sábado, 8 de abril de 2017

Jean Becker – “Conversas com o meu Jardineiro” / “Dialogue avec mon Jardinier”


Jean Becker –  “Conversas com o meu Jardineiro” / “Dialogue avec mon Jardinier”
(França - 2007) – (109 min. / Cor)
Daniel Auteuil, Jean-Pierre Darroussin, Fanny Cottençon.

Jean Becker é filho do célebre cineasta francês Jacques Becker, iniciou-se na actividade através da mão do pai, como assistente de realização no célebre filme “Touchez pas des Grisbi”, iniciando-se mais tarde na carreira de realizador com “Un nommé de Rocca”, tendo Jean-Paul Belmondo como protagonista. Depois foi a passagem, sempre útil, pelo pequeno écran onde apurou a sua visão cinematográfica, regressando às grandes salas para se tornar célebre com o magnifico “Verão Assassino” / “L’Éte meutrier”, com a bela e sensual Isabelle Adjani, um daqueles filmes inesquecíveis. Seguiram-se depois, entre outros, “Elisa” com a dupla Gerard Depardieu e Vanessa Paradis e essa película que espantou muitos, intitulada “Un Crime au Paradis”.


Em “Conversas com o meu Jardineiro”, Daniel Auteuil é um pintor em processo de divórcio, que regressa a casa dos pais para aí se estabelecer e deixar passar as feridas do tempo, sempre pensando numa possível reconciliação com a mulher, mas as suas paixões pelos modelos que pinta, todas muito mais novas que ele, é um obstáculo intransponível.
A casa e os terrenos que a circundam necessitam de alguém que cuide deles e ele não tem tempo nem disposição para isso, decide então colocar um anúncio a pedir um jardineiro e quando menos espera o candidato aparece, na sua moto “idosa”, para iniciar os trabalhos. Leo (Jean-Pierre Darroussin) é um antigo ferroviário e ao longo do primeiro encontro descobrem que foram amigos de infância, os célebres autores do bolo que explodiu na cara do professor. Se um é de origens humildes, o outro era o filho do farmacêutico da aldeia e como palavra puxa palavra, a amizade de outrora volta a ser reencontrada.


Será através das suas conversas com Leo que o pintor irá descobrir que existe um mundo bastante diferente e distante da sua Paris. O carinho oferecido pelo jardineiro à horta que cria para o pintor, um verdadeiro quadro, irá reflectir-se no futuro do citadino.
Ambos falam das suas vidas conjugais ao longo de décadas e o pintor irá descobrir um outro mundo, onde o olhar e a serenidade habitam a par de uma ingenuidade profundamente genuína. Basta ver a reacção de Leo quando descobre a amante do pintor nua deitada na relva, ou o diálogo travado entre ambos aquando da pintura de um quadro, um verdadeiro tratado do olhar.


Mas como tudo na vida não é perfeito, Leo adoece repentinamente e o amigo leva-o de imediato para Paris e na clínica de um outro amigo do pintor é feito um diagnóstico pouco animador.
Ao longo do tempo, a visão da vida do citadino ao ser confrontada pela modéstia do amigo jardineiro vai mudando e quando este lhe pede para lhe dedicar um quadro da sua obra, nasce uma exposição profundamente bela e naturalista, ao mesmo tempo que um reencontro com a família e a vida surgem com a tranquilidade própria de quem voltou a olhar o mundo de forma apaixonante, amando os pequenos sinais de uma existência que terá para sempre uma dívida profunda pelo seu amigo Dujardin, como Leo se intitulava, enquanto chamava ao amigo pintor Dupinceau.

Jean Becker ao centro, entre os protagonistas,
durante a rodagem deste belo filme!

Descobrir este filme de uma sensibilidade maravilhosa é mergulhar decididamente no sentido da vida, da forma mais bela possível.

Nota: Está disponível no nosso país uma boa edição deste filme em dvd.

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