terça-feira, 4 de abril de 2017

Francis Ford Coppola – “Apocalipse Now Redux” / “Apocalypse Now Redux”


Francis Ford Coppola – “Apocalipse Now Redux” / “Apocalypse Now Redux”
(EUA/Filipinas – 1979/2001) – (194 min. / Cor)
Marlon Brando, Martin Sheen, Robert Duval, Frederic Forrest, Dennis Hooper.

“Apocalypse Now” é um dos maiores filmes de sempre feitos acerca da guerra, não a guerra do Vietname, mas sim sobre o horror da guerra, esse horror explicado pelo Coronel Kurtz (Marlon Brando) ao Capitão Willard (Martin Sheen) e com a feitura deste filme e as condições vividas pelos actores e equipa técnica durante a rodagem criou-se um Mito.


Durante longos anos se falou da rodagem do filme, dando até origem ao documentário de Fax Bahr e George Hickenlooper, “Hearts of Darkness”, oferecendo-nos uma viagem ao interior da feitura de “Apocalypse Now”. Depois há o livro/diário de Eleanor Coppola (a esposa do cineasta), narrando-nos como tudo se passou e oferecendo-nos também o retrato do horror e as condições em que todos trabalharam à beira do abismo, à beira da loucura mesmo.
Descobrimos então novas imagens do filme, incluindo uma longa sequência, passada numa plantação de colonos franceses, deixada “caída” na mesa de montagem.


Ao longo dos anos, Francis Ford Coppola continuou a trabalhar neste projecto tão amado e num dia do novo milénio nasceu “Apocalypse Now Redux”, uma versão nova de “Apocalypse Now” e dizemos uma nova versão, porque estamos perante dois filmes perfeitamente distintos, já que a nova montagem oferece-nos uma visão diferente da película e sendo assim optamos por o considerar um novo filme.


“Apocalypse Now Redux” oferece-nos novas sequências com a famosa cavalaria do espaço chefiada pelo Coronel Kilgore (o roubo da prancha de surf e a evacuação dos habitantes da aldeia/o bebé ferido); a tristeza das Playmates retidas num acampamento sem gasolina, onde a chuva e a lama lava a sua sensualidade perdida no inferno; a imagem do Coronel Kurtz rodeado de crianças, representando o pai com os filhos e a leitura do artigo duma "Time" perdida no tempo; a plantação dos colonos franceses esquecida na selva, onde o discurso colonialista tem a sua máxima expressão, através da figura de Hubert de Marais (interpretado pelo actor Christian Marquand) e onde habita um anjo chamado Roxanne (Aurore Clément).


Para além disto tudo, Francis Ford Coppola oferece-nos uma nova banda sonora. A célebre sequência final com a destruição do templo onde permanece o Deus Kurtz, destruída ao som de “The End” dos The Doors foi retirada. Recorde-se que esta sequência foi eliminada no mercado americano logo em 1979, após duas semanas de exibição, devido às interpretações que estavam a ser dadas (apologia da guerra!?). Mas o mais importante será o facto de Coppola ter continuado a optar pelo final apresentado em 1979, a partida do Capitão Willard, quando no festival de Cannes mostrou um outro final alternativo em que Martin Sheen, após a morte de Kurtz, ocupava o seu lugar como novo senhor da guerra.

Marlon Brando e Francis Ford Coppola

“Apocalypse Now Redux” é um novo olhar de Francis Ford Coppola sobre a guerra e o sentimento oferecido continua a ser o do horror. A guerra, mesmo com todas as tecnologias, continua a ser a selva onde o ser humano surge no seu lado mais primário, o selvagem em busca da presa humana, não olhando a meios para atingir os seus inenarráveis fins. O cheiro do napalm continua a sentir-se e os corpos em decomposição permanecem à espera de serem devorados e esquecidos. “Apocalypse Now Redux” revela-se como uma aventura do homem no coração das trevas.

4 comentários:

  1. Só vi em tempos recentes, já que na época em que por cá passou os interesses eram outros. Agora sei avaliar uma obra-prima!

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    1. Um filme que nos esmaga e se torna inesquecível!
      Boa Tarde!

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  2. Eis um caso nítido em que o filme ultrapassa, largamente, a qualidade da obra em que se baseou, neste particular o "Heart of the Darkness", de Joseph Conrad, que é passado no Congo Belga.
    Vi primeiro o filme de Coppola e só depois li a novela, em tradução portuguesa (aliás, péssima tradução), creio que Ed. Civilização. E foi a desilusão completa...
    Um bom dia, soalheiro!

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    1. Concordo consigo quando escreve que a adaptação suplantou o original. Também eu fui ler o livro de Conrad depois de ter ficado esmagado a ver o filme no Apolo 70, ainda com o final que depois foi retirado, e percebi como o argumento escrito por John Milius era genial. A edição que li, emprestada por um amigo, era da Estampa. O filme regresso a ele com regularidade ao longo dos anos, já o livro uma vez chegou:)
      Obrigado pela visita e comentário.
      Muito boa tarde!

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