrante do filme e não seu complemento, como geralmente sucede. John Carpenter consegue instalar a dúvida, a incerteza e a ameaça até ao último fotograma.


Chegamos assim a “Christine”, nome de mulher, objecto de amor e de posse, símbolo de poder ou simplesmente um vermelho Plymouth Fury, nascido numa linha de montagem de Detroit no ano de 1957.
Vinte anos depois, Arnie, um jovem tímido e cobarde, que só consegue sobreviver no mundo dos “bad boys” graças ao seu amigo Dennis, encontra por acaso um velho Plymouth e compra-o por 250 dollars. O seu antigo proprietário morreu nele poucos meses antes.
Possuindo Christine, Arnie transforma-se radicalmente, mas o desejo/sedução que se estabelece entre ele e Christine, tem a sua origem em quem?


E aqui falamos já dos sentimentos que “ela” transporta consigo. É inevitável falar no feminino. A sua cor é o sangue que lhe corre nas veias e lhe dá vida, mesmo quando praticamente destruída renasce das cinzas na garagem de Darnei e o pulsar do seu coração é o “rock and roll” que o rádio transmite.
Aquando da morte de Arnie (Keith Gordon), ela jura-lhe fidelidade e vingança. A frase de Leigh (Alexandra Paul), namorada de Arnie “odeio o rock and roll”, é o sintoma claro do ciúme existente entre elas, o qual se estabelecera no “drive-in”, quando Leigh se sente observada por “ela” e recusa fazer amor com Arnie, culminando na tentativa de assassínio por parte de Christine, perante o olhar tranquilo do namorado.


John Carpenter consegue neste filme transmitir sentimentos de amor, mas também de terror, através de um vermelho Plymouth, que nunca é visto como um automóvel, mas sim como uma mulher, que vive, sofre e ama – e dizemos vive, porque no final a dúvida que nos assalta sobre a sua capacidade de sobrevivência morre, para segundos depois a certeza da sua eternidade se instalar no espectador.

John Carpenter durante a rodagem do filme.

Ao sairmos da sala de cinema ou do conforto do nosso refúgio quotidiano, o primeiro olhar é para os carros que se cruzam na rua em busca de um Plymouth Fury, em busca de Christine!

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